sexta-feira, outubro 28, 2011

Novos autores ou o renovar da Primavera…(reposição)

Estranhamente recebi hoje uma mensagem do Blogger o serviço que suporta o presente blogue e referente a uma postagem de 23 de Março de 2007.
Sem fazer qualquer comentário ao assunto, por tão ridículo e inesperado, aqui deixo para conhecimento de todos a mensagem referida e a reposição do texto, sem os devidos links.

"O Blogger foi notificado, nos termos do Digital Millennium Copyright Act (DMCA), de que determinado conteúdo existente no seu blogue viola, alegadamente, direitos de autor de outras pessoas. Como consequência, repusemos o estado da(s) mensagem(ns) para "rascunho". (Se não procedêssemos assim, ficaríamos sujeitos a uma reivindicação por violação de direitos de autor, independentemente do fundamento da mesma. Poderá encontrar o(s) URL(s) da(s) mensagem(ns) alegadamente infratoras no final desta mensagem) o que significa que a sua mensagem - bem como quaisquer imagens, links ou outros conteúdos - não desapareceram. Pode editar a mensagem para remover o conteúdo em questão e voltar a publicá-la.
Informação contextual: o DMCA é uma lei de direitos de autor dos Estados Unidos que contém diretrizes sobre responsabilidade dos fornecedores de serviços on-line em caso de violação de direitos de autor. Se acha que possui o direito de publicar o conteúdo em questão, pode enviar a sua contra-notificação. Para obter mais informações sobre as políticas DMCA, incluindo como enviar a sua contra-notificação, consulte o link http://www.google.com/dmca.html.
O aviso que recebemos será publicado on-line, sem qualquer informação de identificação pessoal, por um serviço denominado Chilling Effects em http://www.chillingeffects.org. Atuamos em conformidade com o Digital Millennium Copyright Act (DMCA). Pode pesquisar o aviso DMCA associado à remoção do seu conteúdo acedendo à página de pesquisa do Chilling Effects, em http://www.chillingeffects.org/search.cgi e introduzindo o URL da mensagem que foi removida.
Se tomarmos conhecimento de que voltou a publicar a mensagem sem remover o conteúdo/link em questão, procederemos à eliminação da sua mensagem e consideraremos a sua ação como uma violação adicional da sua conta. As violações repetidas dos nossos Termos de Utilização podem resultar em ações corretivas adicionais relativamente à sua conta do Blogger, incluindo a eliminação do blogue e/ou o encerramento da sua conta. Se tiver dúvidas de carácter jurídico acerca desta notificação, deverá contactar o seu próprio consultor jurídico.
Atenciosamente,
A Equipa do Blogger
URLs referidos:

 
"Novos autores ou o renovar da Primavera… (reposição do texto de 23.03.2007)


É sabido por aqueles que ao longo do tempo me acompanham, da importância que dou à poesia e ainda mais à revelação de novos poetas, por isso foi com satisfação que tomei conhecimento do Prémio de Poesia Nuno Júdice, instituído pela Câmara Municipal de Aveiro que conforme foi anunciado em vários locais, nomeadamente PROIBIDO O LINK se destinava a (e passo a citar) “fomentar o aparecimento de novos valores”.

O percurso poético de Nuno Júdice é do conhecimento de todos e a instituição deste prémio foi, no meu entender, uma homenagem que lhe foi prestada por aquela Autarquia, pela sua forma de estar no mundo das letras e aguardei com imensa expectativa, o resultado da escolha do júri nomeado para o efeito.

Sinto-me verdadeiramente à vontade para me pronunciar sobre este assunto, uma vez que não concorri, nem jamais concorrerei a este ou qualquer outro tipo de concurso, limitando-me simplesmente a divulgar esta iniciativa no mundo blogosférico, nomeadamente através deste blogue.

José Jorge Letria (PROIBIDO O LINK), com quase duas centenas de títulos publicados, em cerca de 50 editoras diferentes.

Nos anos 70, foi também um activo cantor de intervenção, ao lado de nomes como José Afonso, Manuel Freire, Adriano Correia de Oliveira e Francisco Fanhais, entre outros, tendo gravado entre 1968 e 1981, cerca de uma dezena de discos. Entre 1994 e 2001 foi vereador da Cultura da Câmara Municipal de Cascais, onde se destacou a coordenar ou criar projectos como os Cursos Internacionais, cinco prémios literários ou a revista Boca do Inferno. Em 1997, foi condecorado pelo Presidente da República com a Ordem da Liberdade.

Foi distinguido em 21 de Março corrente, com o Prémio de Poesia Nuno Júdice (prémio de 2 500 €), instituído pela Câmara Municipal de Aveiro para fomentar a revelação de novos valores…

Recordo com uma certa tristeza, as palavras de meu Pai:

“… tal como na política, dar lugar aos novos é, para muita gente, continuarem os velhos…”


O que seria da Primavera se as flores não se renovassem…


Fotografia de Dionísio Leitão e autorizada a publicação pelo autor


Primavera


Nesta primavera, a chuva tem caído como se fosse
Uma primavera de Londres, húmida e mole,
E não a primavera meridional, amena e doce,
Com nuvens e vento, mas sempre com luz e com sol.

Os gatos não saem de ao pé da janela, detrás
Dos vidros, vendo as gotas escorrerem por fora,
Como se suspirassem pelo fim dessa paz
doméstica, ansiosos por saírem a qualquer hora.

