quinta-feira, março 18, 2010

Convite...

Voando por Aí… é um blogue que muitos de nós, que andamos aqui há anos, nos habituámos a conhecer, respeitar e admirar, pela partilha que nos oferecia.

Habituámo-nos a reconhecer nas palavras da sua autora, a sensibilidade da alegria, da perda, do sofrimento, da dor, da partilha de uma infinidade de sentimentos, que ora voavam para fora dela, ora para o seu próprio interior.

Na arte da escrita Teresa Durães é sem dúvida uma das pessoas que menos me surpreendeu quando, finalmente, anunciou a publicação do seu romance Navia.

Há muito que me intuía que as suas palavras não poderiam ficar condicionadas somente ao seu blogue e comentadores que a admiravam.

É com grande prazer que vos convido a estarem presentes endereçando a todos este…






"Navia, nasce no ano 410 D.C, época em que a Lusitânia encontra-se instável devido às invasões dos Suevos, Alanos e Vândalos. O Cristianismo começa a espalhar-se mas tanto a nova religião como a antiga ainda vivem lado a lado. Ela vive num Castro na montanha. Ana, nascida neste século, não consegue adaptar-se ao estilo de vida que a sociedade impõe."



Dia 20 contamos consigo!

quinta-feira, março 11, 2010

Palavras diáfanas...

Pintura de Persida Silva

Sorvo o mel 
das palavras diáfanas
que entram, 
como estrelas cadentes, 
no mar.

Palpitantes de vida,
em arco-íris de mil cores
no pensamento
voam
como gaivotas
no firmamento.

sexta-feira, março 05, 2010

Um livro que dava uma verdadeira Novela...

Entre a ficção e a realidade, entre o sonho e a realização desse sonho, vai um espaço que gosto de percorrer, descobrindo a sensibilidade de cada autor e o que as suas palavras provocam no meu sentir.

Ler “Por Tentativa e Erro” da Teresa Cunha, foi uma verdadeira aventura.
É essa aventura que em breves trechos vos convido a ouvir
aqui no Sons da Escrita onde o José-António Moreira “empresta” o fascínio da sua voz na leitura ousada de excertos de um livro surpreendente.

Esta licenciada na Universidade de McGrill em Ciências Políticas numa forma sui generis traça o percurso semi-biográfico da sua carreira profissional no Alto Comissariado das Nações Unidas, relatando as muitas atribuladas situações porque passou no desempenho da sua missão.

De uma forma despretensiosa, diria quase com certa humildade, dá-nos o relato real de uma luta diária, entre culturas completamente diferentes da sua, num humor que só um grande escritor poderia equacionar.

“Por Tentativa e Erro” é o relato, em 246 páginas, da vivência de uma Portuguesa que em vários Países acompanhou as mais recentes guerras sobretudo em África e nos Balcãs e que termina assim:



Imagem: Teresa Cunha


“…Depois de me ter revisto perante o tempo que já gastei devolvo-me à minha memória de mim mais inteira e quase certa, de que tudo o que sou e sei, me veio por tentativa e erro, ... e no que diz respeito a métodos de aprendizagem ainda agora não me ocorreria outro melhor.
Já dizia o Poeta que para contar a sua vida bastaria dizer que entre o primeiro e o último, todos os dias foram seus.. Ao retomar posse dos meus dias eu leio na prosa dos anos e nas entrelinhas da experiência revisitada, a letra simples dum fado que eu decerto mereci e cujo refrão insiste em levar-me precisamente de volta ao meu ponto de partida.
Talvez eu nunca venha a ser mais feliz do que já fui e nem sequer tenha mudado muito desde o dia em que trouxe aquilo com que nasci para a vida que se quis minha ... mas curiosamente é aí que eu encontro o meu maior conforto ...
.. e descubro até um enorme alívio cómico .... . ou quem sabe, kármico,

.. nessa ironia.

(excerto in, “Por Tentativa e Erro” de Teresa Cunha)