terça-feira, abril 05, 2022

TESTE...

De cara lavada volto ao meu Reino.

Após várias peripécias que foram desde não conseguir entrar no blogue até ter que mudar de Template pelas dificuldades encontradas, aqui estou de novo.

Confesso que já tinha saudades.

O Mundo está do avesso e, sinceramente, nem me apetece falar de tanto que aconteceu neste último ano.

Só quero deixar-vos um abraço e pedir desculpa de tão prolongada ausência. 


quarta-feira, dezembro 30, 2020

2021 - ESPERANÇA




Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana in, “Nova Antologia Poética”, a págs. 118




quarta-feira, dezembro 23, 2020

Prelúdio de Natal




Tudo principiava
pela cúmplice neblina
que vinha perfumada
de lenha e tangerinas

Só depois se rasgava
a primeira cortina
E dispersa e dourada
no palco das vitrinas

a festa começava
entre odor a resina
e gosto a noz-moscada
e vozes femininas

A cidade ficava
sob a luz vespertina
pelas montras cercada
de paisagens alpinas


Poema de David Mourão-Ferreira
in, "Obra Poética 1948-1988", págs. 224/225

sexta-feira, dezembro 11, 2020

PORQUE É NATAL

É Natal

diz-me o coração.


E nestes dias de frio

Natal é aconchego

amor, fraternidade

solidariedade.


Até quando é Natal?


Nos meus olhos

interrogam-se dúvidas.

O coração vibrante de quente

esquece por momentos

fomes dolorosas

batalhas perdidas

amigos ausentes

palavras amargas

crianças feridas.


Por momentos tudo é perfeito.

As luzes brilham numa música suave.


Ao longe, faz-se ouvir o cristalino riso

de uma criança que desconhece o fel da vida.


Riso que entoa,

e cruzando o frio de neve,

derrete-a.


Por momentos, só por momentos,

o olhar do Menino Jesus sorri,

deitado nas palhinhas olhando a Virgem Mãe,

que, ternamente, de joelhos proclama

o seu Nascimento.


É Natal!


Presépio pessoal


A todos desejo um Natal muito Feliz no aconchego dos afectos que possuem.


Até ao próximo.






sábado, outubro 31, 2020

Monólogo em dias de Confinamento...



Quando resolvi, há mais de vinte anos, pegar nos meus “tarecos”, nos filhos, no gato Farrusco e trocar a cidade onde vivia, pela freguesia onde moro muito perto do mar, não poderia adivinhar o que o futuro traria.

Ouvir os sons da natureza, que numa cidade nos está vedado, desde o cantar do galo, manhã cedo, ao chilrear do conjunto da passarada que prolifera, diariamente, pelos céus, junta-se a paisagem, por vezes estonteante, que o nosso olhar alcança. E o sossego, só quebrado pelos sons da natureza ou de alguma buzinadela de condutor mal-disposto, era inspirador.

Era um sonho há muito pensado:sair da poluição e do barulho, constante, e viver numa zona rural mas perto do mar.

Confesso que um volte-face inesperado da vida colocou em causa tudo aquilo por que tinha lutado.
E um esgotamento mental tomou posse de mim. O sossego era ensurdecedor. A rua do "lá vai um” de que eu tanto gostava passou a ser intolerável.

Até o cantar dos pássaros de que tanto gostava (e continuo a gostar) me incomodava.

Precisava de ver gente, de a sentir, do pulsar do dia a dia. Mas também não saía de casa. Nao conseguia!
Tirando as caminhadas, que sempre gostei de fazer, ou fazer compras, o caminho era sempre directo para casa.

Cheguei ao ponto de a querer vender e ir para um local mais movimentado.

Ultrapassei essa fase. Nao vendi a casa. E, hoje, dou graças a Deus por isso.
Continuo a fazer as minhas caminhadas.
Feliz.

As ruas por onde passo estão desertas. Assim…“lá vai um”…
E, para mim, nesta fase tão delicada de contágios, viver aqui, é realmente uma benção.
Os dias passados dentro de casa, sozinha com o canário Pipoca, enquanto o filho vai trabalhar, não me custam.

E continuo a encantar-me com os sons da natureza. A ouvir música. A ler. A escrever, quando estou para aí virada.
E quando saio de casa, entro no elevador de máscara, até chegar à rua.
Depois tiro-a.

Volto a colocá-la antes de entrar no café da D. Gininha.
Dois dedos de conversa, do dia a dia. Sempre à baila, a pandemia..
Que haja respeito e responsabilidade entre todos, diz a simpática dona do café.

Está na hora de voltar a casa...
 




Fotografias pessoais tiradas ontem pelo meu filhote