segunda-feira, dezembro 31, 2012

A todos...



...os amigos, conhecidos ou simples visitantes, desejo um final de 2012 em alegria, saúde e fraternidade.



O Ano Novo ainda não tem pecado:
É tão criança...
Vamos embalá-lo...
Vamos todos cantar juntos em seu berço de mãos dadas,
A canção da eterna esperança.


Neste poema de Mário Quintana vai o meu desejo que 2013 seja embalado no vosso coração e se transforme num ano de esperança e paz e que possamos, juntos, fazer do Mundo um local melhor, em amor, igualdade, oportunidades…



terça-feira, dezembro 18, 2012

É tempo de Natal.


Há palavras que tocam de tal forma o meu coração que as leio como se estivessem a falar de mim.
Há palavras que sem serem poemas são Poesia.
Há palavras que englobam de tal forma sentimentos e sentires que apetece partilhá-las e f
oi o que senti ao ler o texto que vos apresento.
Natal é uma época de partilha. De afectos. De sentimentos.

A todos vós que ao longo dos anos aqui têm permanecido, o meu Obrigada
Imagem pessoal

 
 "Com todos vocês partilho ao longo de tantos dias pedaços de mim.
Com todos vocês partilho em cada dia sorrisos e afectos.
Mais um fim de ano que chega e quero expressar a minha gratidão por cada um, e a cada um de vocês.
Por cada palavra, por cada mimo e carinho, que sempre me aconchega.
Pelas canções que me embalam, as memórias que alguns de nós partilhamos, pelas palavras que trocamos, pelo mundo que juntos desejamos que nos acolha a todos.
Pela luta que nos exige firmeza e coragem, pelas gargalhadas que solto, com a loucura que me assiste, pelo brilho nos olhos com que me provocam tantas vezes.
Por tudo o que me dão, por fazermos neste espaço que é meu e vosso um laço.
Por que o meu compromisso convosco é apenas ser eu mesma, ás vezes doce, louca e outras amarga, mas sempre grata à vida com gente bonita assim.
Chega o final de um ano mais e chega também o Natal.
Celebra-se por todo o mundo católico o nascimento de Jesus, e a primeira pergunta que me assalta é a razão de celebrar tão belo exemplo de humanismo, que todo o ano, todos os dias é ofendido e atropelado no significado que Ele quis tivesse o mundo.
Porque celebrar é nascer e renascer a cada instante. É crescer desde dentro de cada um para quem nos rodeia. É estar para lá de nós. É ter a capacidade de partilhar em troca apenas de um sorriso.
Natal é tomar um espaço que é de todos e colori-lo.
Todos, sem excepção, Católicos, Agnósticos, Ateus, Budistas, Islâmicos ou Hindus, todos sem excepção celebram o Natal sempre que abrem o seu coração.
O Natal não é de ninguém, de nenhuma instituição ou poder.
Não há Natal sem gente, e somos todos nós que o construímos.
Vivemos um período histórico de grande sofrimento, de grandes desigualdades, de atropelos constantes ao nascimento de cada um, de desafios imensos à resistência, à coragem e à determinação de seguir a construção do Novo Homem, à construção de Natal.
O Natal é essa tarefa árdua de erguer vozes em nome de vozes caladas, de respeitar aqueles que vêm os seus direitos sufocados entre as mãos do ódio e da ignorância.
O Natal não tem data nem hora, não tem donos nem senhores. Natal é acima de tudo um processo livre de crescimento.
Sigamos pois a sua construção para que todos algum dia o possam celebrar."

Texto de Helena Norton

Obrigada por ele! ♥



(Clicar para abrir)

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Semente de nós

Ternura - Mãe e Filha



Cresce
no teu corpo
que já foi sementinha
dentro do meu.

Nos meus braços te embalei,
menina minha,
dona do meu coração.

Voaste, voaste,
mas no teu ninho
(braços meus)
sempre te albergaste.

Na ternura.
do amor que vos une,
a paixão frutifica e
cresce, cresce…

Um dia destes,
oh suprema alegria,
serei avó
mas serás sempre,
filha minha,
a menina do meu coração.



