sexta-feira, dezembro 31, 2010

Novo Ano...

Um ano se passou desde que vos deixei o meu sentimento nestas palavras…

E, pontualmente, todos os meses, acarinhei este local como se vos afagasse directamente, independentemente do rasgar do tempo, por vezes, me impedir de ser assídua nas vossas casas.

Começar um novo ano é termos a certeza de que estamos vivos e partilhamos este Mundo com tudo o que de bom e mau ele nos oferece.

Nada mais vos posso oferecer a não ser o meu afecto e, sem dúvida, tudo aquilo que vou escolhendo para partilhar convosco, quer sejam as minhas palavras e sentimentos, quer sejam de outros.

Que o novo ano seja de paz, esperança e, acima de tudo, de afectos partilhados na procura de um Mundo melhor.

Do coração vos desejo…


Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só a metade
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado
O logro da aventura
És Homem, não te esqueças!
Só é a tua loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

(Poema de Miguel Torga in Diário XIII)

sábado, dezembro 18, 2010

Natal.

Porque a época Natalícia traz-me sempre recordações de infância, o cheiro dos doces que invadiam a casa, o colorido e o sabor de tantas outras iguarias que enchiam de brilho o olhar dos mais novos, as recordações muito mais fortes e presentes de quem já partiu, os lugares que ficam vazios e que mais ninguém conseguirá substituir…

Natal é nascimento… daquilo que sempre se deseja que melhor aconteça a toda a Humanidade.

É esquecer sofrimentos e deixar que o brilho das luzes, por algum tempo, ilumine ruas escuras, onde olhos envergonhados se escondem por debaixo de mantas e jornais aquecendo-se do frio da noite.

Mas é também tempo de Paz, de esquecimento de mágoas, de perdoar corações empedernidos pelo acumular de razões que a própria razão desconhece.

É um tempo de partilha, de comungar emoções, de estender a mão a outra mão e, juntas, se abraçarem.

É Natal.

Mais um na minha e na vossa Vida.

A todos

Feliz Natal


Otília Martel

terça-feira, novembro 16, 2010

Marginal...

"…Desenganem-se, no entanto, os que estão à espera de um livro de cantigas. Claro que elas, as cantigas (ou os seus poemas), também aqui se encontram, parte integrante e superiormente digna do percurso do seu autor. Mas essencialmente este é um livro - um belo livro - de poesia.

Não vale a pena buscar-lhe as referências, que esta é uma poesia que se estende pela rota das lutas, dos afectos, das ideias, tornando-se universal sem nunca perder o sabor a mar…”
lê-se na contracapa de “Marginal (poemas breves e cantigas)" em excerto do Prefácio de Viriato Teles que me comove quando a dada altura diz: "… Este livro mistura textos escritos em épocas diferentes o que acentua, em vez de sacrificar, a unidade do conjunto: a poesia, quando é verdadeira, sobrevive a todas as épocas. Uma referência ainda para esta edição: ao que sei, ela deve-se também, em boa parte, à persistência do João Balseiro e do Geraldo Alves. Os amigos, uma vez mais, e sempre. Vidas e cantigas e poemas, como deve ser. Bem hajam por serem teimosos e não desistirem, mesmo quando os ventos não estão de feição – e lá estou eu outra vez a marejar a linguagem. O Vieira da Silva merecia este livro há muitos anos. Fazê-lo, agora, é apenas uma questão de justiça elementar. E já não é pouco. Agora, só podemos ficar à espera de mais. …"

Imagem de Claudio Capobianchi

canção de mágoatantos sonhos esquecidos
perdidos no pó da estrada
tantos dias tantas noites
à espera da madrugada

o que foi feito de nós
companheiros de viagem
que é da nossa liberdade
feita de fé e coragem

vai-se o tempo e nós aqui
adormecidos no cais
entretidos com o medo
de já ser tarde demais

teimosamente morrendo
por detrás desta janela
a fingir que somos livres
com um cravo na lapela.

de,
Vieira da Silva
in, Marginal (poemas breves e cantigas), pág.87
ed. MC – Mundo da Canção, 2ª. Edição, Junho 2010


Imagem da capa do livro

E uma excelente lembrança para o Natal que vem aí.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Tanta Gente, Mariana

"Maria Judite de Carvalho, feiticeira secreta da solidão" dela escreve Urbano Tavares Rodrigues no final do Prefácio que assinou nesta tão esperada reedição de Tanta Gente, Mariana:

