terça-feira, janeiro 17, 2012

Aloés


Imagem daqui

De dezembro a fevereiro os aloés
florescem à beira das estradas.
Têm hastes longas presas aos cactos.
Cleópatra, dizem, utilizava-os para dar à pele
a beleza macia que entontecia os homens.
É por isso que nos fascina a sua cor
fortemente igual às laranjas antigas.
É por isso que há mulheres rendidas
aos poderes dos bálsamos obtidos das flores.
É por isso que se acredita na minuciosa
utilidade de lhes extrair o sumo,
o tónico, o gel e tantas outras coisas
que prometem a juventude eterna.
Como se não fossem perversos
os desígnios da morte.

Poema de
Graça Pires
De A incidência da luz, 2011

2 comentários:

Mar Arável disse...

Bjs para as duas

Boa memória

Margarida Alegria disse...

Obrigada, eu, pela visita simpática we solidária que fez ao meu blogue, "Alegrias e Alergias". É bom saber que o que escrevemos é apreciado e dá alegria e ânimo outros por essa blogosfera.
Já lá respondi.
Estive a "flanar" por aqui e gostei do conceito, da bela selecção poética, da estética! Vai já para o meu blogroll.
Parabéns e um abraço! :)