Dedicado à minha Filhota e ao meu querido Genro que vão fazer de mim... Avó!
Amo-te. Amo-vos.

sexta-feira, novembro 23, 2012

Fernando Pessoa

"O valor das palavras na poesia é o de nos conduzirem ao ponto onde nos esquecemos delas. O ponto onde nos esquecemos delas é onde nunca mais se pode ter repouso." (Natália Correia)
 

Não é minha opção relembrar aniversários de morte. Gosto de festejar a vida mesmo que até nem haja muito para ser festejada.

Novembro foi o mês do desaparecimento físico de Fernando Pessoa que deixou vivos, e bem vivos, os personagens que a sua mente prodigiosa criou.

Algum dia o próprio imaginaria o impacto que a sua poesia tem na conjectura da vida e das pessoas?

Quando estou triste, busco Pessoa. Quando estou alegre, busco Pessoa. Quando estou preocupada, busco Pessoa... e encontro sempre uma palavra que me conforta.

Por vezes penso que o seu conforto era ele próprio e todos os heterónimos que inventou, até aqueles que nem são tão conhecidos...

Que escreveria ele, hoje, se fosse vivo? Que escreveria do País, das pessoas e das circunstâncias subjacentes a todos os acontecimentos nacionais e internacionais?

  

"O que há em mim é sobretudo cansaço"

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos, in "Obras Completas" Fernando Pessoa,
Vol. I, págs 417/418.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Meu novo livro já está no iTunes!

Capa do livro

Para os seguidores das novas tecnologias e daqueles que consideram que um livro digital não retira o lugar aos livros de papel e que é muito mais fácil de “transportar”, tendo o dispositivo necessário para o efeito, quer em férias, quer em viagem ou num simples momento de descanso laboral, já está disponível a versão digital “Olhos de Vida”, o meu segundo livro de poemas e pequenas histórias, e primeiro digital.

Esta publicação com ilustrações de Catarina Lourenço constará de sessenta poemas e vinte narrativas e é uma viagem em redor do meu olhar perante o mundo interior e exterior.

Constarão ainda desta publicação, para além das delicadas ilustrações já referidas anteriormente, sete vocalizações pela voz de Luís Gaspar (cinco poemas e dois textos) e disponibilizadas pelo Estúdio Raposa; um vídeo dividido em duas partes filmado integralmente nas praias favoritas da autora entre Espinho e Vila Nova de Gaia e algumas fotografias completam esta edição sui generis.

Poderá não ser uma leitura rápida e fácil já que no meu olhar há metáforas de vida que não são visíveis a um simples olhar. A compreensão do leitor perante os olhares em redor descodificará essas metáforas.

Este livro só pode ser visualizado com iBooks 2.0, num iPad com a função do iOS 5.0 e poderá ser adquirido através do iTunes ou, ainda, do editor André Gaspar  um jovem que vê nas novas tecnologias uma forma de divulgar autores para as novas gerações. 

in, Olhos de Vida, pág. 6
(Clicar em cima da imagem para aumentar)

quinta-feira, novembro 01, 2012

"... da glória na flor,..."

Imagem Google


Apesar de a luminosidade
outrora tão brilhante
Estar agora para sempre afastada do meu olhar,
Ainda que nada possa devolver o momento
Do esplendor na relva,
da glória na flor,
Não nos lamentaremos, inspirados
no que fica para trás;
Na empatia primordial
que tendo sido sempre será;
Nos suaves pensamentos que nascem
do sofrimento humano;
Na fé que supera a morte,
Nos tempos que anunciam o espírito filosófico.

Poema de William Wordsworth, in “Recordações da Primeira Infância”,
"Ode: Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood"
 


domingo, outubro 14, 2012

Convite

A cidade do Porto vai ter o prazer de receber Graça Pires para o lançamento do seu mais recente livro no próximo dia 27.

 Não Faltes!


Clicar na imagem para aumentar



Volto a um lugar gémeo da memória
e retenho um diálogo a dançar-me nos lábios:
amo-te como no tempo em que o meu corpo era uma ilha
e nenhuma palavra me parecia intrusa dentro da tua boca.
Amo-te. Vejo na tua face a pátria e o exílio
onde, simultaneamente, me sinto.
Chamo-te a minha fuga, asas desenhadas no meu riso.