"…Há também na obra de Maria Judite de Carvalho desde o começo uma poética dos títulos, que aliás não é alheia a uma certa poesia da sua escrita, detectável em certas imagens que vibram na economia, que não é secura, dos eventos e dos diálogos.
Tanta Gente Mariana é, de certo modo, um retrato interior da mulher ao mesmo tempo meiga e arisca e tão secreta que eu profundamente amei e sempre admirei."
Foi com emoção que li o Prefácio da reedição de um livro que já li apaixonadamente por diversas vezes e cada leitura é uma nova revelação para mim…



Capa da nova reedição

“… Uma noite dos meus quinze anos dei comigo a chorar. Não sei já qual foi o caminho que me conduziu às lágrimas, tudo vai tão longe, perdido na fita branca do passado. Só me recordo de que o pai me ouviu e se levantou. Sentou-se ao de leve na borda da minha cama, pôs-se a acariciar-me os cabelos, quis saber o que eu tinha.
- Estou só, pai. Não é mais nada. Dei porque estava só e isso pareceu-me… Que parvoíce, não é? Estou agora só! E tu então?
Tentei rir a tapar-me, já arrependida da franqueza, mas ele não colaborou e isso salvou-o da raiva que eu havia de lhe ter na manhã seguinte. Não se riu e a sua voz, quando veio, era muito doce, quase triste.
- Também deste por isso – disse brandamente – Também deste por isso. Há gente que vive setenta e oitenta anos, até mais, sem nunca se dar conta. Tu aos quinze… Todos estamos sozinhos, Mariana. Sozinhos e muita gente à nossa volta. Tanta gente, Mariana! E ninguém vai fazer nada por nós. Ninguém pode. Ninguém queria, se pudesse. Nem uma esperança.
- Mas tu, pai…
- Eu… As pessoas que enchem o teu mundo não são diferentes das do meu… No fundo é muito provável que algumas delas sejam as mesmas, mas aí está, se fosse possível encontrarem-se não se reconheciam nem mesmo fisicamente…
Como havemos de nos ajudar? Ninguém pode, filha, ninguém pode…
Ninguém pôde.
…"
(excerto)A reedição de Tanta Gente, Mariana já se encontra à venda.

Uma bela prenda para o Natal que se avizinha

domingo, outubro 17, 2010

António Ramos Rosa

Fotografia pessoal tirada pela MM


António Ramos Rosa completa hoje 86 anos de Vida.

Por tudo o que nos ofereceu através da sua Poesia é, na minha opinião, um dos melhores Poetas Portugueses contemporâneos vivos e já viu o seu nome apontado como candidato ao Prémio Nobel da Literatura.

O vasto património poético que possui honra a Língua Portuguesa.

Hoje digo-lhe como é importante para mim a sua Poesia e como o amo pelo Ser que é.



Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

Poema de António Ramos Rosa,
in Viagem através duma Nebulosa, 1960,
"O Poeta na Rua", pág. 29.”



Parabéns, POETA


Imagem: para além do Poeta, encontrava-se presente Helena Domingues, minha Amiga e grande admiradora do Poeta e a quem devo o privilégio de o ter-me apresentado.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Convite...

O mundo virtual juntou-nos e criou entre nós uma empatia a que a sensibilidade e cadência das suas palavras não é alheia.

Apesar de se encontrar a viver na Alemanha manteve um elo permanente com a Língua Portuguesa e a vivência desses dois mundos tão diferentes sente-se no sentimento que se lê nas palavras que nos oferece:

a Sensibilidade

"tem a leveza do ar
a transparência das
águas do meu mar

por vezes leva-me a sonhar
uma dança não anunciada

por vezes leva-me a chorar
uma lágrima não pronunciada
…"
(excerto)




(clicar para aumentar a imagem)


Ler Maria do Rosário Loures é sentir a sua alma, que se mostra nua e transparente, quase como uma criança, revelando as emoções do seu quotidiano.

Em terras germânicas a sua poesia começa a ser editada a partir de 1996 pela revista de literatura da Francónia “WORTLAUT”

seguindo-se:

1997 - a revista de arte SIGN 7 publica onze poemas com um portrait da autora;
1998 - livro de poemas “Atlantikblau und Olivengrün” na editora Dr. Bachmaier Verlag, Munique, com a apresentação do mesmo como obra principal da editora na Feira Internacional do Livro de Frankfurt e mais tarde na Feira Internacional do Livro de Leipzig”; inúmeras apresentações do livro pela Francónia e na velha Universidade de Erfurt;
2000 - antologia “Pegnitzrauschen”, pela editora Fahner Verlag, Lauf a.d. Pegnitz
2002 – antologia “Pegnitzrauschen, zweite Welle“ da mesma editora.

