terça-feira, maio 30, 2006

Espero-te...

Imagem Andreev Alexey
Espero-te em mim,
em tardes doces
sedentas de magia.
Espero-te em mim, 
por entre a água tépida
de um chuveiro refrescante
por cima de nossos corpos suados.
Espero-te em mim, 
naquele riso que
só a alegria do amor
consegue transmitir.
Espero-te em mim,
na saudade fremente
de teus beijos quentes,
no alívio da tensão,
na imensidão
da saudade
dentro do meu coração.

Espero-te em mim...

(memórias de mim...)

segunda-feira, maio 29, 2006

Tenho que partilhar este momento...

... e o meu sorriso, por a Isabel ter escolhido, entre tantos, o meu singelo comentário, para figurar no título da sua imagem...


Imagem da Isabel Filipe


... no rasgar de energias...

compensa o teu corpo e dilui-te no amanhã...

porque corpo são,

mente sã...

domingo, maio 28, 2006

O desejo de um bombeiro...

O calor apertou. Com ele vão começar os incêndios… Neste Dia Nacional do Bombeiro, quero recordar aqueles que, todos os anos, lutam por nós e pelos nossos haveres.
É com as palavras de um Bombeiro, que alerto aqueles que, podendo por vezes alertar a tragédia, não o fazem.

Prevenindo, limpando… matas, pinheirais, os nossos terrenos, alertando o mais pequeno movimento suspeito, estamos a defender um bem comum. A nossa Terra. A nossa Vida.
Muita gente se uniu para a maior Bandeira Portuguesa. Vamo-nos unir para, com o nosso esforço, salvar aquilo que de melhor temos. As nossas florestas. A Vida de todos nós!



Imagem de O. Calvin


Desejava que pudesses...



Desejava que pudesses ver
A tristeza de um homem de negócios quando o trabalho da sua vida desaparece em chamas
Ou uma família que regressa a casa e apenas encontrar a sua casa e os seus pertences danificados ou destruídos

Desejava que pudesses saber
O que é procurar num quarto a arder por crianças presas
As chamas por cima da tua cabeça, as palmas das mãos e os joelhos a queimaram enquanto tu rastejas
O chão a ranger com o teu peso, enquanto a cozinha arde por baixo de ti.

Desejava que pudesses compreender
O horror de uma esposa quando às 3 da manhã verifica que o marido não tem pulso
Inicio o CPR na mesma, esperando uma hipótese muito remota de trazê-lo de volta
Sabendo instintivamente que era tarde demais
Mas querendo que a família soubesse que tudo o que era possível foi feito.

Desejava que pudesses saber
O cheiro único de uma queimadura, o gosto da saliva com sabor a fuligem
Sentir o intenso calor que passa através do equipamento, o som dos estalos das chamas
A sensação de não conseguir ver absolutamente nada através do fumo denso
Sensações que se tornaram muito familiares para mim

Desejava que pudesses compreender
Como nos sentimos ao ir para o trabalho de manhã após passarmos a maior parte da noite suando com o calor de diversas chamadas de fogo

Desejava que pudesses ler
O meu pensamento quando respondo a uma chamada para um edifício a arder,
“será falso alarme ou um enorme incêndio? Como será a construção do edifício? Que perigos esperam por mim? Estará alguém lá dentro ou saíram todos?”
“Ou para uma chamada de socorro,” o que se passará com o doente? Será que a pessoa que telefonou está mesmo em apuros ou estará à minha espera com uma arma?”.

Desejava que pudesses estar
Na sala de reanimação quando o médico decide anunciar a morte da linda menina de cinco anos que tenho tentado salvar durante os 25 minutos anteriores, e que nunca irá ter o seu primeiro namorado, nem nunca mais irá dizer “gosto muito de ti, mãe”

(texto de Reinaldo Baptista)
(Este é um excerto do texto que pode ser lido na totalidade Aqui)



Dia Nacional do Bombeiro

Defende-o!

sexta-feira, maio 26, 2006

Acaso...


desconheço o autor da imagem


Cada um que passa na nossa vida,
Passa sozinho...
Porque cada pessoa é única para nós,
E nenhuma substitui a outra...

Cada um que passa na nossa vida,
Passa sozinho,
Mas não vai só...
Cada um que passa na nossa vida,
Leva um pouco de nós mesmo,
E deixa-nos um pouco de si mesmo...

Há os que levam muito,
Mas há os que não levam nada...
Há os que deixam muito,
Mas há os que não deixam nada...

Esta é a mais bela realidade da vida.

A prova tremenda
da importância de cada um,
É que ninguém se aproxima
do outro por acaso...

(Antoine de Saint Exupéry)

terça-feira, maio 23, 2006

sexta-feira, maio 19, 2006

Olha-me...


Imagem de Isabel Filipe daqui


Olha-me bem, amor, olha-me assim,
com a ternura desse olhar profundo,
como clarão astral dum novo mundo
em que meu olhar se perdeu em ti.

