terça-feira, outubro 13, 2020

Lugar repleto de silencio



XLV. mais seguras

Este é o instante que não se mede pelo instante seguinte. Isto é o tempo.
         Alguém estive em frente das folhas, tocando-as, e não se mostrou.
         Eu senti-me ligada à sua ansiedade, e pus a mão num ramo mais alto, 
que se verga ligeiramente ___________ entra, ou vai-se embora?             As 
duas direcções são possíveis, e separavam o meu espaço e o seu_________
que faço? Fico quieta? Grito-lhe que apareça?

          Se for um desconhecido, que me conhece mas que eu nunca vi, talvez
seja melhor suspender o meu gesto, pois o tempo de conhecer-mo-nos, 
inesperadamente,
não deve ainda começar.
           Tenho vontade de eu própria escrever-lhe umas linhas, e deixá-las ficar,
ao abandono, num lugar repleto de sossego como é a copa da grande árvore.


Maria Gabriela Llansol
in Amigo e Amiga_curso de silencio de 2004
a págs. 62  Assírio & Alvim
   

 

5 comentários:

A.S. disse...

Há um silêncio imaginário, que resiste à lógica do tempo cronológico, ao impulso, ao primeiro gesto. O imaginário pode não ser oposto ao real, mas antes a própria realidade, a mais intensa e verdadeira! Sendo assim, para quê deixar que o silêncio nos condicione a vontade? Segue o impulso! Não suspendas o gesto! Nunca deixes nada ao abandono!

M.M. ler-te será sempre um doce fascínio!

Um grande abraço!

Pedro Coimbra disse...

Texto e imagem sublimes.

Fanny Costa disse...

Quantas árvores testemunham as palavras escritas que não foram enviadas... Tantas histórias suspensas... Tantos silêncios...
Beijinhos

hanna disse...

Tantos momentos de la vida , tantos silencios.. muy bueno. Besos

Graça Pires disse...

Palavras cheias de silêncios. Maria Gabriela Llansol sempre tão inspiradora... Uma imagem maravilhosa.
Cuide-se bem minha Amiga.
Uma boa semana.
Um beijo.