É com muita alegria que vos anuncio o lançamento em simultâneo de dois livros no próximo dia 16 de Outubro, pelas 18 horas no Hotel Real Palácio / Galeria Prova de Artista à Rua Tomás Ribeiro, 115 em Lisboa

"Um Sumário da Minha Vida no Século Passado", com apresentação da obra e autora a cargo do Dr. Cruz Pereira.

Bilingue “Atlantikblau und Olivengrün/"Do Atlântico Azul ao Verde das Oliveiras", igualmente com apresentação a cargo da Dr.ª Manuela de Noronha Viegas.

(clicar para aumentar a imagem)


Contamos consigo


Apareça!


sexta-feira, outubro 01, 2010

Concurso Literário

Imagem de Alfarroba

Informamos todos os interessados que está a decorrer o primeiro Concurso Literário – CONTO por CONTO organizado pela Alfarroba Edições, nas seguintes condições:

- categoria: CONTO
- limite 24 páginas, redigidas em tamanho A4, Arial corpo 12, espaço 1,5
- trabalhos apenas em língua portuguesa
- inscrições até 15 Dez 2010
- cinco primeiros classificados verão o seu conto publicado em livro pela Alfarroba

"Há a história do gato, do tio, da avó. A história da vizinha, da escola, do autocarro.
Todos os dias há histórias. As que nos acontecem e aconteceram. As que contamos aos nossos amigos e as que fazem apenas sentido lembrar.
E depois há as outras. As que deviam ou podiam ter acontecido. Mas apenas fazem eco nas nossas cabeças, brincando connosco.
Todas estas pequenas histórias merecem ser contadas. Ponto por ponto, conto por conto."


Outras informações aqui e aqui


Atreva-se a este desafio!

sexta-feira, setembro 24, 2010

Remanescência de Vida...

Imagem de Marina Filipovic


Na suavidade da música que, como espuma,
toca a areia mansamente e permanece no ar,
lentamente, espraio o olhar, no momento em
que sinto a brisa do vento o meu corpo beijar.

De coração descalço de sentimentos amorfos
corro através do campo verde da minha alma
que se confunde com a fresca aragem do mar
que domina devagar o meu corpo e me acalma.

Prossigo nas asas do sonho, entre nuvens e terra,
na fragrância que se espraia para lá do impossível,
toca os sentidos da minha memória que se desnuda

na pulcritude etérea do firmamento onde nada e tudo
é possível, (a profundeza do sentimento remanesce),
no exacto momento que o pensamento se pensa mudo.


(memórias de mim...)

terça-feira, setembro 21, 2010

Porque hoje é... Outono

Imagem de Paul Boychenko


Um dia de Verão


Eis então o último dia de Verão. Faltam nove meses até ao próximo dia de Verão. Amanhã já se pode dizer oficialmente que se tem saudades do Verão e ele nunca mais vem. Mas hoje não. Hoje é um dia de Verão. Amanhã começa o período de compensações e prenúncios chamado Outono, em que nos serão devolvidos os dias de Verão que nos foram roubados, apresentados uns esboços do Inverno que aí vem e, nos intervalos, dar-nos-ão os dias inequivocamente outoniços que são cada vez mais difíceis de encontrar

As vindimas roubam ao Outono as uvas onde o Verão está escondido e levam-nas para lugares cobertos onde o Verão será liquefeito e prolongado, melhorando, bem protegido, enquanto as tempestades ou as brisas ou seja lá o tempo que for batem lá fora.

Gosto muito de ver chegar as uvas Malvasia e Ramisco à Adega Regional de Colares. É como assistir ao salvamento do Verão. Todas as frutas de calor já foram comidas. Agora vêm as que são para beber e ficam com o nome 2010. Sente-se que o tempo em ambos os sentidos, de tempo a passar e de tempo-clima, reúne-se num só tempo, explicando por que usamos a mesma palavra para duas coisas aparentemente tão diferentes. O vinho explica a ligação entre a meteorologia e a cronologia.

É pena não se celebrar os últimos dias das estações. A partir de amanhã haverá dias que "parecem Verão", mas hoje é mesmo um dia de Verão e é assim que tenciono passá-lo, deixando os choros e os até-que-enfins para o Outono.

de, Miguel Esteves Cardoso in Público de 20.10.2010

terça-feira, setembro 07, 2010

Olhos de chuva...


Pintura de Estall

Quando em mim
o céu se faz nuvem
o mar
voz dos barcos que partem do cais

e as estrelas do firmamento
velas flutuando
ao sabor das marés

meus olhos
são chuva miudinha
que cai
embalando as ondas
uma a uma
na praia dos meus sonhos e
se espraiam a meu pés.

terça-feira, agosto 24, 2010

O silêncio: lugar habitado.





