quarta-feira, agosto 20, 2008

Partilhando...

Para além do gosto pessoal em partilhar poesia e textos que vou encontrando pelos caminhos da blogosfera, no decorrer dos últimos meses assisti ao lançamento de algumas obras de poetas ligados a esses caminhos, nomeadamente

“O Ciclo Menstrual da Noite” da jovem Alice Macedo de Campos cujas imagens poderão visualizar no Portal do Mhário Lincoln do Brasil.

Zaida Paiva Nunes
, carinhosamente conhecida por Avó Zaida apresentou dois livros, “Talvez” e “Suave Trilogia”, da Trilogia Poética que se iniciou com "Pedaços de Mim", cujo desenvolvimento do excelente convívio, poderão visionar neste local.


Teresa Gonçalves aqui referida e que assina o pseudónimo Ísis no "Singelo Canal", apesar de só recentemente ter aderido às lides bloguistas tem variadíssima obra publicada. 





Quero-te ouvir_meu Portugal
fala-me na tua língua
na língua de Camões
fala-me não do passado
fala-me do presente e do futuro
fala-me no que somos hoje e no que seremos amanhã
fala-me da alma do teu povo na paisagem de um
poema
fala-me sobre as imagens de sonho na intensidade de
um texto
Portugal_fala-me
fala-me sobre a boca verdejante mordendo a terra
convertida ao silêncio
fala-me dos beijos queimados à mãe Natureza
fala-me da solidão das águas poluídas dos rios numa
taça vazia
fala-me das convulsões frenéticas à revelia de falsas
promessa
Portugal_fala-me
Quero-te ouvir falar_meu país.



Poema de Ísis in "Singelo Canal", pág.81

sábado, agosto 16, 2008

aberta a porta do mar imenso


O Menina Marota irá continuar a viagem interrompida, de divulgação de poemas e autores conhecidos, famosos e desconhecidos, que mais se identificam com a sua sensibilidade pessoal.

Paralelamente, semanalmente, serão divulgados no item “Blogues em Destaque”
(à direita da página), aqueles que pelo seu conteúdo ou carisma, chamaram a atenção da autora desta página.


Grata a todos pela vossa presença.
óleo de Joop Frohwein


a minha mão repousa sobre o teu corpo,
e sei que sou mortal.

nada te dou que seja só meu.

ofereço-te sombras sulcando a beleza das coisas
pedras preciosas de barcos e viagens ao sol
reflectidas na prata do tempo.

flutuam nelas a água da minha solidão
e o imponderável infinito
que nos separa.

terás sido outrora uma chama
que se desfez no meu peito em perfume
de rosas



(
Poema de Mariah)

domingo, agosto 10, 2008

A casa...


Imagem  de Alexey Andreev collection


A casa apareceu na subida da rua. Por momentos parei olhando em redor, serenamente. Há muito deixei de ser a rapariga azougada que subia de rompão e irrompia na casa gritando alegremente: Avô… Avô…

E recordei as suas histórias contadas à lareira, enquanto no lume, uma panela preta de três pés cozia castanhas com erva-doce de que ainda guardo o cheiro e o paladar. Talvez inventadas, eram histórias de mouras encantadas que choravam o amor perdido do senhor do castelo.

Num impulso, galguei os seis degraus que me separavam da velha porta e, quando o ruído ensurdecedor de anos de aferrolho se fez ouvir, fechei os olhos.

Às apalpadelas, dirigi-me para as janelas e abri as portadas com dificuldade.

Através dos olhos semicerrados senti a luz que entrava a jorros.

Lentamente, virei-me para o interior olhando todo o aposento e pensei o quão feliz tinha sido naquela casa durante a minha infância; como num sonho, todos os sons e figuras de outros tempos povoaram a minha mente. Reagi e, numa corrida rápida, percorri aposento por aposento, abrindo de par em par, as restantes janelas.

Tinha decidido retomar a Vida nas minhas mãos. Que melhor local para me encontrar, se não este?

Quando finalmente o meu corpo despido entra na banheira cheia de água tépida, cansado da azáfama de tornar a casa acolhedora, sorrio maliciosamente…


Sinto teu corpo em mim
...e...assim...


O pensamento corre veloz como o vento no alto do Castelo. O desejo que há muito reprimia no meu corpo irrompe como a água que corre na mina que fornece a casa…


As tuas mãos,
que não tocaram meu corpo nestes dias sem tempo,
viajam no sonho e nas palavras,
florescendo no corpo húmido que se agita no desejo.


Ó estranha sinfonia, que toca, poro a poro, todo o corpo, na mais doce das melodias.

Através da limpidez da água olho o meu corpo e um mundo de sentimentos aflora em mim. Deixo-me resvalar e mergulho completamente dentro dela.

Um ruído abafado fez-se ouvir com insistência fazendo com que saísse da letargia onde me encontrava mergulhada, ao perceber que alguém tocava teimosamente à campainha da porta.

Descalça, com a água do banho escorrendo ainda, percorro o comprido corredor e, perto da porta, percebo que o meu corpo está desnudo; olhando em volta, socorro-me da larga cortina branca que esvoaça perto, enquanto a campaínha continua a tocar…


Sabes à seiva da terra
e trazes no corpo
doces carícias
que aquecem
meu sangue
transportando-o
para lá do sonho e
da imaginação.


Os seus lábios ávidos envolvem-me, as suas mãos percorrem o meu corpo húmido, enquanto ao longe um som se aproximava cada vez mais… a campainha continuava a tocar obstinadamente.

Abro os olhos. O sol, rompendo através da clarabóia, desperta-me do sonho. Num gesto rápido desligo o despertador e começo mais um dia.


Na dança da vida
a música toca a melodia
que sentimos na alma.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Ro-do-pio ver-ti-gi-no-so!

Não sei há quanto tempo me enleiam as suas palavras e a forma tão pueril de estar na blogosfera.

Uma forte empatia aproximou-me e quantas vezes me revejo… como neste texto que decidi trazer sem pedir licença. Penso que a Madalena não se importará…



Ro-do-pio

ver-ti-gi-no-so!

cega a tudo que não fosse aquele rolar. esfacelante. encosta abaixo



 ao deixar de pensar reergui a cabeça. mais à tona de água

não há descidas infinitas. não há inferno sem paz. por fim.

a planície acolheu-me e os braços dos amigos____ ramadas estendidas

nunca

tinham deixado de estar lá.

sei agora o sítio exacto aonde estão e quantos são.

árvores benditas

a impedir que voltem a fazer-me____transbordar




quarta-feira, agosto 06, 2008

DIA DE ANOS




Se os pássaros sobrevoam as palavras
para saudar o dia, é porque há festa
nos olhos de quem nasce quantas vezes é preciso.
Quase se adivinha um tempo de lembranças
como um pretexto, uma fuga, um alibi
para escapar à fadiga dos sonhos minguados.
É então que os amigos trazem afectos
que o tempo não corrompe
e o vento se torna solidário das manhã
por onde se regressa à infância.

(
*Poema de Graça Pires)


* Que dedico ao meu querido Amigo MO desejando-lhe um