domingo, julho 14, 2013

O magnetismo da música

Um domingo calmo apesar de cinzento e meio frio.
O Verão zangou-se das queixas sobre o calor (ou terá sido dos políticos?) e resolveu voar para outras paragens.
A música devolve-me a energia que sinto frenética no corpo e deixo-me embalar.
Há nos seus sons um prelúdio que se eleva num movimento ritmado a que não consigo escapar.    
Vários minutos de magnetismo que resolvi partilhar .



 (desligar a música de fundo para ouvir o vídeo, p. f.)


Na dança da vida
a música toca a melodia
que sentimos na alma.  

quarta-feira, julho 10, 2013

Música da natureza

(Clicar na foto para ver em tamanho natural)
Steve Winter

Sorri minha alma no leve toque dos sentidos
que, como um rio, corre nas minhas veias,
em sensações arrebatadas pelo afago do vento
que na extensa planície meu olhar incendeia.

Sorri meu corpo na ternura do momento em que
se funde o pensamento na beleza que me rodeia.
No calor da pele abraçada pelo sol, a natureza
vibra, na cumplicidade do sentimento que me enleia.

Não temo o amor, nem a morte, se ambos
vierem devagarinho levando-me em sonhos
de carícias e a lua se esconder no meu olhar.

Sob as pétalas da noite desliza o orvalho
em cascata de rios como lágrimas de amor
que cantam melancolias na música da natureza.



 Otília Martel
(Menina Marota)

in, Olhos de Vida, pág. 29,
publicação em Livro Digital para iPad
Ilustrações de Catarina Lourenço
disponível em  Livraria Liberdade e  Itunes 

sexta-feira, julho 05, 2013

Palavras de Cristal

Chegou hoje, pelo correio, a tão esperada Colectânea de Poesia, a cujo lançamento faltei, por motivos alheios à minha vontade e que se prendem com assuntos familiares, mas que me impediu, de certa forma, da convivência e abraçar amigos e poetas.

E começa assim, logo em abertura…

“A poesia é o real absoluto…
… Quanto mais poético, mais verdadeiro.”
Novalis

… continuando  nas palavras de Tiago Galvão-Teles, que deu voz ao Prefácio:
 (…)
“Palavras de Cristal” é uma colectânea de poesia de uma versatilidade incalculável. Não há dois autores iguais. Cada um cresce em nós de uma maneira diferente.
(…)
“Afinal a poesia é a mais profunda forma de escrita que existe”.



Momentos


Há momentos que as palavras falham.  
Sentamo-nos no meio delas 
ouvindo o seu pulsar 
como folha verde
no caule de uma flor.


Há momentos que o coração chora 
sentindo o vibrar de vidas 
que não são vidas 
dentro da própria vida.


Há momentos que o isolamento 
dói mais que o silêncio 
da boca que fala e nada diz.

E há momentos 
que têm a rara beleza 
que nasce no meio do nada 
como fonte de água pura 
que no mar desagua 
e por ele é beijada.


Otília Martel
(Menina Marota)

in, Palavras de Cristal, Colectânea de Poesia,
Vol. I, pág. 323

terça-feira, julho 02, 2013

Sophia...

Cumprem-se hoje nove anos do falecimento de Sophia de Mello Breyner Andresen, que nasceu no Porto em 6 de Novembro de 1919 vindo a falecer em Lisboa em 2 de Julho de 2004 e é, sem dúvida alguma, uma das maiores e mais eloquentes vozes da poesia portuguesa contemporânea.

Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.

O seu espírito continua vivo na obra que nos deixou, um espólio imensurável, marcado por valores como a justiça, a sua grande aproximação com o mar e, sobretudo, os valores que recebeu da sua infância e juventude onde se ressaltam valores sociais muito profundos.

A morte não se festeja, é um facto.  Mas celebremos o seu amor pela escrita que perdurará nos tempos como um património imaculado da Língua Portuguesa.

Sophia de Mello Breyner  Andresen 

Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, junho 30, 2013

Pina

 "(...)
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é plateia
E a outra metade é canção.
(...)"

Metade, de Oswaldo Montenegro.


Recordando Pina Bausch, coreógrafa e dançarina, no dia do aniversário do seu desaparecimento (30 de Junho de 2009)


 


 (desligar a música de fundo, p.f. para ouvir o vídeo)