segunda-feira, março 11, 2019

Amor Canino



Adeus, meu Sting

Nunca te vou esquecer. 




Partiste 
E meu coração
Por entre lágrimas e sorrisos 
Lembra tudo que nos deste. 



Energia brincadeiras correrias. 


Partiste 
Mas fica para sempre a lembrança
Do teu entusiasmo
Lealdade
Ternura
Compreensão
Os teus sons ficam na memória 
Tua presença na imaginação. 



Partiste
Os teus passinhos pela casa
Já não se fazem ouvir. 
O som dos teus latidos 
 Não chamam a atenção. 
O teu corpo pequenino
Não se enrola nos meus pés
O calor do teu afecto
Não me enche o coração 



Partiste
As tuas pequenas asneira
Já não me fazem zangar
Os nossos passeios ficam por dar
E as escovas do teu pelo
Não mais te vão escovar. 



Partiste
Mas vais ser sempre
O meu pequenino.
O meu amor canino 
O meu Sting
A minha adoração.



Um dia, quem sabe
Nos reencontraremos. 


10-10-2002 - 09.03.2019



Até Sempre, Companheiro!


sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Caminhando...

Ao som da música que envolve meus sentidos, recordo um episódio recente num dos meus habituais passeios diários.
Não sendo costume caminhar por aquela rua movimentada demais para meu gosto, atravessada por passadeiras (sem semáforos) que, raramente, são respeitadas pelos automobilistas.
Chego a meio do passeio onde, um jovem de altas pernas, de auriculares e, um aparelho que não distingo o que seja, numa das mãos (provavelmente tlm), atravessa em quatro passadas a larga rua sem tirar o olhar do mesmo. 
Duas jovens, de mochilinhas cor-de-rosa penduradas nas costas, risinhos cúmplices, pés dentro e fora do passeio, conversam animadamente.
Atrás delas, de mãos dadas, avó e neta, como vim a constatar.
Os automobilistas vão passando, alheios à passadeira e a quem nela quer atravessar.
A jovem que não teria mais de uns oito anos, comenta admirada:
- Viste, Vó, aquele rapaz nem olhou. Atravessou a rua daquela maneira e o carro é que teve que se desviar. 
- E depois admiram-se se são atropelados - responde a senhora. Nunca faças isso...
- Eu cá não! - responde a garota.

Os carros vão passando até que repentinamente, um desacelera e pára quase em cima da passadeira, fazendo-nos sinal para avançarmos.
As jovens avançam rapidamente entre risinhos e conversa.

De mãos dadas, à minha frente, mais devagar, avó e neta iniciam a travessia, agradecendo com um sorriso à condutora. Eu fiz o mesmo.
- Viste, Vó? As raparigas nem agradeceram - reclama com vozita admirada a jovem. Mas deviam, não achas? 
- Talvez pensassem que era obrigação do condutor, sei lá. Nós agradecemos e é o que importa. É assim que deves sempre fazer.
- Isso sei eu, Vó. Mas tu não achas que… 

O meu passo mais apressado impediu ouvir o resto da conversa. Interiormente sorrio pela observação da jovem.

Penso no meu “papel” de automobilista e peã. 
No quanto é agradável ver o sorriso na cara de alguém quando se dá passagem. 


Por isso sorrio quando sou peã.
(Inicialmente escrito no FB)


Imagem Google


quarta-feira, janeiro 02, 2019

E já estamos em 2019!



ESPAÇO SIDERAL

Um dia
somos crianças,
irreverentes,
audazes, corajosas.


Um dia
descobrimos,
a real virtude do mundo,
ou a irrealidade das coisas 
que o compõem. 


E o sonho? 
Onde fica o sonho
de tudo o que esperamos? 


E a dor
de tudo o que perdemos?
Do que sentimos?


Importa?
Sorrimos para a dor.
Quem a vê?
Quem a sente no nosso íntimo?


Inolvidável a cicatriz aumenta. 
Uma a uma. 
Invisível. 


A vida continua. 
No espaço sideral
nada se perde.
Tudo se recria e permanece. 


Ontem que já é hoje. 
A infância lá longe 
curva-se ao instante que 
antecede o amanhã. 


Somos o tempo. 
A roda gira 
e, nela,
todos nós. 



Que 2019 seja repleto de felicidade! 

segunda-feira, dezembro 24, 2018

Falavam-me de Amor

Presépio pessoal


Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas, 
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.


Natália Correia
 in, "O Dilúvio e a Pomba"


segunda-feira, julho 30, 2018

Quando o Verão nos passa pela cara...

Finalmente... segundo os entendidos... ele está a chegar: o Verão. 
O Verão de sol resplandecente e calor abrasador a apetecer mergulhar na água fresca...
Ele está a chegar... O Verão!🌞
Bom dia! 
 🌻

Pintura de Carolina Landea

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa 
E espreita para o calor dos campos com a cara toda, 
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa 
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber 
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber? 
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão nos passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...


Alberto Caeiro, "O Guardador de Rebanhos”,
 in Obras Completas, Vol. I, a págs. 195


Em dia do meu aniversário flores para vós que me acompanham ao longo dos anos.
Obrigada!