quarta-feira, maio 27, 2009

Sons da Escrita...

Aqui onde tudo começou

De asas abertas na imensidade,
pássaro faminto de liberdade,
voa, voa…
és viajante, cruza o espaço
que o teu voo não tem cansaço
voa… voa…

Sentido sonho o que sonhaste
sobre os campos, águas e flores,
fala de sentires e amores
e, voa como os falcões
contornando os furacões.

Pássaro que sentes a tempestade
quando ela ao longe vem,
voa nessa claridade
do puro azul que nos faz bem!

É com este poema que José-António Moreira dá início ao Sons da Escrita 226, onde por entre as vozes de Caetano Veloso e Marianne Faithfull são lidas mais poesias, destacando a maravilhosa canção de Emi Fujita “True Colors” que, sinceramente, me encanta. (Em tempo: já on line o 227)
Confesso que foi com emoção que ouvi e li um programa onde me sinto uma gota no oceano, entre os grandes nomes que lá são igualmente partilhados.

A
José-António Moreira pelo privilégio que concedeu à minha poesia o meu sincero

Obrigada!

sábado, maio 23, 2009

Em Maio de 2005...

Convidava aqui e aqui para um passeio através das minhas palavras...
Decorridos estes anos, apesar do cansaço da Vida que me força, por vezes, a algumas ausências, o convite mantém-se porque é para vós, os que aqui permanecem fiéis, os que passam mas voltam, os ausentes mas sempre lembrados, que esta página é feita.

Muitas memórias, muito da minha alma… foram aqui partilhadas. É convosco que muitas vezes rio, outras choro, outras me deslumbro, mas sempre com a convicção de que partilhando sensibilidades e afectos é o caminho que devo prosseguir.

A todos os que me têm acompanhado neste e noutros espaços o meu carinhoso


Obrigada

Imagem Google


Todas as pessoas são pássaros livres
o segredo é não se deixar prender
voar rasteiro por sobre as estrelas
é a melhor forma de se viver.

Cantar para aquele que quer ouvir
contar para aquele que quer saber
a sensação de estar liberto
a melhor forma de ter prazer.

E quando encontra a pessoa amada
não sabe o que há-de dizer
rir, chorar e descobrir a custo
a melhor forma de se querer.

E se a tristeza lhe bate á porta
muito há a fazer,
limpe as lágrimas, abra o seu coração
e deixe o amor vencer...

terça-feira, maio 19, 2009

Adivinhem quem faz anos hoje!

“Há pessoas que entram por acaso nas nossas vidas...
mas não é por acaso que elas têm o privilégio de permanecer.”


Quem disse estas palavras foi, salvo erro, William Shakespeare mas adaptam-se perfeitamente a este Senhor… que completa hoje mais um aniversário e que tem sido ao longo destes anos um Amigo que nunca esquecerei.
Acreditem que não tem sido fácil… é um teimoso de primeira apanha, mas uma das pessoas mais altruísta que conheci nos últimos tempo…e a ele se deve que muitos poetas da blogosfera tenham tirado os seus poemas da gaveta e tenham chegado, aos poucos, às estrelas…

E como ele muitas vezes me diz… “Eh pá”… hoje é o teu aniversário.

Que seja por muitos e felizes anos que continues, atempadamente, a actualizar
este local!




Parabéns Luís Gaspar!

sexta-feira, maio 15, 2009

Partilhando sensibilidades...

Foto pessoal

Confesso que a minha vida foi sempre a ler e a escrever: a lápis, caneta, máquina de escrever, em cadernos, blocos, agendas, diários, cartas, postais e, mais tarde, em computadores…a ler processos, a escrever informações, a ler memorandos, fichas, a dar boas e más notícias… e entre tudo isto, escrever poesia, histórias e memórias, fracas ou boas, alegres ou tristonhas, mas sempre o que o meu coração ditava.

Este pensamento ocorreu-me enquanto sentada na grande rocha por detrás da capela, construída em cima do mar, olhava as ondas que tinha na frente.

Nos últimos anos, a reviravolta que a minha vida deu afastou-me da maioria das coisas que gostava de fazer: dos amigos e colegas que partilhavam comigo a maior parte dos dias; da actividade profissional de que gostava, dos contactos que tinha, dos hobbies que eram a minha vida… mas como digo muitas vezes, a Família está primeiro e por ela tudo se pode mudar, mesmo que isso nos altere, por completo, o futuro que sonhávamos pela frente, quer a nível profissional, quer a nível pessoal.

Falar de doenças, especialmente num local como é a blogosfera, não é fácil e, ainda por cima, se essa pessoa nos está directamente ligada.

