terça-feira, janeiro 30, 2007

Poder das Luas...


Pintura de Roman Frances


Os teus poemas pulsam-me nas
veias...
Os teus poemas enchem-me os
sentidos...

Amanheci sonhando odores vagos,
anoiteci vazia, já sem vida...
Brotei dessas reservas, incontida,
com bálsamos no corpo e vagas
feridas
das lutas que travei para não correr
atrás da vida que levas contigo...

Nas tuas mãos de pétalas brisadas
teu coração, espelho dos meus dias
cinzentos, inconfessos, malparados,
de humanidade mal realizada,
correndo atrás de feitos incompletos
que se espalmam em lágrimas
frustradas...

A poesia é tua, não é minha,
porque os meus versos, esses, são
palavras...


Rosa Teixeira Bastos in Poder das Luas (Pág. 29)


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sexta-feira, janeiro 26, 2007

quando choro


Imagem Google


quando choro
todos os rios do mundo chovem no meu rosto
todos os amores represados desaguam no meu corpo

todos os amanheceres me anoitecem no olhar

por isso
aqui fico
navio soterrado na margem

assim
de braços calados

sem lágrimas


Jorge Casimiro in murmúrios ventos (Pág.29)


Capa do livro


O autor não tem blogue, mas isso não o impede de navegar na blogosfera…

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Lili...

É sabido por aqueles que me seguem mais atentamente, o meu amor por animais, nomeadamente gatos.
Foi essa dedicação que me levou a querer saber, o porquê de estar uma imagem de um gato, no
Dispersamente.
E fui descobrir uma autêntica “blogogataria", pela qual me apaixonei de imediato!
E a minha ternura pela
aavozaida foi instantânea e recíproca, tendo tido a honra de merecer o envio de um “Pedaços de Mim”, traduzido num belo livro de poemas… Deixo-vos aqui a sua…


Lili


Há dois anos recebi
Pelos anos um presente
Que, por gatos adorar,
Eu fiquei muito contente.

A minha filha ofereceu-me
Enroscada num cestinho
Gatinha toda laroca
E de olho azulinho.

Com a ajuda dos meus netos
Um nome logo escolhi
Não podia ser melhor
E logo ficou Lili.

A Lili para onde eu vou
Lá vai ela atrás de mim
Dá-me beijos e turrinhas
E dentadinhas…enfim!

E com tanta simpatia
O dono até conquistou!
Menina pôs-se a chamar-lhe
Por “nossa menina” ficou.

E a nossa gata Lili
Com seu arzinho adorado
Foi mesmo o melhor presente
Que me podiam ter dado.


Poema de Zaida Paiva Nunes in "Pedaços de Mim" (Pag.22)

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quinta-feira, janeiro 18, 2007

Sentes a poesia como eu?


Imagem de Stan Trampe



Sentes
Como te percorro num poema?
Como sílaba a sílaba
Te toco e te quero
Te mordo e desejo
E amando o poema
Te amo e me prendo a ti?
Sentes
Como as palavras se tornam dedos
Mãos, pernas?
E são como carícias que crescem
E tocam a pele
E a preenchem, a enchem
E sobem no corpo, são corpo
Carne e desejo que pulsa em mim?
Sentes
Como os versos se enrolam e se tocam?
Como se entrelaçam e enroscam
E te envolvem e te tocam
E se amam e te amam
E têm cheiros, e são sons
E ganham vida e se soltam
E na boca sabem a mim e a ti?
Sentes
Como é escrever as palavras?
Como é senti-las no corpo
Arrancá-las do corpo
Para tas entregar, para que as sintas
Para que o poema seja teu
E sejamos o poema
E eu seja a palavra
E tu sejas a poesia…
Sentes como te percorro num poema?


Poema in Encandescente (Pág.33/34)


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domingo, janeiro 14, 2007

Lua de Lobos


Imagem de autor desconhecido


Entre a vastidão
do tempo e do espaço,
envolta em neblina,
seria a solidão
mistério completo,
não fora algo
a mover-se
suave e tímido
entre moitas agrestes
e neve branda.
Um lobo magnífico
esfuma-se no horizonte longo.
Persistindo na memória,
guardei no silêncio profundo,
o uivo dolente,
esbatido na madrugada.