Direi o fascínio que sobrou do gosto das cerejas
e lembrarei, devagar, o culto da sedução e dos abraços.
Conta-me, meu amor, o sabor do pão na tua boca.
Conta-mo com adjectivos sôfregos e claros,
para que a minha sede invente o vinho novo,
no cântaro onde a terra ausculta todos os regatos.


De Conjugar afectos, 1997 in Poemas Escolhidos 1990 -2011, pág. 56

domingo, setembro 23, 2012

By Trial and Error

Já está disponível a versão em inglês de "Por Tentativa e Erro" de Teresa Cunha

Descrição

"Um maravilhoso livro sobre jornadas e aventuras, tanto física como espiritual, que nos leva através de países, vidas, culturas e almas humanas com uma candura e humor que se encaixa numa simples reunião de amigos. Oferece uma profunda perspectiva humana de alguém que tem lutas a nível interpessoal, individual e profissional (como trabalhadora humanitária para as Nações Unidas) numa i
mpressionante, surpreendente, despretensiosa e hilariante maneira que é comovente, engraçada e deliciosamente "amarga e doce" como a própria vida. Um grande testemunho da celebração da vida que se lê com facilidade e muito difícil de se largar!"

Description

"An amazing book about journeys and adventures, physical and spiritual, it takes us across countries, lives, cultures and human souls with all the candor and humor befitting a simple gathering of close friends. It offers the profoundly human perspective of someone who owns her interpersonal, individual and professional struggles (as a UN humanitarian worker) in an impressive, surprising, unpretentious and hilarious manner that is as moving, funny and deliciously "sweet and sour" as life itself. A great testimony in celebration of life that reads easily and is very hard to put down!"

Este livro só pode ser visualizado com iBooks 2.0, num iPad com a função do iOS 5.0 e poderá ser adquirido através do iTunes ou, ainda, do editor André Gaspar 

 

segunda-feira, agosto 13, 2012

Miss Kafka

Imagem de autor desconhecido


Miss Kafka está de volta.

Seguidora que fui dos seus dois blogues, foi com tristeza que os vi, de um dia para o outro, não serem actualizados.

Foi, portanto, com alegria que a vi retomar as palavras que me encantavam no Ab Absurdo de onde trouxe este texto:

Talvez possa começar hoje. Partir do caos e enveredar pela infinita panóplia de caminhos entrecruzados, sem nascente nem mar para desaguar. Procuro no dentro tudo o que não foi possível encontrar fora. Esquecendo a lei dos espelhos que rege a relação entre os dois...

A folha branca mostra-me ininterruptamente o quase e o aquém. Insuportavelmente incapaz de traduzir o além, apesar de tão real, tão visceral, tão presente. É sangue sem cor. É língua sem papilas gustativas. É cheiro de memórias que não se recordam, vazias e ausentes.

A palavra espartilha o pensamento, enche-o de dor. Se tivesse rosto, seria um esgar inoportuno. Hoje. Hoje que se sentam a uma distância respeitosa. Hoje, presente parado, na repetição incessante do ciclo dos dias.

A palavra não traduz o que se pensa e o que se sente. Ainda. Hoje. Só hoje.

É bom ter-te de volta, Miss Kafka

terça-feira, julho 10, 2012

Momentos

Imagem Google

Há momentos que as palavras falham.
Sentamo-nos no meio delas
ouvindo o seu pulsar
como folha verde
no caule de uma flor.
Há momentos que o coração chora
sentindo o vibrar de vidas
que não são vidas
dentro da própria vida.
Há momentos que o isolamento
dói mais que o silêncio
da boca que fala e nada diz.

E há momentos
que têm a rara beleza
que nasce no meio do nada
como fonte de água pura
que no mar desagua
e por ele é beijada.

sábado, junho 30, 2012

O sol embriaga os meus sentidos...

Ilha do Mussulo, Luanda


…recordo África e tudo aquilo que me transmitiu ao longo dos anos: o pôr-do-sol inigualável, as praias de ondas mornas, a sua areia quente e brilhante.

