quarta-feira, julho 01, 2020

segunda-feira, junho 15, 2020

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sexta-feira, maio 01, 2020

Graça Pires - O seu novo livro


É HOJE no Facebook da Poética Edições - Virgínia Do Carmo

Graça Pires (Figueira da Foz, 1946) editou o seu primeiro livro em 1990, depois de ter recebido o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com o livro "Poemas". Depois disso publicou mais de uma dúzia de livros de poesia, muitos dos quais premiados. É licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Nesta obra poética, a 19ª de Graça Pires, que este ano assinala 30 anos de caminho literário, a poeta percorre breves histórias, histórias que conta inevitavelmente recorrendo ao seu jeito poético único, profundo e sempre belo, como memórias que atravessam a sua própria biografia íntima. Este livro segue a linha poética a que Graça Pires nos vem habituando, e que é marcada por um rigor e uma depuração exímia, fruto de uma vida dedicada à palavra.

Poderão encontam o livro aqui 



Secaram as roseiras bravas

cultivadas no atalho da paisagem.
Uma mulher canta roucamente
e o seu canto é um brado
em desavença com a mudez
enraizada na garganta.
Vagarosamente, enrodilha na anca
as vestes de pano cerzido
e afaga seu corpo com as mãos ásperas
como as roseiras bravas.
Tão precário, o perfume das rosas!

sábado, abril 25, 2020

AMOR


Vestiram os olhos com as cores da Primavera e sorriram.
Salpicaram os lábios de sol e soltaram palavras doces.
As festas mais importantes fazem-se do lado de dentro da pele. Tal e qual como as viagens.

de,  Isabel Pires

quarta-feira, abril 08, 2020

Amor e Outros Crimes em Vias de Perdão

Henri Matisse

1. 

tu nunca hás-de entender o tamanho das noites 
em que gastei tudo o que havia 
por dentro dos meus olhos 
os rios que de ti desaguaram sempre 
nas minhas veias 

eu não sabia 
ou talvez já o tivesse esquecido 
como podem ser mortíferas as cinzas 
das palavras que um dia tiveram asas 

e ainda mais mortíferas as garras 
que nos destroem com os pequenos medos quotidianos 
a que não podemos escapar 
porque as sílabas da paixão são sempre 
os primeiros objectos a serem retirados do quarto 
para que tudo regresse à prateleira certa 
e de manhã a poeira nos vista 
tranquilamente 
como um hábito 

e foi por isso que nessas noites morri muitas vezes 
enquanto as secretas palavras de adeus alastravam 
pela foz do teu desejo 
e a minha pele se despia 
vagarosamente 
da tua 

(Alice Vieira in "Dois Corpos Tombando na Água" Pág.85)