Poema de Maria de São Pedro in Lua de Lobos (Pág.62)



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quarta-feira, janeiro 10, 2007

Inquietudes...


Pintura de Irene Sheri


Minha alma… um mar em bulício na noite
Que passa de mansinho, namoradeira.
Um querer não ter céu onde pernoite
E do engenho uma mão com rasgos de fiadeira

Pra pintar em cadernos a voz intensa
Dum rouxinol que canta das minhas veias,
Na firmeza e na dor da sombra densa,
Todo o sentir do mundo, emoções das ideias…

Mas nada tenho, nada posso ou sou;
Do chão um jardim de flores
Se levantou.

Poema de Alves Bento Belisário in "Inquietudes" (Pág.36)



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sábado, janeiro 06, 2007

Partilhar...

Partilhar para mim, não é só a dádiva de receber. É também oferecer aos outros, aquilo que me oferecem a mim.
Assim sendo, e porque é justo fazê-lo, vou prestar o meu agradecimento público a todos aqueles que tiveram a gentileza de, ao longo de dois anos, enviarem-me as suas publicações. A escolha é puramente aleatória. Depois de já os ter lido, empilhei-os em cima da secretária e vou-os referindo.


Imagem de J. H. Newman


Ensina-me


Ensina-me como aprenderei a contar
As areias da praia
Sem as espalhar
Como juntar as nuvens
Sem as esfarrapar
Como nadar no rio sem me molhar

Ensina-me a amar sem sofrer
A ter sem saber
A compartilhar e receber
A dar e perder

Ensina-me a voar
A ter asas e as merecer
A usar as palavras
Sem as estragar
E sobretudo
Ensina-me a ficar

Aqui a olhar
O vaivém das ondas do mar…


Poema de Piedade Araújo Sol in Ecos (Pág 43)


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quinta-feira, janeiro 04, 2007

Sentimentos...

Já aqui referi por diversas vezes a minha admiração pela espantosa forma de partilha que existe na blogosfera. E a prova disso está patente e ao vivo na forma como Luís Gaspar gere o seu audioblog, essencialmente com as palavras dos outros, entregando-se de uma forma absoluta a um projecto que honra e dinamiza este mundo virtual.

O meu agradecimento pelas palavras que me dedicou no seu último
Lugar aos Outros 34 onde leu poesia de Luís Pinto (sem blogue), de Lena Maltez e de Delfim Peixoto.

Vale a pena ouvir!

Mas, este mundo trás também consigo empatias e amizades, que se cultivam por vezes, a milhares de quilómetros de distância, produzindo em nós sentimentos puros, de carinho e afeição, por aqueles que quase diariamente, partilham connosco, este mundo virtual ao longo de anos.

Nesta primeira postagem do ano, quero aqui mencionar carinhosamente alguém de quem não tenho notícias há muito tempo e que sei, esteve em risco de vida, em virtude de doença. A sua ausência entristece-me e quero deixar aqui, como forma de agradecimento pela sua Amizade, um poema de sua autoria…


Imagem de Ray Tracing Competition


Viver ...

Viver é inventar o seu dia.
É desconhecer a arrogância.
Exalar pura energia!
Fazer poemas de amor.
Devolver sorrisos.
Acreditar que o bem vence o mal, sempre.
Enfeitar o coração com cores!
Conquistar amigos; e ser sempre leal e fiel.
Transformar dor em alegria.
Ser amor de coração.
Inspirar justiça.
Viver é correr atrás dos sonhos, da inspiração, dos projectos.
Buscar o entendimento das coisas.
Ser sempre da paz.
Orar em agradecimento das dádivas recebidas.
Buscar o que te faz bem e aos outros também.
Beijar na boca.
Amar!
Pintar o mundo com as cores que te der na telha.
Estar sempre jovem.
Viver é ser sempre verdadeiro.
É constantemente redescobrir as coisas belas da vida, lembrando que o sorriso é o idioma universal.
Ouvir músicas que acalmem a alma.
Desacelerar e aproveitar o tempo, cada pequeno momento de prazer.
Lembre-se: O final não existe.
Tudo é um eterno recomeço.

Viver é simplesmente ver a vida com o coração.


(Poema de Spiritus Lupus)



Porque as ausências doem...