terça-feira, junho 27, 2006

Mãe, fui assaltado...

… é uma frase que, quem a ouviu dizer pela boca do seu próprio filho, sabe o sentimento que ela causa…

Numa altura que através dos órgãos de comunicação social, se sabe que um ex-elemento das forças de segurança é preso, por suspeita de assassinato, de pelo menos três jovens, ela poderá ter um significado muito menor…

Todos os dias temos conhecimento, de mortes, assaltos, maus-tratos, violações…

Todos os dias temos conhecimento dos mais variados tipos de criminalidade…mas, sinceramente, nunca estamos preparados para ouvirmos dizer:

- Mãe, fui assaltado…

Olharmos o rosto pálido do nosso filho, enquanto nos diz… apontaram-me uma pistola à cabeça e roubaram-nos tudo…

E recordo aquele dia, em que ele num espaço de trinta minutos foi assaltado duas vezes, chegando de lábio rebentado, meio nu e quase a chorar…

- Mãe, fui assaltado…

O primeiro assalto ainda não foi solucionado, não obstante se ter fornecido a matrícula do veículo que transportava os assaltantes.

E, novamente um grupo de oito adolescentes é assaltado, mas desta vez, com recurso a uma arma de fogo, roubando-lhes tudo de valor que possuíam.

No decorrer da queixa apresentada, constatámos que outros dois adolescentes tinham sido pelo mesmo trio, meia hora antes, assaltados. Para além de os roubarem, agrediram um deles violentamente com a coronha do revólver, por se ter manifestado contra a atitude dos assaltantes.

Estes assaltos foram perpetrados numa noite que poderia ser de festa, mas não foi: a noite de S. João, ficou manchada para alguns, que saíam a primeira vez sozinhos, sem os respectivos Pais…

Não sou racista, nem xenófoba, acredito sinceramente, que todos têm direito à vida, ao emprego, à integração social, seja qual for a sua nacionalidade, só não consigo desculpar nem compreender, que se mate, que se roube, que se viole, que se pratique todo o tipo de criminalidade, e que se tente arranjar desculpas, para se justificar esses crimes.

Morrerem três jovens, barbaramente assassinadas e vejo num canal televisivo, um debate a tentar justificar a atitude de um “louco” assassino…

Basta!

Que se respeite a memória de quem sofreu tais atrocidade! Que se respeite a dor dos seus familiares!

Que se faça JUSTIÇA!

terça-feira, junho 20, 2006

Sonhos

Imagem de M & I Garmash


Alegra-se a paisagem em beleza,
vendo sonhos a elevarem-se em oração
parecendo que a própria natureza
tem como nós, um coração.

As tardes são de límpida tranquilidade
há doçura e paz na solidão
recordações plenas de saudade
transformadas em sonho e ilusão.

Bailam as folhas, bailam lentamente
voando para longe a renascerem,
levadas pela força da aragem…

O céu transporta-nos ao poente,
chegando o pôr-do-sol ao anoitecer
e as sombras adormecem na paisagem…

domingo, junho 18, 2006

O amor é o amor ...

O amor é o amor- e depois?
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar,
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos- somos um? somos dois?-
espírito e calor!
O amor é o amor- e depois?

(Alexandre O'Neill in Poesias completas)



Imagem de Andreev Alexay

quinta-feira, junho 15, 2006

Um Olhar sobre ...

Porque um Blog não é só para momentos de distracção e cada vez mais o uso diário e habitual do pc na nossa vida, é uma realidade, trazendo por vezes efeitos secundários, trago aqui o Olho Seco "Espaço onde se pretende esclarecer dúvidas e dar algumas sugestões aos que sofrem desta afecção da superfície ocular tão comum nos nossos dias..."


Imagem Ognid - Catedral II




Não podemos esquecer que a pele se enruga,
o cabelo embranquece,
os dias se convertem em anos...
mas o que é importante
não muda.

A nossa convicção e força interior
não têm idade.

Atrás de cada linha de chegada,
há uma de partida.

Atrás de cada conquista,
há um novo desafio.

Enquanto estivermos vivos,
façamos por estar vivos.

Se sentimos saudades do que faziamos,
porque não voltar a fazer?

Não se deve viver de fotografias amareladas.

Quando todos esperam pela nossa desistência,
continuamos.

Não vamos deixar que enferruje
o ferro que existe em nós.

Quando não conseguirmos correr atrás dos anos,
marchamos.

Quando não conseguirmos marchar,
caminhamos.

Quando não conseguirmos caminhar,
usamos uma bengala.

Mas não nos detenhamos.
Nunca!

(Teresa de Calcutá)

Dedicado a uma pessoa especial e a todos os que não desistem de lutar

terça-feira, junho 13, 2006

Perto de nós...


Existem momentos
que parecem um dia sem noite
ou noite sem dia.
São momentos serenos em que o tempo sorri
e a alma implora.

Porque, nesses momentos,
nascem dentro de nós
gestos carinhosos,
o calor de uma atenção,
uma pequena afirmação
"estou aqui"à alma que precisa de um refúgio
e (re) conhecer a mão que a afaga,
mesmo que não a possa ver.

Nessa comunhão,
por vezes silenciosa,
temos a certeza de não estarmos sós.

Porque o silêncio
não gosta de ser interrompido,
excepto pelos sons da natureza
ou ainda por aquele momento mágico
que não nos é indiferente.

Perto de nós (de ti) existe sempre alguém que nos pode dar a mão




Imagem de Gary Benfield