quarta-feira, setembro 14, 2011

Entre mundos... Navia e Ana...


Pintura de Freydoon Rassouli



"…Neste século onde se fazem tantos acordos de paz, pactos de estabilidade, Associações de protecção a isto e aquilo e a mais qualquer coisa, atendimento por telefone de protecção às vítimas, voz amiga, SOS criança, é possível deixar uma pessoa em estado de agonia. Na realidade, nos momentos de maior dor psicológica, parece que não existe ninguém. Existem estatísticas sobre o assunto mas não há memória de alguma vez terem ajudado alguém num determinado momento. A dor vem pela noite quando o silêncio é maior e ninguém quer ser perturbado. A dor não passa com antibióticos, nem com uma chamada telefónica, nem a horas marcadas. Talvez a confiança ajude mas num século onde a vida foi programada até aos sessenta e cinco anos, a depressão é vista como uma fraqueza humana e falta de lucidez.
Talvez os potenciais suicidas não confiem muito nos recursos às tecnologias existentes para pedidos de ajuda e as estatísticas vejam-se atrapalhadas a descobrirem os critérios das causas. Os efeitos são óbvios. Pelo menos a segurança social não precisa de pagar a baixa por doença. Há sempre vantagens, apesar do peso significativo em termos económicos: o desperdício do dinheiro investido na educação, a perda de um trabalhador activo e de um contribuinte. É necessário refazer a contagem para identificar o que sai mais benéfico – a prevenção ou a morte.
…"
(excerto, Capítulo XIII - Ana)



Tenho de ir.
O meu amor espera-me.

De passo em passo
Enquanto o pé se ergue
Enquanto o pé se firma
Encontrei-te

Passos sem rasto
Vens também?

de, Teresa Durães in Navia pág.s 80/81 e 163

13 comentários:

Um brasileiro disse...

oi. estive aqui dando uma olhada. muito interessante e bonito. gostei. apareça por la. abraços.

© Piedade Araújo Sol disse...

MM

uma boa escolha da Teresa.

beijinho

mfc disse...

Gosto da poesia imagética da Teresa.

QUIM disse...

Já há muito tempo não envio poemas à Teresa , minha correspondente ocasional no Blog.
Fica aqui um, meio lírico pateta, para Si!

Na margem de um rio
estava uma flor
transida de frio
dorida sem ter dor
sem medo do vento
da esperança tinha a cor
a vida trazia-lhe o alento
como se fizesse calor.



QUIM

Mar Arável disse...

Sempre uma presença estimulante

Ana Tapadas disse...

Excelente edição.

bj

Filoxera disse...

Este post daria um comentário extenso...
Resumindo: acho que é fundamental sabermos valorizar o que é essencial, não nos subjugarmos ao material.
Estou pela segunda vez no desemprego, com outros problemas preocupantes, e já vivi situações realmente difíceis, em termos familiares e de saúde.
É necessário parar e pensar. E adaptarmo-nos, aceitando algumas circunstâncias. Mas sem deixar de tentar melhorar.
Um beijo.

elvira carvalho disse...

Um tema pertinente que nos obriga a pensar. Principalmente a nós que já passámos alinha programada e não temos mais idade para iniciar novas etapas
Um abraço e bom fim de semana

heretico disse...

muito bem,

belissimo o poema.

beijos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Os nossos governantes deviam ler isso.

Teresa Durães disse...

obrigada pela tua escolha e a todos!

Isamar disse...

Um tema que merece uma reflexão profunda. A perda de valores numa sociedade em degradação acelerada, em completa " putrefacção" cria seres sem alma, sem sentimentos sem conhecimento do que é a solidariedade, a amizade, a fraternidade. Que triste mundo!

Belo texto!

Bem-hajas!

Beijinhos

Maria João Brito de Sousa disse...

Este texto da Teresa Durães deixou-me uma pergunta... raramente as faço. Detesto fazê-las.
mas, para além de uma apreciação francamente positiva de todo o conteúdo, aquele final pede-me que pergunte;
"É necessário refazer a contagem para identificar o que sai mais benéfico - a prevenção ou a morte."
Mais benéfico ou mais barato? Não quero parecer brutal, mas fico mesmo sem a certeza... e recordo - infelizmente recordo - momentos em que vi a saúde, mesmo a física, medida em cifrões... e estamos a vê-la, agora, cada vez mais...
Abraço grande!