Um impulso fez-me dar uma guinada no volante e virar para a rua estreita, enquanto me buzinam furiosamente (mas que coisa, eu dei o pisca...tento "desculpar-me" da minha asneira).
Vorazes são os meus sentimentos.
Parecia que tudo estava na mesma mas, olho atentamente: Pequenas vivendas em banda, substituíam as casitas baixas que quase ocupavam a rua...
O velho bar de madeira, tinha sido modernizado... amplas vidraças banhadas pelo sol, enquanto as ondas tão perto, diluem-se na areia fina.
Que impulso me tinha levado ali? Olho o mar enquanto caminho devagar, pela passadeira de madeira... Tanta recordação...
Quanto tempo estive assim? Não sei dizer.
Repentinamente, sinto uma presença atrás de mim. Mesmo sem olhar, pressenti... Será possível? Estarei a sonhar? Ao fim destes anos?
Aquele olhar matreiro... Não evitei um sorriso.
-Estás na mesma - diz numa voz rouca (seria da emoção?).
- Continuas com o mesmo sorriso lindo. Não mudaste nada. Estás linda.
Abano a cabeça, em ar de discordar:
-E tu, com o mesmo charme de sempre - respondo baixinho
-Sim... as mulheres sempre me acharam charmoso- responde com aquele sorriso matreiro de sempre.
- Convencido, estás mais velho... ( ele sabia, como me deixava furiosa, quando dizia aquilo)
O teu perfume é o mesmo, sinto o cheiro. Agrada-me - diz maliciosamente.
Olho aqueles cabelos, cujo branco das têmporas, se tinham espalhado, dando-lhe uma cor de prata que ainda lhe acentuava mais o charme.
O velho bar de madeira, tinha sido modernizado... amplas vidraças banhadas pelo sol, enquanto as ondas tão perto, diluem-se na areia fina.
Que impulso me tinha levado ali? Olho o mar enquanto caminho devagar, pela passadeira de madeira... Tanta recordação...
Quanto tempo estive assim? Não sei dizer.
Repentinamente, sinto uma presença atrás de mim. Mesmo sem olhar, pressenti... Será possível? Estarei a sonhar? Ao fim destes anos?
Aquele olhar matreiro... Não evitei um sorriso.
-Estás na mesma - diz numa voz rouca (seria da emoção?).
- Continuas com o mesmo sorriso lindo. Não mudaste nada. Estás linda.
Abano a cabeça, em ar de discordar:
-E tu, com o mesmo charme de sempre - respondo baixinho
-Sim... as mulheres sempre me acharam charmoso- responde com aquele sorriso matreiro de sempre.
- Convencido, estás mais velho... ( ele sabia, como me deixava furiosa, quando dizia aquilo)
O teu perfume é o mesmo, sinto o cheiro. Agrada-me - diz maliciosamente.
Olho aqueles cabelos, cujo branco das têmporas, se tinham espalhado, dando-lhe uma cor de prata que ainda lhe acentuava mais o charme.
Sinto o sangue ferver...
Meu Deus, como amo este homem - penso - seria possível? O meu amor por ele estava intacto ao fim de tantos anos.
Mantive-me serena, com aquela serenidade que o tempo de espera, a ausência prolongada, a falta de notícias, provoca em nós...
Ao longe ouço música, que cada vez mais se aproxima.
Estamos em frente um ao outro e sinto a sua mão no meu cabelo...a pressão do seu corpo.
Até que ouço claramente uma voz feminina dizer: - "a esta hora João? Mas são duas da manhã. E uma voz masculina a responder: Mas... para tomar café Nicola..."
Até que ouço claramente uma voz feminina dizer: - "a esta hora João? Mas são duas da manhã. E uma voz masculina a responder: Mas... para tomar café Nicola..."
De um salto, levanto a cabeça e espanto dos espantos: Os olhos verdes do meu gato, estão quase encostados a mim, enquanto no rádio o locutor da RFM diz que faltam não sei quantos minuto para as seis horas da manhã.
Sacudo-o repentinamente. A mania dele cheirar o meu cabelo, enquanto durmo... O locutor continuava a falar e cheia de fúria desligo o despertador.
Tão real tinha sido o meu sonho. Ainda revia o seu olhar. Ainda sentia o meu corpo a tremer.
Bem... o melhor é não pensar. Amanhã não deixo entrar o "raio" do gato no meu quarto.
O passado não volta. Só mesmo em sonhos...
(Memórias minhas e dedicadas ao meu gato Farrusco...)
Imagem Google





