quarta-feira, abril 11, 2018

Os Pássaros Brancos



Quem me dera que fôssemos, amor, 

pássaros brancos sobre a espuma do mar!
Cansarmo-nos da chama do meteoro 
antes de ele fugir e se extinguir;
E a chama da estrela azul do crepúsculo, 
suspensa sobre a orla do céu,
Despertou nos nossos corações, amor, 
uma tristeza que não pode morrer.

Humedecido de orvalho chega o desengano
daqueles que sonharam o lírio e a rosa;
Oh, não sonhes com eles, amor, 
a chama do meteoro que passa,
Ou a chama da estrela azul que se detém suspensa 
na queda do orvalho,
Pois que bom que era que fossemos pássaros brancos 
sobre a espuma errante: eu e tu!

Estou assombrado por inúmeras ilhas 
e muitas praias de Danann
Onde o tempo certamente nos esqueceria 
e a Tristeza não mais se aproximaria de nós;
Em breve estaríamos longe da rosa e do lírio 
e seríamos consumidos pelas chamas,
Se ao menos fôssemos pássaros brancos, amor, 
flutuando na espuma do mar!

William Butler Yeats
in, Poemas de Amor
a págs. 62/63


4 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Um belo poema de um poeta que desconhecia. Obrigada pela partilha.
Abraço

Pedro Coimbra disse...

Não sou grande amante de poesia.
Yates é um das excepções dessa regra.

Pedro Luso disse...

Olá!
Esse é um belo poema. Gosto muito das poesias de W. B. Yeats; dele tenho apenas um livro:Poemas de B Yeats". Sobre a vida e a obra do poeta escrevi, há algum tempo, tem outro blog, caso tenhas interesse envio o link dessa postagem referida.
Um abraço.
Pedro

Graça Pires disse...

Gosto tanto deste poema de Yeats! Quem me dera ter escrito um poema assim...
Uma boa semana, minha Amiga.
Um beijo.