Algas verdes dum mar que não tem fundo,
esse olhar são as flores do jardim
do meu amor, do grande amor fecundo,
que encontras a chorar dentro de mim.

Não sentes tu a magia de um beijo meu
quando docemente fito os olhos teus
que o amor é grande como um oceano?

E quando morre o sol e a noite vem
escuto o silêncio e a voz do tempo
e a dor que a minha alma tem.


(memóras de mim...)

quarta-feira, maio 17, 2006

Entre os teus lábios ...


Imagem de autor desconhecido


Da chama em doçura
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

(Poema de Eugénio de Andrade)

segunda-feira, maio 15, 2006

Perda Geracional *

Se António Gedeão escrevesse hoje a Pedra Filosofal acredito que o faria tal como o fez Manuel do Montado, desta forma soberba…


Autor desconhecidos

Eles sabem que o sonho
é uma constante da vida
duma esperança perdida
de um Abril qualquer
como esta terra cinzenta
em imposto remanso
como este povo manso
vítima de perpétuos assaltos
desses dignitários altos
que em luxo e oiro habitam
e estas gentes que gritam
pl'o país de norte a sul

Eles sabem que o sonho
do povinho se esfuma no tempo
coitadinho, alarve e sebento
sujo, vulgar e sisudo
que fuça através de tudo para obter o sustento

Eles sabem que o sonho
é mazela, é dor, é de fel
base que sustenta o cartel
lobby conspirando no hall
Ganância neo-liberal
povo bronco, pedofilia
tragédia grega, democracia
que é retórica populista
governo do mundo arrogante
Papoilas, ecstasy, implante
caravana Europeísta
escrava da alta-finança

Euro, offshore, um festim
minarete, Osama Bin
mártir, virgem, matança
cocaína do Delfim
Corja manipuladora
raio que a parta, altiva
vampiros de capa festiva
do alto-crime, financiadora
míssil guiado, radar
super-armas, televisão
desembarque de supetão
na Babilónia milenar

Eles sabem e sonham
que o petróleo comanda a vida
e que sempre que o rico sonha
o mundo sofre e balança
como balsa perdida
no desastre da esperança

(* Adaptação aos tempos de “A Pedra Filosofal" de Manuel do Montado)

sexta-feira, maio 12, 2006

Levemente erótico...ou não...


Imagem de Alex Krivtsov




A água corre silenciosamente da torneira e uma ténue linha de fumo desenha-se no espelho à minha frente, enquanto preparo os sais e as essências onde me quero banhar.

A música toca baixinho. Ao som da RFM dispo-me lentamente, numa sincronia perfeita, respondendo ao apelo da música difundida no Oceano Pacífico.

Acendo meia dúzia de velas, dispostas religiosamente, que acentuam ainda mais a luminosidade transmitida através do espelho.

O tema da música inebria os meus sentidos e, calmamente, entro na água tépida da banheira.

Embalada pela voz sensual, nem me apercebo do tempo que passou quando sinto a sua presença, olhando-me com olhos malandros enquanto despe calmamente a roupa que cai a seus pés.

Fixo o corpo nu à minha frente e sorrio, num convite descarado, que ele aceita sem hesitar.
Sinto as mãos percorrerem-me como que acompanhando a melodia e deixo-me arrastar…
Os meus lábios sequiosos percorrem a sua pele impedindo as mãos de me tocar. Quero ser eu a comandar os meus desejos e explodir o frenesim que pressinto em mim.

Busco nele a força que aumenta o meu desejo.
Um tremor perpassa-me quando sinto o seu calor e ergo-me vigorosamente em ondas que vão e vêm em busca do orgasmo que sinto dentro de mim.

Arranho os seus ombros, penetrando-me cada vez mais fundo, enquanto sinto os lábios húmidos correrem o meu seio, mordiscando-me de uma forma que me deixa completamente louca.

Não tenho forma de impedir a agitação que me deleita deixando-o cada vez mais próximo da explosão que eu tento controlar temendo o fim que se aproxima.

De repente, a força do seu abraço força-me a mergulhar e sinto que nada pode impedir o vigor abrasador que, numa convulsão, mergulha até ao fim em mim.

Tremo, numa sintonia espasmódica que não consigo impedir, enquanto a música de fundo continua a tocar.

Abro os olhos. Que loucura a minha! Tremendo de frio, sozinha, neste sonho, deixando as velas apagar.


quinta-feira, maio 11, 2006

Passos que passam...