Aqui, olhando as pessoas ao acaso,
vêm-me à lembrança aqueles dias
em que os nossos olhos se ajustavam
e tu lias, em voz alta, os autores
da nossa preferência.
Recordo isto, como um tempo
em que os pássaros vinham,
em grandes círculos, sobrevoar
a imprevisível alegria,
tecida por nossas mãos,
para iluminar, sobre a mesa,
as flores tardias de maio.

De
Graça Pires in O silêncio:lugar habitado, pág.11

sábado, agosto 07, 2010

Música da Natureza...

Pintura de Michael Garmash


Sorri minha alma no leve toque dos sentidos
que, como um rio, corre nas minhas veias,
em sensações arrebatadas pelo afago do vento
que na extensa planície meu olhar incendeia.

Sorri meu corpo na ternura do momento em que
se funde o pensamento na beleza que me rodeia.
No calor da pele abraçada pelo sol, a natureza
vibra, na cumplicidade do sentimento que me enleia.

Não temo o amor, nem a morte, se ambos
vierem devagarinho levando-me em sonhos
de carícias e a Lua se esconder no meu olhar.

Sob as pétalas da noite desliza o orvalho
em cascata de rios como lágrimas de amor
que cantam melancolias na música da Natureza.

domingo, julho 25, 2010

Lembranças...



Tico, tico
teco, teco

era o jogo
que fazia
quando era ainda
menina.

Elevo meu pé
no ar,
rodopio
em volta de ti
dou-te um beijo
na ponta do nariz
e tu
sorris para mim.

Tico, tico
teco, teco

agora que sou crescida
rodopio nos dois pés
e sorrio para ti.



(Poema dedicado ao Papá em memória dos meus tempos de Menina)

quarta-feira, julho 21, 2010

Sintonia...

Fotografia de Suren Manvelyan
Há no movimento de cada flor
uma música que permanece no olhar
como um beijo de alma apaixonada.

Há na beleza do ritmo de uma ave
a magia bela e segura como o amar.

Há no sentimento partilhado a ternura
de um abraço como musica que nos embala.

E há na sintonia da cor um mistério glamouroso
qual dança que nos enfeitiça e avassala.

sexta-feira, julho 09, 2010

Olhar dentro da alma...


o meu fiel Sting...

Estirada numa das cadeiras do terraço depois de todas as lides primárias domésticas serem tratadas, tais como... as plantas, os peixes, o passeio matinal, os pássaros, as roupas, etc, etc... descansei na frescura que, a esta hora, ainda desfruto num dos lados da casa e, de olhos semicerrados, olhei para dentro de mim.

Olhei... não com o olhar que miramos quem passa, ou reparamos nas folhas que se agitam, para lá da verdura que a vista alcança, mas com aquele olhar refinado que vê para além de todas as coisas.

Gosto de olhar para dentro de mim, de vez em quando, descobrir coisas esquecidas...como aquela vez que mergulhei vestida em pleno Outubro nas "Cascatas do Tahiti", quando passeávamos através do Cabril, no Gerês, para ganhar uma aposta e perdi uma das minhas sapatilhas preferidas. Mas valeu a pena...e fez sorrir a minha alma.

Há muito que não olhava bem o meu interior e, verifico agora, que poucas alterações sofreu, não obstante o "tempo" de chuva e sol, alternado por nevoeiros densos e constantes, abalassem a minha estrutura física.

Continuo a "rapariguinha franca e ousada" que não se deixava intimidar por circunstâncias adversas; o elo de ligação ao mundo exterior continua inviolável e inquebrável.

Sorrio...

Sorrio, porque sou frágil em tantas coisas, parece que, por vezes, tudo se quebra à minha volta, como um espelho para onde se atirou uma grande pedra e se desfaz em mil pedaços.

Mas não é assim... o meu lado frágil e sensível continua aliado ao outro, talvez herdado de gerações anteriores, forte, saudável, lutador, rindo-se das suas próprias fraquezas e com uma ânsia tremenda, de ver e sentir, o lado positivo da Vida.

E é neste instante que olho para lá de mim, para a força do mar, o verde esperança da vegetação que abarca o meu olhar, como um pulmão onde o ar se vai renovando a cada ciclo que a minha memória vai buscar nos recônditos do meu Ser e recordo como um dia me impressionaram as palavras de Oscar Wilde:

"As pessoas cujo desejo é unicamente a auto-realização, nunca sabem para onde se dirigem. Não podem saber. Numa das acepções da palavra, é obviamente necessário, como o oráculo grego afirmava, conhecermo-nos a nós próprios. É a primeira realização do conhecimento. Mas reconhecer que a alma de um homem é incognoscível é a maior proeza da sabedoria. O derradeiro mistério somos nós próprios. Depois de termos pesado o Sol e medido os passos da Lua e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, restamos ainda nós próprios. Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma? " in "De Profundis"

Hoje, olhei para dentro da minha alma...

