quarta-feira, janeiro 11, 2012

Como escrever o dia

Como escrever o dia
em que as casas
cresceram
para dentro do ventre da terra
e os homens declinaram
e os miúdos riram
e as mulheres se agarraram
aos pilares voláteis das chaminés
como quem procura
o chão?

Como descrever o movimento
contínuo
das árvores a vogarem
a terra com os braços em remo?

Como descrever o negativo interno
das ruas
o sustentável desequilíbrio
das coisas e dos seres
de pernas para o ar
caídas de espanto
na vala paradoxal do tempo?
Como descrever
a noite que golpeou
o estado do dia
a dor
que perfurou
o corpo
o corpo que mergulhou na terra?
Como descrever o riso das crianças no uivo dos lobos?

Poema de Vanda Baltazar


(Desligar a música de fundo para ouvir o vídeo, p.f.)

8 comentários:

tretas disse...

M.M.

Sim, deste lado temos uma sala menos ruidosa mais acolhedora, pessoalmente prefiro andar por aqui...sitio que a minha mente agradeçe, não conhecia Vanda Baltasar poema....sofrido, será,

Tretas

Eros disse...

«... vala paradoxal do tempo...»
Perfeito!!

Beijos

Era uma vez um Girassol disse...

Lindissimo este poema!
Penso que a Vanda Baltazar já terá tido em tempos um blogue...Será que ainda tem ou simplesmente não é a mesma?
Beijinho da flor...de Macau!

Ana Tapadas disse...

Lindo!

bj

tecas disse...

Belíssimo poema de Vanda Baltazar. Bem hajas pela partilha querida amiga Menina Marota. Desculpa de só agora comentar. Esta gripe não me larga.
Beijinho amigo e um aplauso para as duas.

BlueShell disse...

Este, é sim, um dos teus melhores posts!
Obrigada!
BShell

Anónimo disse...

adoro poemas e poesia

Ilona Bastos disse...

Poema fantástico! Fabuloso!
Parabéns pelo bloque. Continua muito belo.
Um abraço, Ilona