domingo, junho 19, 2011

Apenas um instante...



Hoje acordei com vontade de dizer que tenho saudades do teu abraço, dos teus lábios macios tocando levemente os meus, das tuas mãos acariciando a minha nuca, deslizando suavemente pelo decote do meu seio.

Ah… o sonho… a facilidade de tornarmos tão real pensamentos íntimos que nem a nós próprios queremos, por vezes, confessar.

Gosto de imaginar a tocares-me e, tímida, afasto-te mas, ao mesmo tempo, o fogo do teu corpo encostado ao meu, abre em mim desejos que não quero olvidar.

Recordo os teus olhos, malandros, plenos de vida e carícias e neles, em sonhos, deixo-me afundar.


Existe vida para além dos muros de silêncio em que te encerras, digo a mim própria quando me sinto sufocar nas quatro paredes da gaiola de ouro onde me confino diariamente.


Olho o meu corpo carregado de desejos e ternuras. Sinto-me em metempsicose, como numa outra vida, a viver aquilo que me está vedado.

O meu pensamento vagueia no infinito: pode uma mulher anular dentro de si o apelo da natureza ou deixar que a explosão dos seus sentidos possa quebrar e banir padrões tradicionalmente impostos?

Valerá a pena o sacrifico de deixar morrer o seu corpo carente de afectos e desejos, incapaz de conseguir quebrar esses mesmos padrões que lhe impuseram?

Dentro da minha alma o sonho permanece … fogo, suor, caminhos por desvendar.

Nas tuas mãos me entrego. Juntos encetamos a viagem a todo o universo. Meu coração e corpo conjugam o verbo amar em todos os tempos… 


Dizer da palavra amar

falar dos sentidos da alma

dos desejos avassaladores
das noites mal dormidas
acalentando sonhos por realizar

Dizer da palavra tempo
que não existe
na nossa memória
oscilando, suavemente
à brisa do entardecer
por entre almíscares
que se colam na nossa pele

Dentro de mim
há um espaço para voar
que emerge

do oceano dos sentidos
e flutua

na consistência do ser


Porque o sonho dura
apenas um instante…




Imagem de Ragnes Sigmond