Já olharam para dentro da vossa?

Um abraço


Texto escrito na Quinta-feira, de 13 de Agosto de 2009

domingo, junho 20, 2010

Sentidos de Vida

Pintura de Jacob Collins


Se tenho dois pés
para caminhar por caminhos floridos
ou serras agrestes e sinuosas

duas mãos para segurar tudo aquilo que quiser,
menos o tempo que passou,
mas que delas me sirvo,
para afagar, comer e escrever

um coração a bater,
num corpo que estremece, a cada lágrima que vejo
nas crianças sem sorrir, nos pobres a pedir,
nas mulheres maltratadas, nos animais abandonados,
nos cegos que caem nos passeios por arranjar
que, de tão estreitos serem,
nem uma cadeira de rodas lá pode permanecer

se tenho uma alma que acredita
num Deus que criou um dia o Universo,
e o fez à sua imagem e semelhança,
dando-nos as quatro estações do ano,
para que tirássemos o proveito de sentir a música da natureza,
as cores das flores, o sabor dos frutos,
a sensação do mar no nosso corpo a bailar

se tenho dois olhos e com eles vejo o bem e o mal,
o poder destrutivo, a complacência de muitos,
o povo amordaçado das palavras que não diz,
os que sobem por caminhos errados
e os que descem aos infernos
por não serem seus aliados

se tenho uma boca que tanto serve para beijar
como para observar num grito de revolta
aquilo de que não gosta nas gentes egoístas
que, sem conta nem medida, oprimem os seus pares

se tenho um nariz que detecta o odor  
e me diz ser bom ou mau
o produto que eu quis

faço do ouvir o que quiser
e com ele ouço somente os sons da natureza,
a música das almas singelas,
a melodia que o vento traz em palavras amenas,
verdadeiras, livres de hipocrisias e cinismos
e com elas desenho a pauta dos sons
que a música me oferece
na junção de sentimentos e poemas
e louvo o génio bendito daqueles que,
na grandeza serena da vida, viveram.


Nota: Escrito ao som das Quatro Estações de Vivaldi,
na tarde de Sábado, 19 de Junho de 2010

quarta-feira, junho 16, 2010

Bloco de gelo...


Imagem de Marta Dahig


Ao início da tarde coloquei
um bloco de gelo no coração.

Deu-me fome e sede
recolheu-se a inspiração.

Fui ao frigorífico
peguei nos morangos
passei-os pela água gelada
que escorria do meu peito.

Numa taça de cristal os coloquei.

Reguei-os com champanhe
decorei-os com chantilly
e percebi, afinal, porque tinha colocado
a tal pedra de gelo a derreter
num local que habitualmente está a ferver.

Era um apetite voraz de sentir na boca,
não um beijo apaixonado, mas o saboroso paladar
de uns belos morangos carnudos e vermelhos.

sexta-feira, junho 11, 2010

Lançamento de novo livro...

As minhas palavras seriam pobres demais, porventura, para falar de Isabel Mendes Ferreira e do seu novo livro.
Por isso, partilho as palavras de quem nos poderá falar com a convicção de quem conhece em profundidade a sua obra…

"As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar"

"É minha firme opinião, que a Isabel Mendes Ferreira, para além de uma excelente artista plástica - representada em várias colecções particulares, na Europa e nas américas, é a nossa melhor Poeta contemporânea. Já o disse, redisse, escrevi e rescrevi, que "ler Isabel Mendes Ferreira é como assistir ao descerrar de auroras, cantando e reinventado palavras de diferentes paladares por detrás dos fiapos da memória e da respiração das manhãs", e continuarei a dizer e a escrever o mesmo, enquanto não aparecer no actual panorama literário português, alguém que altere esta convicção, formada desde o dia em que a descobri e de que não esqueço a forte impressão que senti ao lê-la: uma pedrada na "modorra" instalada.

Ninguém actualmente escreve como a Isabel Mendes Ferreira: nem com a profundidade nem com o estilo, nem com a qualidade que lhe advém do domínio absoluto da escrita e de um jogo de palavras soberbo.
Como se pode ler no posfácio, “O sentido ambíguo da sua escrita, converte-se no que o excede e onde ser o mesmo é ser outro de si (é outrar-se, como diz Fernando Pessoa), o que apela à desconstrução do discurso tradicional”.

