quarta-feira, agosto 28, 2013

No suspiro da noite

Pintura de Marci Mcdonald    

Floresces-me no poema
retido no céu-da-boca
água de nascente  
molhando os bicos do monte
inebriados pelos caminhos
que conduzem à seiva da rosa.

Quarto crescente de
uma lua de estrelas,
em ramos entrelaçados,
faiscando na fogueira
de todos os sentidos.

No suspiro da noite,
que explode
na relva húmida,
o fruto acereja
na árvore exuberante de vida
e nos seus braços se recolhe
como flor esperando o dia.


segunda-feira, agosto 26, 2013

Dias de Verão

Pintura de Dorina Costras


O cheiro a rosmaninho
 - ou será a tília? -
demora-se nas ondas do cabelo.

Juras e promessas
no fundo do rio rumorejam.

De boca em boca, a palavra sibilina
rompe afã o seu destino.

Na voragem, sem fim, do clamor,
já o crepúsculo o encanto rompeu
e perfumou de jasmim os caminhos.

Nada foi em vão. O ontem perdeu-se
no gélido olhar do silêncio.

O hoje renasce em flor de emoção
no sopro da brisa que os pássaros dançam

nas velas do tempo em dias de Verão.


terça-feira, agosto 20, 2013

Sentires

Igor Zenin

Amo-te 
desde o primeiro minuto
quando todos me diziam que o futuro era meu
e não teu.

Quando
(sempre soube)
o meu amor por ti
nascia ali
naquele intransponível momento
que a Mulher sente
que a Vida é embrião e amor.

Amo-te
Nada poderia separar-nos.  
Nada!

E o meu amor por ti,
cresceu, conquistou mundos,
mesmo os que, contra nós,  
eram.

Depois, meu amor… 
tantos meses, tantas horas,
tanto sofrimento…
 (oh, nem podes imaginar!)
abraçando o meu querer 
contra tudo e contra todos,  
minha vida és tu e sempre serás.

Hoje
embalo o sangue do teu sangue
nos meus braços.

Neste dia 
que foi luta,
dor, suor e grito
és meu sangue e carne.

Nasceste!




Dedicado ao dia de aniversário da minha Filha.
19 de Agosto.


sábado, agosto 17, 2013

Le Poème

É com muita alegria que partilho a tradução feita por Cécile Lombard.
A selecção do poema para tradução coube a Nina Matos tal como a escolha da imagem que o ilustra, para figurar no Poésie Portugaise.

Grata a ambas por este privilégio 
 Hai Trinh Xuan

Le Poème 



Tous les poèmes sont amour.

Temps éthéré chanté à chaque soleil naissant
dans les nuances lilas des champs où j'écris.

Tous les poèmes sont sourire.
Sans rimes, sans douleur, dans l'imperceptible feuille
volante dans l'enthousiasme le plus profond et exalté.

Tous les poèmes sont peur.
Du langage des corps et des syllabes qui dominent
les mots usés par le temps.

Tous les poèmes sont révolte.
Dans l'essence synergique de l'indéchiffrable
pouvoir entre la question et la raison.

Même si les poèmes sont l'antithèse les uns des autres
ils relient les océans, en volant en une seconde,
dans la plus belle mélodie sous l'air inquiet 
des âmes qui valsent dans les nuits éternelles de la poésie.

Je suis. Tu es.
Le Poème.


♥ ♥ ♥ ♥ ♥


O Poema


Todos os poemas são amor.
Tempo etéreo cantado em cada sol nascente 
nos matizes lilases dos campos onde escrevo.

Todos os poemas são sorrisos.
Sem rimas, sem dor, na imperecível folha
solta no mais profundo e exaltado enlevo. 

Todos os poemas são medo.
Da linguagem dos corpos e das sílabas
que dominam as palavras gastas pelo tempo.

Todos os poemas são revolta.
No âmago sinergético do indecifrável poder
entre a questão e a razão. 

Mesmo que os poemas sejam antítese uns dos outros
ligam oceanos, voando num segundo,
na mais bela melodia sob o toque inquieto das almas 
valsando nas eternas noites da poesia.

Eu sou. Tu és.
O Poema. 



Otilia Martel
(Menina Marota)

Traduction de © Cécile Lombard

sexta-feira, agosto 02, 2013

O Poema.

José Luís Ávila Herrera


Todos os poemas são amor.
Tempo etéreo cantado em cada sol nascente 
nos matizes lilases dos campos onde escrevo.

Todos os poemas são sorrisos.
Sem rimas, sem dor, na imperecível folha
solta no mais profundo e exaltado enlevo. 

Todos os poemas são medo.
Da linguagem dos corpos e das sílabas
que dominam as palavras gastas pelo tempo.

Todos os poemas são revolta.
No âmago sinergético do indecifrável poder
entre a questão e a razão. 

Mesmo que os poemas sejam antítese uns dos outros
ligam oceanos, voando num segundo,
na mais bela melodia sob o toque inquieto das almas 
valsando nas eternas noites da poesia.

Eu sou. Tu és.
O Poema.