As praias de Cabinda onde mergulhei sentindo-me sereia ao fantástico pôr-do-sol; a praia do Mussulo, um paraíso ao largo da cidade de Luanda; as paisagens e gentes do Kwanza onde aprendi a reconhecer cheiros e sons; a praia de Benguela onde, pela primeira vez, nadei muito perto de golfinhos bebés, vendo ao longe a divertida mamã a chamá-los com os seus sons inconfundíveis.

Tudo isto e muito mais que, quem sabe, um dia narrarei, fizeram de mim o ser que vibra com o calor, que goza o sol no seu mais puro encanto e se despede de preconceitos quando entra no mar.

Flutuo nas ondas brandas do vento
num dia inacabado, onde o Sol
se aventura nas asas de um pássaro
cortando a pique a montanha do tempo.

Porque sou uma mistura de mar de ondas bravias, do vermelho sol abrasador, do cheiro quente dos frutos da terra, dos sabores que entontecem a alma, dou-me à noite avassaladora dos meus sonhos, onde tudo é possível e adormeço nos seus braços.



Fotografia de Raquel Gramaço

sexta-feira, junho 15, 2012

Graça Pires - Poemas Escolhidos

Graça Pires é uma referência na poesia contemporânea com vários prémios ganhos que traduzem o mérito da sensibilidade da sua escrita.

Na Apresentação da sua obra Poema Escolhidos lê-se: “Estamos no ano de 2012 e este livro é um pretexto para apresentar uma selecção de poemas extraídos do conjunto dos 12 livros que publiquei até ao final do ano de 2011…”.


Admiradora há anos da sua escrita sigo com verdadeira emoção o
blogue cujo nome teve origem na obra publicada em 1996 Ortografia do olhar.
Lê-se ainda na Apresentação desta Antologia:

"… Sei que a poesia é para ser lida por aqueles que dela gostam. Mas gostava que este livro incentivasse outros a amá-la também.".


O meu agradecimento a
Graça Pires por mais esta esplêndida e sensível obra que nos oferece a ler.


Quando a véspera
do mais prolongado sossego
me fere a solidão da infância,
quero um momento,
apenas um momento,
para que o excesso de luz a prumo
amotine as palavras nos meus lábios
e as confunda com a quietude
urgente da paisagem.
De pulsos iluminados
poiso a voz no fundo da tristeza,
para expor a voz de outrora:
no dia mais bonito que vier irei, sem rumo algum,
ao deus-dará, procurar um lugar para morrer
as vezes que eu quiser, até nascer sem dor.
in, Poemas Escolhidos 1990-2011, pág.146

quarta-feira, junho 06, 2012

... a saudade dói.

Em 4 dias perdi 2 Amigos.
O primeiro a partir foi o Zak, da minha filhota, depois a minha Ritinha foi fazer-lhe companhia. A saudade dói ...

... a Vida nos seus desígnios, continua. ♥♥♥♥♥

quarta-feira, maio 30, 2012

Anjos Caninos

Esta imagem não voltará a repetir-se porque a Ritinha partiu e deixou-nos na maior tristeza.

A doçura do seu olhar, da sua maneira de estar, da forma como se ligou a mim, ficará para sempre no meu coração
.


Dedicado à Ritinha deixo aqui o poema de Alfredo Cyrino que traduz o meu pensamento e a minha saudade.



Anjos não ficam
Anjos tocam as nossas vidas,
apenas nos olham e deixam-se ver,
sem pudor, em humilíssima condição,
promessa ainda incerta de uma existência.

Não pedem para entrar...

Acolhidos, transformam-se em bênçãos
entes queridos, mais do que humanos,
exercitando o dom singelo de Anjos,
sem orgulho ou impaciência.

Coração e espírito atentos,
diluindo o seu curto tempo no nosso,
construindo laços para além do tempo,
iluminando o ar sempre leve pela sua presença.

Com a pureza essencial do nascimento,
crescem, amadurecem e envelhecem.
Tão cedo se fragilizam os nossos Anjos.
E, mesmo exauridos,
seus olhos, sempre eles,
dizem que por nós, apenas por nós,
suportarão qualquer dor de velhice,
qualquer limitação de vida,
enquanto não pudermos deixá-los ir.