Para mim, é pois, extremamente gratificante falar do novo livro de uma escritora e poeta, despojada de falsas crenças da unidade da consciência identitativa, de uma escritora que transporta os verbos que ainda não estão corroídos, pervertidos, subvertidos, gastos, e que com ela voltam fantásticos, imortais, castos e vestidos de denso sentir.

Este, o seu décimo terceiro, é um livro que me fascina, aprecio-lhe o cheiro das areias do deserto e a cor do cair da noite quantas vezes ruborizada de pudor e aureolada de luminosidade divina, um livro para ler e reler, uma instância de retemperação. Um livro com chancela da Arcádia, onde voltaremos amiúde e que está a partir de hoje à venda em todas as livrarias Babel.

"As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar", integra uma novíssima colecção de poesia, iniciada por David Mourão Ferreira e onde é o terceiro título. "

de, José Pires F



Capa do Livro


e volto. com outro silêncio mais loba mais árabe menos faca antes farpa
outro vestido a mesma capa.
fui ao deserto. nasceu-me um filho. da terra vermelha. da terra sanguínea. da pele vestal
sou agora outra muralha desabituei-me da planície. fiz-me à montanha. galopei-me.
voltei.
mais secreta. menos incerta. menos asa. mais de areia. menos perguntas. menos respostas. de esporas.
quero menos. quero agora.
só agora voltei.
muitas mortes muitas viagens depois. para lembrar o que não esqueço. tudo o que trago
nos traços da pele. lama. perfume. finitude que me cega claridades de cal. e me afoga todos os afagos
e cala as palavras e descola os gritos. como placenta como raiz.
voltei para acordar do automatismo. do esboço. do risco. do retrato. do adjectivo.
voltei. estou aqui. igual. diferente. menos macia. mais árida. menos ávida. como se ao contrário.
redonda. aguda. crua. menos gata mais gasta bruta dupla contra o vento.
metade dionisíaca. metade socrática. e volto.

de,
Isabel Mendes Ferreira

sexta-feira, maio 28, 2010

Convite

Aquando da apresentação do seu livro “Madrugada sem Fronteiras” referi aqui que Albino Santos dispensava apresentações.

A sua Poesia fala por si.

No próximo dia 5 de Junho, (sábado) pelas 18,00 horas, terá lugar a sessão de lançamento do seu mais recente livro “A Evocação do teu Nome”, no Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22 - Porto)

SINOPSE

Diz Otília Martel, que prefaciou a obra, citando palavras do autor:

"Vou desfraldar as velas. Estou de partida para uma viagem à volta de mim"

Na verdade este conjunto de poemas é uma viagem à metafórica exploração dos nossos sentidos e mistérios. Uma janela aberta sobre a memória, um espelho que fixa para sempre, projectando momentos únicos de intimidade.



É URGENTE


É urgente abrir novos caminhos
Acender novas estrelas
Descobrir novos horizontes
Inventar outras cores
Penetrar outros espaços
Abrir fendas no tempo

É urgente quebrar o silêncio
e, passo a passo, habitar outras noites.

É urgente criar novos versos
Pensar novas metáforas
Buscar novas forças
Inventar novas artes
e partir sem medo e sem demora
para onde nasce o sonho
e, de novo, esculpir a vida.

Albino Santos



Dia 5 contamos consigo!

quinta-feira, maio 20, 2010

- Voar e respirar -


Pintura de Graciela Bello


Neste tango que danço
sentindo o corpo
ao sabor da música
que toca a canção de todos
os tempos.

Segura de meus passos
- movimento
respiração
sorriso
inspiração -
nas ondas do mar
permaneço.

No corpo, os sentidos.
Nos lábios, o gosto
nunca adormecido,
de um beijo perfeito
recebido e jamais
esquecido.

É a razão da alma
que anima
e faz a diferença;
coerência que domina
dá-nos a ciência
de não amar
o fio de uma teia
de aranha.

Oásis de ternura
- voar e respirar -
neste tango que danço.

sexta-feira, maio 07, 2010

O Adeus a uma AMIGA

Toda a partida é dolorosa, mas mais dolorosa se torna quando é a de alguém que nos é querido.

A imagem que apresento era a marca de perfil de Helena Domingues, (a Nucha como carinhosamente os Amigos a tratavam) nos seus Blogues Orion, Para Lá de...Procyon e Shoshana no Céu e na Terra.

Esta é a minha homenagem a uma Amiga muito querida, que permanecerá para sempre no meu coração.

Obrigada Nucha, pela tua Amizade.




O impulso inicial que as águas primordiais nos ofertam permite-nos,(simples humanos, de poeira de estrelas fabricados), atingir de novo o Infinito, de onde viemos.