A Esclerose Múltipla (EM), é uma doença que só muito recentemente começou a ser amplamente divulgada e, quando há dez anos atrás, tomei conhecimento da sua existência, descobri que ela não era sinal de envelhecimento, mas sim algo que iria mudar por completo a minha vida já que, a pessoa que dela padecia, me estava intimamente ligada.

Ter acesso àquilo que ela representava, para o doente e familiares, com tudo aquilo que poderia causar, não foi tarefa fácil na altura, porque as informações eram escassas e, falar dela, quase tabu para muita gente.

Até à descoberta da doença, muitas hipóteses foram aventuradas, muita caminhada de consultório em consultório foi feita, porque a nenhum profissional, perante os sintomas, lhe ocorreu mandar fazer o exame que detectava concretamente a doença: a ressonância magnética!

Tão simples como isso!

Tinha-se poupado muito tempo, muito sofrimento e talvez a hipótese de, a doença não ter afectado órgãos vitais como afectou, se as várias componentes médicas consultadas tivessem interligações entre si.

Bastava, sei hoje, que dois anos antes, num primeiro sintoma que ocorreu oftalmologicamente, o médico dessa especialidade, o mandasse para um neurologista, perante os sintomas apresentados, em vez de o mandar para casa com uma receita de óculos de… descanso.

Estas palavras e pensamentos vêm a propósito de um telefonema, recebido de pessoa amiga que encontrei, casualmente, no local que é também o meu “refúgio”, há cerca de dois meses atrás que, em desespero de causa, tinha ido solicitar intervenção Divina, na Capela existente naquele local.

Sentadas à mesa do café da praia, contou-me as correrias para o hospital, para os médicos e os sintomas que tinha, que cada vez mais se agravavam; como num filme, revi, cena a cena, tudo o que tinha anteriormente passado com o JP e aconselhei-a a insistir, com algum dos médicos dela, que lhe fizessem a tal ressonância magnética, única detectora desta malfadada doença.

O telefonema resumia-se a agradecer-me o ter partilhado com ela as informações de que dispunha e o conselho que lhe tinha dado, porque tinha sido correcto: o exame tinha detectado que ela sofria de EM, que iria dar início ao tratamento hospitalar e tinha esperança de voltar a ter uma vida o mais normal possível… chorou por, segundo as suas palavras, o desespero destes últimos meses, de não saber o que tinha, ter finalmente desaparecido.

Quando desligámos, um pensamento ocorreu-me: quantas pessoas não estarão nesta circunstância por não partilharmos, nós leigos, as informações que vamos assimilando e que em casos análogos poderão servir para algo útil?

A doença, própria ou de algum familiar, não tem que ser um estigma que deve ser escondida de todos.

Partilhar conhecimentos, dados e experiências, faz parte também, de um civismo humanista, que deveremos ter em conta.

Por isso, se tiver problemas de visão, falta de forças, dores nos membros superiores ou inferiores e, sem causa aparente, cair muitas vezes, lembre-se de pedir ao seu médico para lhe mandar fazer um exame de despistagem, através de uma ressonância magnética, porque este exame lhe poderá trazer muita informação útil.

Porque a Vida é um bem precioso, deixo-vos com estas palavras… porque, afinal, é a ferramenta de que disponho para tentar ajudar alguém em iguais circunstâncias…

Obrigada por me lerem…

segunda-feira, maio 11, 2009

Dever Cívico... DENUNCIAR!

Muitos de nós já vimos ou conhecemos quem tenha sido alvo de plágio.

Quantas vezes, tentámos que, os plagiadores, repusessem a verdade da autoria dos textos e eles, simplesmente, ignoraram ou até em alguns casos, preferiram apagar os blogues ou os temas, a dar o braço a torcer.

Pessoalmente já fui vítima disso e denunciei directamente aos plagiadores e exigi que a situação fosse reposta.

Ainda recentemente tive conhecimento de um blogue que lá tinha poesia minha, sem se ter dado ao incómodo de lá colocar a autoria.

Alertada para a situação, a dona do blogue limitou-se a apagar os poemas, sem qualquer referência ao facto.





Mas o caso que vi acontecer ao Estúdio Raposa ultrapassa tudo o que se possa imaginar já que empresas, que se pretendem ser de respeito e idoneidade, permitiram que o roubo (porque assim se deverá chamar) pudesse servir os seus intentos comerciais.

Quando um qualquer site chinês rouba a programação do trabalho de
Luís Gaspar que, altruistamente, oferece em prol da cultura, um trabalho imenso visando ajudar, inclusive, a divulgação de novos poetas, e esse site, abusivamente, consegue que a Vodafone, a TMN e a Optimus o ponham no mercado, retirando lucros consideráveis (4 euros por semana pelos toques disponibilizados) sem qualquer comunicação ou pedido de autorização ao autor das programações!