Não pedem para partir...

São levados de nós,
resignados, com serena dignidade,
exalando amor até o derradeiro momento.

Anjos apenas passam...

©Alfredo Cyrino / Indigo Virgo®
A Ritinha nasceu a 04.05.1997
Em 25.05.2012, após internamento no Hospital Veterinário de Santa Marinha em Vila Nova de Gaia, deixou este mundo e muitas saudades.

terça-feira, maio 15, 2012

Convite

Escrevi algures no tempo sobre Graça Pires as palavras que aqui foram reproduzidas.
É com alegria no coração que vos faço o presente convite

sexta-feira, abril 27, 2012

Flor de Letras

Imagem de Luiz Edmundo Alves

Docemente, alinho palavras
na entretecida canção de sal e água.

Por vezes, ao seu redor
esvoaçam picos, formas de pássaros,
coloridos alinhavos sob um fogo encantado

Olho-os na voz do silêncio desfolhado.

Se por vezes sinto em acalmia a brasa,
outras, estremeço pelo vazio
gritante que clama a inconsistência,
a lenta perdição da mente
pelo deserto de inconstância desperto
que da chama nada entende
nem da verdade

Quisera ser aroma em flor de letras e,
gota a gota, elaborar a palavra em falta
quando cada verso de dor e treva
transforma em dúctil manto
essa voz de pranto e mágoa

Às vezes, vibrante, penso
silenciar o remoinho do espaço
e sorrindo docemente espalho
no fogo, o sal, a água
da eterna estrada em cascata

Poema de
Fátima Fernandes (Amita) in "Transparência de Ser"

quarta-feira, abril 25, 2012

25 de Abril (Sempre!)



Num só dia os deuses assinalaram
o ciclo de negrume e crueldade
que se expandia na pátria. E pararam
tudo o que, sendo inverdade,

feria fundamente todos quanto
da terra não mais queriam que a paz.
E num momento tudo foi espanto
do que pode construir-se e se perfaz

quando pelas ruas a alegria vem à luta
e o novo dá lugar ao que era velho.
Foi esse dia não mais do que vermelho

e deuses fomos na bênção absoluta
em que a exaltação de um foi a de mil
por todo o júbilo que nos trouxe Abril.

inédito - de, © Amadeu Baptista


sábado, abril 07, 2012

Esta Páscoa...

...resolvi partilhar algo de diferente e por isso socorri-me do querido Amigo José-António Moreira para vos oferecer Vinicius de Moraes



(desligar p. f. a música do blogue para ouvir o vídeo)


“E rezo a estrela, a pedra, a flor acesa
A urze dos montes,
As claras fontes,
A aurora da alegria, o poente da tristeza.
E nas preces que eu rezo, com fervor,
Deus revive e liberta-se da Cruz.
E a Deus regressa a terra, a pedra, a flor,
A luz...”
(excerto)

de, Teixeira de Pascoaes



sábado, março 24, 2012

... e porque é Primavera

Pintura de Duy Huynh


Reinvenção

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas

e passeia a mão dourada

pelas águas, pelas folhas...

Ah! tudo bolhas

que vem de fundas piscinas

de ilusionismo... - mais nada.



Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só - no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só - na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


Poema de Cecília Meireles,
in, "Vaga Música" a págs 195/196
(1983)

terça-feira, março 06, 2012

Oceano dos Sentidos

Pintura de autor não identificável

Há um espaço para voar dentro da alma
que emerge do oceano dos sentidos

 e flutua na consistência do ser.

Navegam os sentimentos em águas, 

ora calmas, ora tumultuosas,
e, no sol posto, amanhece um outro dia
que nos traz lágrimas ou sorrisos de alegria.

Olho-me para lá do sonho 

e da imaginação 
corpo presente
desejo fremente
oscilando suavemente,
na brisa que entardeceu.

Poema de Otília Martel 

(Menina Marota) 
in

a págs 371 

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Interrogação

Pintura de Natalia Bazhenov



Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.