O meu olhar percorria calmamente a página para onde o Google me tinha “empurrado”, em busca de um trabalho de apoio…confesso, que é já um hábito sentar-me e desfrutar da calma de momentos, em que só estamos os três…eu, o pc e o meu fiel Sting, mesmo aninhado nas minhas costas, deixando-me um pequeno espaço para me sentar.
Deixei-me enlear pela página, recordando momentos lindos passados em família, naquela localidade que tinha mesmo em frente do meu olhar. A Póvoa do Varzim.
Repentinamente apercebi-me que já conhecia a página, apesar de muitas vezes, passar por ela e não deixar um olá…e, revi essa passagem apressada, no poema que vos deixo e que me fez ter um certo sentimento de culpa, pela ausência que tenho tido em tantos locais…
É na pessoa do
Carlos Ferreira do Garatujando que deixo um grande Abraço a todos e, as minhas desculpas pela ausência que eventualmente, possa ter de vós…


Desenho de Carlos Ferreira


Nos passos que passam lá fora
de gente que passa apressada
na noite que custa a passar
não oiço os teus passos agora;
são passos que vão na calçada
e passam além sem parar.

sem parar à minha porta,
pois que são passos que passam
de alguém que passa indiferente;
e sendo assim que me importam
as caminhadas que façam
os passos de outra gente ?!


(Poema de Carlos Ferreira)

quarta-feira, maio 10, 2006

O Gato...

Em homenagem ao meu Gato Tareco, que está desaparecido...


Óleo de Sandra Bierman


Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço;

Guarda essas garras devagar,
E nos teus belos olhos de ágata e aço
Deixa-me aos poucos mergulhar.

Quando meus dedos cobrem de carícias
Tua cabeça e o dócil torso,
E minha mão se embriaga nas delícias

De afagar-te o eléctrico dorso,
Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo
Como o teu, amável felino,
Qual dardo dilacera e fere fundo,

E, dos pés à cabeça, um fino
Ar subtil, um perfume que envenena
Envolvem-lhe a carne morena.


(Poema de Charles Baudelaire)
(Trad. de Ivan Junqueira)



O Tareco...Procura-se...

segunda-feira, maio 08, 2006

O canto do melro...


Imagem de Isabel Filipe daqui


O sol entra esplendoroso pela janela envidraçada do meu quarto, dando um tom misterioso ao aposento… afasto o lençol e deixo-me estar assim quieta.
Uma verdadeira sinfonia entoa através da clarabóia aberta, produzindo em mim um efeito maravilhoso.
De um salto, corro a abrir as portadas do terraço e descalça, percorro o espaço e deito-me na cadeira de repouso.
O trinado do melro continua muito mais alto, que qualquer outro.
Parece que ele percebeu que estou ali para o ouvir…De repente, atrevido, pula de telha em telha e, aproxima-se do beiral.
Eu continuo quieta. A cor clara do meu pijamita, parece chamar-lhe a atenção. Ou seriam as minhas pernas nuas? Ele deixa-se estar a cantar para mim. E eu deixo-me estar, a ouvi-lo.
O sol continua a sua rotação, embalada pelos trinados, divago nos meus pensamentos.
A calma do amanhecer liberta os meus sentidos e revejo-me como num filme a cores… o passado já não me dói… o presente apesar de tudo sorri-me, e o futuro está ali, no prazer de apreciar as pequenas coisas que a vida me proporciona.
Um poema, que li recentemente povoa o meu espírito…

“Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só a metade
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado
O logro da aventura
És Homem, não te esqueças!
Só é a tua loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.”

(Poema de Miguel Torga)


É hora de recomeçar o dia a dia… sorrio para o melro, que levanta voo, como percebendo que tinha cumprido a sua missão…serenando o meu espírito…corro liberta, sentindo-me feliz…

(memórias minhas...)

domingo, maio 07, 2006

Só por isso, Mãe...

 
 
Neste Dia... a todas as Mães...

Gustav Klimt

 
Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.
Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.
Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.
Só porque tu existes,
Vale a pena!

(Frei Lopes Morgado in Mulher Mãe)

sábado, maio 06, 2006

Neste mundo de magia…

Brevemente fará um ano o EternamenteMenina.
Um Blog que alimentei com carinho, mas que me é impossível continuar a manter e permanecerá para memória futura…
É desse meu “refúgio” que partilharei convosco algumas das minhas “loucuras”…




No beiral da vida, docemente,
debruço, às vezes serena, o meu olhar,
para no meio do sol poente
ver o Mundo por mim passar.

Já fui menina e moça e ergo, contente,
os meus olhos castanhos para o ar
e, ao clarão do luar adolescente,
como todos, um dia aprendi também a amar.

E fui princesa de sonhos estonteantes,
heroína de mil baladas e poemas,
nos braços do meu cavaleiro andante
descobri os prazeres de ser terrena.

Desfolha-se na areia mais um dia:
uma dor, uma esperança, uma alegria.
O dia morre. Uma saudade vem
na magia que este Mundo tem.


(memórias minhas...)

terça-feira, maio 02, 2006

A arte de ser feliz...


Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

(Cecília Meireles)

No dia do primeiro aniversário desta "casa", tenho uma palavra a dizer a todos, porque são a razão da minha existência aqui…
Obrigada