segunda-feira, julho 30, 2007

Ternura...

É ainda com os olhos em lágrimas de surpresa e felicidade, que estou aqui a agradecer a todos os que participaram na surpresa que a Sandra e o Joca, meu Filhos, me prepararam para este dia do meu aniversário.

O presente, que eles me quiseram oferecer, foi reunir em torno de um livro que eles elaboraram sobre os meus blogues, todos os que se quiseram associar a esta verdadeira e ternurenta surpresa.

Ainda não estou refeita do sentimento que abraçou o meu coração. Sentir-vos aqui, nesta amplitude maravilhosa, de mãos dadas com os meus Filhos, foi o melhor presente que algum dia recebi.
Trabalho da Isabel Filipe sobre fotos dos meus filhos


Para mim és A minha Mãe
Não és mais nada, …. Só
Mãe …. Minha Mãe

Para outros és muito mais
Mulher
Poetisa
Contadora de histórias

Mãe … Minha Mãe
É só o que tu és
Para Mim

Para outros és muito mais
Mulher
Leoa
Senhora

Mãe … Minha Mãe
A tua outra face é
Desconhecida para mim

És tu … sempre …só
A Minha Mãe

Da tua Filha

(Sandra)

Dum Filho Encantado

Mãe, tu és a mais esplendorosa das mulheres,
Teu colo é o mais acolhedor dos colos,
Teu beijo é o mais doce dos beijos,
Teu carinho é o mais confortante dos carinhos,
Teu sorriso é o mais singelo dos sorrisos,
Teu abraço é o mais energizante dos abraços,
Teu olhar é o mais puro dos olhares,
Tua pele é a mais macia das peles
E teu amor é o mais verdadeiro de todos os amores.
Por essa razão, tenho orgulho de dizer:
Eu te amo,
Sempre vou te amar,
Aconteça o que acontecer,
Nunca ninguém conseguirá nos separar.
(poema de autor desconhecido, ligeiramente alterado)
Muitos Beijos
Parabéns e espero que gostes da Prenda….

Do teu Filho
JokinHa

Como não consigo mostrar aqui, todo o livro por eles elaborado vou, página a página, partilhar aqui as mensagens nos próximos dias, agradecendo desde já a:
todo o carinho que nos dispensaram e nas palavras que me ofereceram

Um ABRAÇO carinhoso a todos Vós.

sexta-feira, julho 27, 2007

E por vezes

*Desenho em grafite de Francisco Simões

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

(David Mourão-Ferreira in "Música de Cama" Pág. 73)
É um dos poemas que mais gosto do autor e já profusamente o divulguei em quase todas as minhas páginas.
Mas hoje trago-o aqui, por um motivo especial. A satisfação que tive por ouvir alguma poesia deste autor lida
aqui na voz inconfundível do Luís Gaspar

*Este e outro desenho de Francisco Simões, fazem parte do livro já mencionado.

segunda-feira, julho 23, 2007

O Insone


Imagem de José Alberto Mar daqui

Meus olhos abertos!
Levai-me até ao mar
a ver se adormeço!

Aqui tão distantes,
não se hão-de fechar
meus olhos abertos.

Chorarão lembranças,
formarão um mar
de pranto e desejo.

Um mar sem consolo,
que me há-de levar
à insónia eterna.

Não imitam os beijos
nem doces cantares
a onda e o vento.

A onda e o vento!
Quero ver o mar,
a ver se adormeço!

Juan Ramón Jiménez

in Antologia Poética, Trd. José Bento
(Prémio Nobel da Literatura 1956 )

quarta-feira, julho 18, 2007

Gatos...


 O Tareco

Desde que me conheço sempre convivi com animais. Em casa de meus Pais e meus Avós, existiram uma variedade deles, que ia desde a minha égua "Castanha", até aos mais domésticos deles, ou seja uma colónia de gatos e cães. Com o decorrer dos anos, foram desaparecendo alguns, causando aquela saudade que cada um provoca, quando desaparecem das nossas vidas.
O cavalo e o cão, são realmente os meus animais de eleição, mas tenho com os gatos, uma afinidade enorme. Gosto da subtileza do seu comportamento, da independência do seu carácter e da meiguice, com que por vezes nos distinguem, preferindo-os, confesso, a muito ser humano que conheço.
O Tareco foi o meu último gato. De uma meiguice absoluta, tinha uma mania: pensava que era pombo e que voava!
A primeira vez que "voou" aqui de casa, foi o fiel Sting que o encontrou, nas buscas desesperadas que fizemos para o descobrir. Magro, sujo, esfomeado, ligeiramente ferido, foi um encontro comovente, quando o Sting o descobriu, num terreno abandonado e chamou por ele.
Restabelecido, quando todos pensámos que ele não voltaria a fazer a mesma proeza e que tinha aprendido a lição, eis senão, com a volta das pombas, ele volta a desaparecer.
Pois é… voltou a ter aquela vontade louca de "voar", se tivermos em conta, que ele passeava pelos telhados do duplex onde moro num terceiro andar, o que quer dizer, que ele se atirou nem mais nem menos, do que de um quarto andar…e não apareceu mais. Já lá vai mais de um ano…
Vem a propósito, estas singelas palavras sobre o Tareco, porque descobri o
Queridos Gatos, um blogue dedicado totalmente a estes felinos… e que me deram a enorme satisfação de lá postarem o Tareco com o seu lindo olhar azul… 
Obrigada.

Os Gatos
Os férvidos amantes e os austeros sábios
Na idade madura, ambos sabem amar
Os gatos fortes, meigos, orgulho do lar,
Que, tal como eles, são friorentos, sedentários.

Amigos da volúpia e também da ciência,
Procuram o horror das trevas, o silêncio;
E tê-los-ia o Érebo por corcéis fúnebres
Se um dia à servidão dobrassem o orgulho.

Adoptam ao sonhar as nobres atitudes
Das esfinges deitadas nos confins do mundo,
Parecendo adormecer no seu sonho sem fim;

Há mágicas centelhas nos seus rins fecundos
E alguns farrapos de oiro, alguma areia fina,
Estrelando vagamente as místicas pupilas.

(Poema de Charles Baudelaire in
"Assinar a Pele", Assírio & Alvim, pág.15)

domingo, julho 15, 2007

Cálida...

Imagem de Claude Tháberge



Cálida,
a noite vem nos teus olhos
quando a lua se descobre
e a promessa dos teus beijos
me estremece.

As tuas mãos,
que não tocaram meu corpo nestes dias sem tempo,
viajam no sonho e nas palavras,
florescendo no corpo húmido que se agita no desejo.

Desvendo os sons sentidos no silêncio
e neles quebro meu olhar que se espraia no horizonte,
como nuvem em dia de chuva.

Embalo-me como estrela cadente
ritmada em suave toque,
onde te imagino
percorrendo-me, gota a gota,
sorvida calidamente no desejo dos teus lábios
sôfregos,
que circulam em cada pedaço da minha pele…

És.
Sou.
Imaginação
e
Fim.



Ouvir o poema na voz de Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)