terça-feira, novembro 16, 2010

Marginal...

"…Desenganem-se, no entanto, os que estão à espera de um livro de cantigas. Claro que elas, as cantigas (ou os seus poemas), também aqui se encontram, parte integrante e superiormente digna do percurso do seu autor. Mas essencialmente este é um livro - um belo livro - de poesia.

Não vale a pena buscar-lhe as referências, que esta é uma poesia que se estende pela rota das lutas, dos afectos, das ideias, tornando-se universal sem nunca perder o sabor a mar…”
lê-se na contracapa de “Marginal (poemas breves e cantigas)" em excerto do Prefácio de Viriato Teles que me comove quando a dada altura diz: "… Este livro mistura textos escritos em épocas diferentes o que acentua, em vez de sacrificar, a unidade do conjunto: a poesia, quando é verdadeira, sobrevive a todas as épocas. Uma referência ainda para esta edição: ao que sei, ela deve-se também, em boa parte, à persistência do João Balseiro e do Geraldo Alves. Os amigos, uma vez mais, e sempre. Vidas e cantigas e poemas, como deve ser. Bem hajam por serem teimosos e não desistirem, mesmo quando os ventos não estão de feição – e lá estou eu outra vez a marejar a linguagem. O Vieira da Silva merecia este livro há muitos anos. Fazê-lo, agora, é apenas uma questão de justiça elementar. E já não é pouco. Agora, só podemos ficar à espera de mais. …"


Imagem de Claudio Capobianchi


canção de mágoa

tantos sonhos esquecidos
perdidos no pó da estrada
tantos dias tantas noites
à espera da madrugada

o que foi feito de nós
companheiros de viagem
que é da nossa liberdade
feita de fé e coragem

vai-se o tempo e nós aqui
adormecidos no cais
entretidos com o medo
de já ser tarde demais

teimosamente morrendo
por detrás desta janela
a fingir que somos livres
com um cravo na lapela.

de,
Vieira da Silva
in, Marginal (poemas breves e cantigas), pág.87
ed. MC – Mundo da Canção, 2ª. Edição, Junho 2010



Imagem da capa do livro

e uma excelente lembrança para o Natal que vem aí...

13 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema que retrata a mágoa de uma maneira sublime.

muito boa escolha!

um beij

BRANCAMAR disse...

Olá Otília,

Belíssimo poema que nos deixas. Gostei imenso de conhecer Vieira da Silva, visitei o seu site e encantei-me também com o poema terno que lá vi.
Obrigada pela partilha
Beijos

Virgínia do Carmo disse...

Uma óptima sugestão, sem dúvida!

Gostei muito deste poema, em jeito de desencanto - e não será o desencanto um direito que nos assiste?

Beijinho, Otília

vieira da silva disse...

Obrigado Otília. Bjs.

Paula Albuquerque Mendonça disse...

As tuas referências são sp ótimas
vai pra minha lista.
Beijinho querida Menina
Paula

Graça Pires disse...

Uma boa sugestão. Obrigada, minha amiga.

Anónimo disse...

Olá Menina....
Com uma certa (mágoa)esperava que esta paragem termina-se(já passaram 30 dias da ultima edição) e eis que surge com um poema com uma manifestação de falta de esperança, mas belo.


Tretas

Mar Arável disse...

Desencantados

resistem os cravos

Bj

Luis Eme disse...

uma boa sugestão, poética, com música.

beijinho MM

Anónimo disse...

Já o ouvi cantar e tenho a 1ª. versão do livro dele autografado!!
Pedro Costa

Carlos D disse...

pelo poema adivinhas-se paginas repletas de palavras que nos fazem sentir que a poesia sentimento,

bjs eum sorriso

heretico disse...

poema do desencanto dos dias. que passam...

gostei

beijos

Jaime A. disse...

É bonito quando a rima não prende liberta, como neste belo poema.