No entanto, as grandes nuvens estendem-se pelo céu;
Por vezes, um trovão interrompe o pensamento.
O cinzento derrama-se como um espesso véu,
Ajudado pelo tédio que empurra este vento.

Assim, de manhã, nem abro a janela:
tão escuro é o dia lá fora como cá dentro;
E só o espírito, por inércia, o tempo revela
Se alguém pergunta onde fica o centro?


Nuno Júdice
Meditação sobre Ruínas (1994)
Poesia Reunida (1967-2000)
Publicações Dom Quixote, Lisboa 2000



domingo, outubro 23, 2011

Nas lágrimas da despedida




 Já não tenho palavras
as últimas morreram no verão passado.
E num funeral cheio de sinais
sinais de uma pontuação por conseguir
as palavras, no silêncio, encontraram o seu lugar.
A terra, o chão, que tanto pisei com avidez
e num cemitério desconhecido, distante dos olhares
lá estava eu com um sofrimento imaculado
a fazer o destino, numa despedida sofrida.

Tudo agora é memória
guardada no ventre da imaginação
faltam-me as palavras que escreviam a lucidez
faltam-me as outras, que escreviam esperança
faltam-me, sem que perceba, essa sensação
com que vibrava ao ler os teus passos
as tuas tormentas ou as brincadeiras perdidas
falta-me quase tudo, que tudo é o meu fim
que enterrou a alma dessa magia em desassossego.

Já não tenho palavras
roupagem do meu caminhar
agora sou, provavelmente, memória
que no tempo, aos poucos, também morrerá!

Poema de Paulo Afonso Ramos,
in "Passos espalhados pelo chão", pág. 74

(Clicar na imagem para aumentar)

Agradeço ao autor Paulo Afonso Ramos a dedicatória a folhas cinco de "Passos espalhados pelo chão", cuja imagem me permiti partilhar. 


Obrigada.    
   

domingo, outubro 02, 2011

Convite

 Foi no já longínquo 22 de Setembro de 2007 que conheci a Maria numa efeméride que não vou esquecer e que deu rosto à pessoa cuja sensibilidade de escrita descobri no seu blogue pessoal adivinhando que um dia ela ganharia coragem para ultrapassar a fronteira do virtual e colocar as suas palavras no mundo real.

É pois com enorme alegria que vos convido a estarem presentes no próximo dia 8 de Outubro (Sábado) para o lançamento do seu livro de contos com prefácio da Poeta
Graça Pires no Hotel Real Palácio (rua Tomás Ribeiro, 115, Lisboa) pelas 18 horas



"Outubro é o mês mais doce", repito em cada ano que passa.

Eu não sei porque amo assim Outubro, por que razão, neste mês de Outono, me sinto particularmente amada e feliz, por que gosto de tudo e de todos como se do primeiro, ou do último, mês da minha vida se tratasse. A verdade é que, invariavelmente, quando chega esta época, sinto uma vontade imperiosa de o assinalar, de o deixar registado, para a posteridade, não vá algum dia esquecer-me de que sempre assim senti.



Um grande abraço e parabéns por este momento

segunda-feira, setembro 26, 2011

In Memoriam

Como Ognid o conheci.


Despeço-me com tristeza do Dionísio Leitão.
Até Sempre.




Fotografia tirada e gentilmente oferecida pelo Ognid...



No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;

no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.

(Poema de Cecília Meireles)




...e, a quem dedico este poema por toda a sua sensibilidade artística



(Este post é de 1 de Agosto de 2005 e coloco-o em reposição com o meu obrigada.) 

quarta-feira, setembro 14, 2011

Entre mundos... Navia e Ana...

Pintura de Freydoon Rassouli



 "…Neste século onde se fazem tantos acordos de paz, pactos de estabilidade, Associações de protecção a isto e aquilo e a mais qualquer coisa, atendimento por telefone de protecção às vítimas, voz amiga, SOS criança, é possível deixar uma pessoa em estado de agonia. Na realidade, nos momentos de maior dor psicológica, parece que não existe ninguém. Existem estatísticas sobre o assunto mas não há memória de alguma vez terem ajudado alguém num determinado momento. A dor vem pela noite quando o silêncio é maior e ninguém quer ser perturbado. A dor não passa com antibióticos, nem com uma chamada telefónica, nem a horas marcadas. Talvez a confiança ajude mas num século onde a vida foi programada até aos sessenta e cinco anos, a depressão é vista como uma fraqueza humana e falta de lucidez.
Talvez os potenciais suicidas não confiem muito nos recursos às tecnologias existentes para pedidos de ajuda e as estatísticas vejam-se atrapalhadas a descobrirem os critérios das causas. Os efeitos são óbvios. Pelo menos a segurança social não precisa de pagar a baixa por doença. Há sempre vantagens, apesar do peso significativo em termos económicos: o desperdício do dinheiro investido na educação, a perda de um trabalhador activo e de um contribuinte. É necessário refazer a contagem para identificar o que sai mais benéfico – a prevenção ou a morte.
…"
(excerto, Capítulo XIII - Ana)



Tenho de ir.
O meu amor espera-me.

De passo em passo
Enquanto o pé se ergue
Enquanto o pé se firma
Encontrei-te

Passos sem rasto
Vens também?

de, Teresa Durães in Navia pág.s 80/81 e 163