Fomos todos, Bloguistas, que viram os seus trabalhos
lidos e publicitados ao longo de anos, também vitimas desta, posso considerar, enorme burla!

Solidária com o
Estúdio Raposa e com a indignação de Luís Gaspar, aqui manifesto o meu repúdio por tamanho abuso e ultraje, pedindo a todos aqueles que, como eu, viram os seus trabalhos publicitados através do Lugar aos Outros do Estúdio Raposa, manifestem nos seus Blogues o repúdio por esta situação, denunciando o crime cometido.


"Um por todos, TODOS por UM"

sábado, maio 02, 2009

Maio...Sejam as mulheres como as rosas.

Pintura de Raphael Kirchner

Sejam as mulheres como as rosas
ou como as aguarelas,
quando estão connosco, quando não,
quando vibram, quando alegram,
quando doem, quando vêm e quando vão,
quando sobem as ladeiras,
quando descem passarelas.

Tragam com elas os incorruptíveis
sinais da beleza, ainda que se saiba
impossível sua erupção
fora da alma feminina, do corpo da mulher,
esse vulcão que trabalha nosso desatino,
faz a nossa inelutável rendição.

Ainda que se pense em mar, em céu,
no incrível arco multicor, no ar
que impregna a flora e balança
os frutos verdes após a chuva.

E até no rodopio do ciclone,
que louva Deus bailando
sua aterradora e tresloucada dança,
nas noites austrais, nas auroras boreais,
numa explosão de luzes no setentrião.

Nada disso ou tudo isso sequer
supera uma lembrança de mulher.

Fora de seu riso e de seu colo,
não há razão de ser, nem como florescer
a magia, a poesia, o êxtase, a canção.

Chame-se então deslumbramento
a essa compulsória devoção.
E nesse diapasão lírico,
celebro as que se foram,
cuja ausência confrange o coração,
as que esperam e acenam da janela, aquelas
que virão mitigar a dor de existir,
reinventar a fúria sagrada do amor.

As que passam majestáticas
e a gente acompanha com o olhar refém.
Aquelas que apesar de entusiasmo e de desvelo
só nos dão o seu desdém.

As que não são vilãs, nem heroínas,
nem escravas, nem rainhas, nem fundamentais;
algo mais que a sina feminina
ou a maioridade que a elas se negou.
Não se diga “é bela esta mulher”
porém bonita sua própria condição.

Surpreendam sempre como o plenilúnio,
o arco-íris, o solstício de verão,
Não falte nesse comovido poema
uma voz aveludada, uma mecha de cabelo,
os opulentos seios das hollywoodianas,
as pernas de garça das nordestinas,
a imensa tristeza das chinesas de pés pequenos.

Dê-se às mulheres o leme do mundo, deixem-nas
recuperar o sentido perdido da ternura,
apontar um outro rumo, à margem
da brutalidade, da carnificina masculina,
uma trégua para repensar se vale a pena
parir e amamentar mísseis e canhões.

Dê-se a elas o sonho do homem e grande
e do menino; dê-se às mulheres-mães o direito
de intervir no conselho de guerra das nações,
o direito de escolha além da irracionalidade viril
e da imbecil mutilação dos homens tolos.

Que além de toda dor e corrupção
cinja-se o corpo da mulher
ao corpo do poema, e de ambos
não se aparte a beleza suprema.

Vão é vosso esmero, estilistas da confecção!
Esse corpo de mulher, divino e magistral,
só precisa de raio solar, folha de parreira.

Mas dê-se a elas bons frascos de perfume,
batons variegados, provocantes lingeries,
vestidos de organdi.
Dê-se a elas inclusive a ilusão
de que precisam de séquito, vestais,
de algo mais que a generosidade
de suas curvas, que a seda de suas peles.

Deixem-nas pensar que podem superar
a grandeza de sua própria criação.

Sejam bem amadas as amantes,
orquestrados com cuidado seus suspiros
inebriados, os frágeis cristais e os apelos
de sua carne insaciada.

Sejam os rompantes das mal amadas
amparados com carícias em dosséis
e o fogo que elas trazem represado
arda nos flancos, ao galope dos corcéis.

Sejam como as rosas abertas,
cintilantes, despudoradas, acesas
ou como aquelas fechadas,
grávidas de promessas e belezas.

Sejam gráceis, redentoras.
Sejam salvação.

(Redentoras, poema de Erorci Santana
in “Maravilta e Outros Cantares”)