Poema de Camilo Pessanha, in "Clepsidra", pág.31

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Blogs do ano 2011 - uma ideia do Aventar

Imagem do logótipo do Aventar


Há quem acredite que as redes sociais vieram retirar o lugar e o interesse pela Blogosfera.

Pela parte que me toca, não obstante em tempos ter aderido a uma rede social, o bichinho da blogosfera está patente nos seis blogues que vou actualizando, de tempos a tempos, e das visitas que faço a blogues amigos quando a saudade, de os ler, aperta.

Numa das minhas viagens, sem rumo certo, pela blogosfera, deparei-me com o perdido caminho do blogue
Aventar que há muito não visitava e que está com um interessante concurso e nas suas próprias palavras não é mais do que: "O Aventar organiza pela primeira vez um concurso de blogs com o objectivo de promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa e de língua portuguesa. É um concurso aberto a todos os que queiram participar."Pena foi que quando descobri este concurso as inscrições para o mesmo já tivessem encerrado em 13 de Janeiro porque teria alguns nomes a indicar de blogues ou audioblogues para inscrever. Quem sabe se para o ano, se por cá ainda continuar, não faça a surpresa de inscrever muita gente.

O concurso está dividido em várias secções e desde política, a desporto, passando pela arquitectura, artes visuais, humor, erotismo, etc. etc., blogues individuais e colectivos, temos blogues para todos os gostos.

Convido-vos a visitarem o
Aventar porque irão descobrir muitos nomes conhecidos e descobrir muitos que desconhecem provando que, afinal, a Blogosfera está vida e de saúde.
E já agora…
Votem!

terça-feira, janeiro 17, 2012

Aloés

Imagem daqui
De dezembro a fevereiro os aloés

florescem à beira das estradas.
Têm hastes longas presas aos cactos.
Cleópatra, dizem, utilizava-os para dar à pele
a beleza macia que entontecia os homens.
É por isso que nos fascina a sua cor
fortemente igual às laranjas antigas.
É por isso que há mulheres rendidas
aos poderes dos bálsamos obtidos das flores.
É por isso que se acredita na minuciosa
utilidade de lhes extrair o sumo,
o tónico, o gel e tantas outras coisas
que prometem a juventude eterna.
Como se não fossem perversos
os desígnios da morte.

Poema de Graça Pires
De  A incidência da luz, 2011

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Como escrever o dia

Como escrever o dia
em que as casas
cresceram
para dentro do ventre da terra
e os homens declinaram
e os miúdos riram
e as mulheres se agarraram
aos pilares voláteis das chaminés
como quem procura
o chão?

Como descrever o movimento
contínuo
das árvores a vogarem
a terra com os braços em remo?

Como descrever o negativo interno
das ruas
o sustentável desequilíbrio
das coisas e dos seres
de pernas para o ar
caídas de espanto
na vala paradoxal do tempo?
Como descrever
a noite que golpeou
o estado do dia
a dor
que perfurou
o corpo
o corpo que mergulhou na terra?
Como descrever o riso das crianças no uivo dos lobos?


Poema de Vanda Baltazar

(Desligar a música de fundo para ouvir o vídeo, p.f.)

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Epitáfio

De mim não buscareis, que em vão vivi
de outro mais alto que em mim próprio havia.
Se em meus lugares, porém, me procurardes
o nada que encontrardes
eu sou e minha vida.

Essas palavras que em meu nome passam
nem minhas nem de altura são verdade.
Verdade foi que de alto as desejei
e que de mim só maldições cobriam.
Debaixo delas a tradição se esconde,
porque demais me conheci distante
de alturas que de perto não existem.

Fui livre, como as águas que não sobem.
Pensei ser livre, como as pedras que caem.
O nada contemplei sem êxtase nem pasmo
que o dia a dia
em que me via
ele mesmo apenas era e nada mais.

Por isso fui amado em lágrimas e prantos
do muito amor que ao nada se dedica.
Nada que fui, de mim não fica nada.
E quanto não mereço é o que me fica.

Se em meus lugares, portanto, me buscardes
o nada que encontrardes
eu sou e minha vida.
Poema de Jorge de Sena

(Desligar a música de fundo para ouvir o vídeo, p.f.)