É longa a Caminhada.

São muitas as Provas pelas quais temos que passar.

Despojando-nos de tudo, segurando apenas a Pedra que vive em nós, e é a nossa Alma. Cuidando-a, burilando-a.

Caindo e levantando-nos de novo, transformamo-nos no Ser.

Um Ser, em constante demanda da Luz , da Perfeição e da Paz.

No início vemos apenas a luz bruxuleante da vela. Contudo, ela guiar-nos-á à verdadeira Luz do Saber Antigo


Até Sempre, Nucha

segunda-feira, maio 03, 2010

Em mês de Aniversário...

Cinco anos.

Cinco anos se passaram desde que vinda de um outro blogue, cujo servidor já não satisfazia os meus anseios de postagens, convosco partilhei uma parte das minhas alegrias e tristezas.

Aqui, neste espaço, simbolizei muitas vezes o afecto e amizade que dedicava a cada um de vós.

Aqui, neste espaço, comungaram todos os intervenientes do berço dos meus afectos e das minhas partilhas.

Reportando-me às palavras referidas aquando do segundo aniversário, num texto que vos dedicava, nada se transmutou no meu coração não obstante os interregnos que têm acontecido mas que não me fazem esquecer-vos.

Cinco anos… é também o tempo que o
Eternamente Menina II, um espaço que me é tão especial, cumpre exactamente no dia 19 de Maio.

Óleo de Jacqueline Nibelle


Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página
E aproveito o facto de teres chegado agora
Para te explicar como vejo o crescer de uma magnólia.
A magnólia cresce na terra que pisas — podes pensar
Que te digo alguma coisa não necessária, mas podia ter-te dito, acredita,
Que a magnólia te cresce como um livro entre as mãos. Ou melhor,
Que a magnólia — e essa é a verdade — cresce sempre
Apesar de nós.
Esta raiz para a palavra que ela lançou no poema
Pode bem significar que no ramo que ficar desse lado
A flor que se abrir é já um pouco de ti. E a flor que te estendo,
Mesmo que a recuses
Nunca a poderei conhecer, nem jamais, por muito que a ame,
A colherei.

A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão


Daniel Faria, in Dos Líquidos


Uma palavra a todos porque são a razão da minha existência aqui…
Obrigada

domingo, abril 11, 2010

No mundo do Girassol...saudando a Primavera...


Imagem de autor desconhecido


Girassol, Girassol...

minha flor que defrontas o Sol
contigo sou lua cheia,
astro-rei que ao entardecer 

se enleia

Contigo sou amador
no mundo, em outro mundo,
que, sem ser profundo, é de dor
e de amor.

Girassol, Girassol...


Comigo comungas
a alegria profunda de um olhar
neste farol de vida 

em que a existência
é o olhar mais intenso 

que partilhas neste mar imenso, 
num céu azul, de nuvens brancas
onde, sensível, ecoa música, 

 ondulante no sentimento ameno 
de um mundo colorido
pleno de amor.



sexta-feira, abril 09, 2010

Vento de Primavera



Neste cheiro de maresia
nestas ondas de prata
neste vento que rebela
meus cabelos de rajada.

Entre tantas marés
num sentir de emoções
areia que o mar beija
o céu azul de nuvens brancas
onde as gaivotas esvoaçam.

Serenos, desejo os dias
que meu coração porfia;
melancolia adeja de mim,
neste tempo de Primavera!



Imagem: eu na minha praia favorita.

sábado, abril 03, 2010

Cântico do Homem




Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida
E meteu-se a caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro...
Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta,
Em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza!

Miguel Torga, in Cântico do Homem



FELIZ PASCOA

quinta-feira, março 18, 2010

Convite...

Voando por Aí… é um blogue que muitos de nós, que andamos aqui há anos, nos habituámos a conhecer, respeitar e admirar, pela partilha que nos oferecia.

Habituámo-nos a reconhecer nas palavras da sua autora, a sensibilidade da alegria, da perda, do sofrimento, da dor, da partilha de uma infinidade de sentimentos, que ora voavam para fora dela, ora para o seu próprio interior.

Na arte da escrita Teresa Durães é sem dúvida uma das pessoas que menos me surpreendeu quando, finalmente, anunciou a publicação do seu romance Navia.

Há muito que me intuía que as suas palavras não poderiam ficar condicionadas somente ao seu blogue e comentadores que a admiravam.

É com grande prazer que vos convido a estarem presentes endereçando a todos este…






"Navia, nasce no ano 410 D.C, época em que a Lusitânia encontra-se instável devido às invasões dos Suevos, Alanos e Vândalos. O Cristianismo começa a espalhar-se mas tanto a nova religião como a antiga ainda vivem lado a lado. Ela vive num Castro na montanha. Ana, nascida neste século, não consegue adaptar-se ao estilo de vida que a sociedade impõe."



Dia 20 contamos consigo!

quinta-feira, março 11, 2010

Palavras diáfanas...

Pintura de Persida Silva

Sorvo o mel 
das palavras diáfanas
que entram, 
como estrelas cadentes, 
no mar.

Palpitantes de vida,
em arco-íris de mil cores
no pensamento
voam
como gaivotas
no firmamento.

sexta-feira, março 05, 2010

Um livro que dava uma verdadeira Novela...

Entre a ficção e a realidade, entre o sonho e a realização desse sonho, vai um espaço que gosto de percorrer, descobrindo a sensibilidade de cada autor e o que as suas palavras provocam no meu sentir.

Ler “Por Tentativa e Erro” da Teresa Cunha, foi uma verdadeira aventura.
É essa aventura que em breves trechos vos convido a ouvir
aqui no Sons da Escrita onde o José-António Moreira “empresta” o fascínio da sua voz na leitura ousada de excertos de um livro surpreendente.

Esta licenciada na Universidade de McGrill em Ciências Políticas numa forma sui generis traça o percurso semi-biográfico da sua carreira profissional no Alto Comissariado das Nações Unidas, relatando as muitas atribuladas situações porque passou no desempenho da sua missão.

De uma forma despretensiosa, diria quase com certa humildade, dá-nos o relato real de uma luta diária, entre culturas completamente diferentes da sua, num humor que só um grande escritor poderia equacionar.

“Por Tentativa e Erro” é o relato, em 246 páginas, da vivência de uma Portuguesa que em vários Países acompanhou as mais recentes guerras sobretudo em África e nos Balcãs e que termina assim:



Imagem: Teresa Cunha


“…Depois de me ter revisto perante o tempo que já gastei devolvo-me à minha memória de mim mais inteira e quase certa, de que tudo o que sou e sei, me veio por tentativa e erro, ... e no que diz respeito a métodos de aprendizagem ainda agora não me ocorreria outro melhor.
Já dizia o Poeta que para contar a sua vida bastaria dizer que entre o primeiro e o último, todos os dias foram seus.. Ao retomar posse dos meus dias eu leio na prosa dos anos e nas entrelinhas da experiência revisitada, a letra simples dum fado que eu decerto mereci e cujo refrão insiste em levar-me precisamente de volta ao meu ponto de partida.
Talvez eu nunca venha a ser mais feliz do que já fui e nem sequer tenha mudado muito desde o dia em que trouxe aquilo com que nasci para a vida que se quis minha ... mas curiosamente é aí que eu encontro o meu maior conforto ...
.. e descubro até um enorme alívio cómico .... . ou quem sabe, kármico,

.. nessa ironia.

(excerto in, “Por Tentativa e Erro” de Teresa Cunha)

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

exercício espiritual


 

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

Poema de Mário Cesariny,
in Manual de Prestidigitação (1981)



Imagem de Persida Silva

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Rosa Lobato de Faria

Não chores a dor da morte
Chora a alegria de ter vivido
A ternura murmurada
A palavra abraçada
O sorriso oferecido.
(Otília Martel)



Com que pedra de sal
com que promessa
com que pássaro solto pela casa
com que folha de louro
com que sonho
com que lua entornada no alpendre
com que livro de quem
com que sonata

temperarei a dor da tua ausência
o silêncio
o vazio na minha cama
os gritos do meu corpo
o pão por partir da minha alma

Com que chuva
lavarei o rumor dos teus passos
no magoado coração dos dias

Com que pranto
afogarei teu rasto
com que manto de lava
com que mar.

(excerto)
Rosa Lobato de Faria in A Gaveta de Baixo

(1932 - 2010)

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Nas asas do sonho...


Voo nas asas do sonho no azul do céu que me cobre
em asas de borboleta vagueio na ternura do amor
que me guia para lá do infinito na alegria partilhada
luz dourada do pensamento que a vós me une

Voo em palavras aladas que permanecem
na memória constante do sorriso do meu olhar
que sente o odor das madressilvas na terra molhada
onde as borboletas vagueiam como sonho do verbo amar

No campo aberto da minha vida madressilva serei.
No desafio imutável do tempo onde persiste a dor
me devolverei ao mundo sonhando na raiz do pensamento.

No mar constante da vida entrego-me, qual borboleta
de asas azuis, ao mistério do sol que ilumina as horas
dos meus dias de incertezas mas também de alegrias.