domingo, setembro 28, 2008

Elegia


Fotografia de Fefa  Koroleva


Nem os
dias longos me separam da tua imagem.
Abro-a no espelho de um céu monótono, ou
deixo que a tarde a prolongue no tédio dos
horizontes. O perfil cinzento da montanha,
para norte, e a linha azul do mar, a sul,
dão-lhe a moldura cujo centro se esvazia
quando, ao dizer o teu nome, a realidade do
som apaga a ilusão de um rosto. Então, desejo
o silêncio para que dele possas renascer,
sombra, e dessa presença possa abstrair a
tua memória.



Nuno Júdice

quinta-feira, setembro 25, 2008

Convite



Tenho o prazer de comunicar que amanhã 26 de Setembro, pelas 19.00 hrs na FNAC do Chiado, a Papiro Editora vai proceder ao lançamento do livro 'Apoplexia da Ideia', cujos autores são Maria Quintans (Bandida) e João Concha (Intruso).

Poema

amputada. de palavra disfarçada. amputada. cinzelada não se sabe onde. plissada. esfarrapada. especada. ensimesmada.

am puta da. hã??

ai, que puta de dor.
dador de sangue. da dor. am puta dor.
não se sabe porquê.
ninguém vê a paragem do autocarro, ali ao pé do marquês, onde havia uma
palavra recortada. amputada.

já te vi dentro de mim.
esquadrinhada. enregelada. fada.

isto é um manifesto tresloucado. despenteado. amputado.

que puta de dor.

atada.

(Bandida)

domingo, setembro 21, 2008

Mimos e prendas...


Este foi o miminho que, com toda a sua simpatia, a Vivianne do Friends Forever resolveu atribuir a este blogue.

Confesso que me é sempre difícil a tarefa de escolher, de entre tantos blogues com quem partilho afectos, o número que neste caso será de quatro, para partilhar o miminho que me foi oferecido.

Mas as regras do jogo, que aceitei, são assim mesmo e por isso, aleatoriamente, passo o testemunho a:

Simultaneamente quero partilhar o presente que dois grandes Amigos tiveram a gentileza de preparar e que través da Blogspot não me foi possível postar neste blogue, pelo que decidi colocá-lo
aqui e deste modo para além de o partilhar com todos vós, agradecer o carinho que me fizeram.



terça-feira, setembro 16, 2008

Mais um Verão a findar...

Um dos ensinamentos que recebi em criança dos meus Pais que, igualmente, o tinham recebido dos seus, e que eu própria passei aos meus filhos, foi: “ diz-me como tratas os animais dir-te-ei como és e os sentimentos que possuis.”

Confesso que, muitas vezes, me sinto a detestar o Verão e o consequente período de férias, porquanto nesta época, o número de animais que são abandonados, é cada vez maior.




Este é o Kiko… e, quando tomei conhecimento da sua história, uma revolta imensa tomou conta de mim.

Alguém, sabe-se lá por que demoníaco motivo, resolveu metê-lo num saco de plástico fechado e atirá-lo para dentro de um contentor do lixo, situado ao fundo da rua onde resido em Arcozelo.

Imagine-se o espanto de um dos moradores ao constatar, no momento em que para lá deitava o seu lixo doméstico, que algo se movia dentro do contentor!

Inicialmente, assustado, até pensou tratar-se de uma criança e pediu ajuda a quem passava, para retirar imediatamente de lá o ser que se mexia dentro do saco fechado; quando finalmente o abriram, uns olhos esbugalhados de espanto e de medo, fitou-os, mal acreditando, talvez, que alguém o pudesse ter salvo.

Junto do casal Carolina e Luís, das suas jovens filhas, Catarina de 15 anos e Mariana de 7, moradores na mesma rua, o Kiko (nome com que o baptizaram) encontrou uma família que o adoptou mal souberam da traumática situação por que ele tinha passado. Numa forma de demonstração, que a solidariedade e amizade começa a ser definida muito cedo, dando exemplos de responsabilidade, civismo e ternura, por aqueles que afinal, podem ser os nossos mais fiéis amigos, tomaram conta do pequeno Kiko.

É triste verificar que no início do Verão, muitos animais são abandonados ao seu destino, quantas vezes para que os seus donos possam ir de férias ou então porque o animal cresceu mais do que devia!

Como é possível, essas pessoas passarem as férias alegre e despreocupadamente sabendo, que os animais que eles até então protegiam, se encontram abandonados, muitas das vezes feridos e esfomeados?

Mais um Verão está a finalizar; enquanto uns regressam a casa, vazia da alegria dos latidos dos nossos amigos, outros preocuparam-se em recolhê-los e abraçar projectos de protecção a esses mesmos animais que um dia deixaram de ser queridos na casa de "alguém"…


Deixo-vos aqui e aqui exemplos, do que a solidariedade e a afectividade podem fazer, mas também In Memoriam daqueles que não sobreviveram ao egoísmo e crueldade de muita gente.


Por favor, proteja os seus animais... não os abandone.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Solidariedade... Blogagem Colectiva.

A maioria de vós conhece a história da Flávia a menina que se encontra desde 06 de Janeiro de 1998 em coma vigil e a luta constante de Odele Souza, sua Mãe.

Hoje, haverá uma blogagem colectiva internacional, para apoio a Flávia e Odele, e cuja tema será JUSTIÇA para FLÁVIA. Para conhecerem os pormenores desta Blogagem, e se eventualmente não conhecerem ainda Flávia, agradeço-vos que visitem o Blog Flávia Vivendo Em Coma.



Imagem de Isabel Filipe

Une a tua mão às nossas participando deste momento de solidariedade.
Informa, por favor, no
Blog da Flávia, em comentário, da tua participação.

Selo do Blogue ADesenhar


Dez anos de idade
Sonhos de infância em apogeu
Criança linda de verdade
Que a mão do Homem adormeceu.

Vinte anos agora tem,
Seu olhar impávido e sereno
Dá força a sua Mãe
Que a cuida com tanto zelo.

Um verdadeiro bebé grande
É esta menina imaculada,
Por isso há muito quem reclame
Pela justiça atrasada.

O ralo dessa piscina
Não sugou só seus cabelos,
Sugou-lhe também da vida
Tudo o que há de mais belo.

Uma vergonha verdadeira,
É de bradar aos céus tanta lentidão
Porque na justiça brasileira
Dorme a voz da razão.

(Poema de Ana Martins partilhado igulmente pela
Isabel Filipe)

*... hoje o meu blogue está em coma virtual, solidário com Flávia...*

sexta-feira, setembro 12, 2008

Quem sabe, Amanhã será Primavera

“É num tom de melodia que escorrem os poemas que compõem esta obra, personificando a pele de duas personagens que, estando longe, estão afinal bem perto, porque não há distâncias quando se partilha idêntica capacidade de sonhar.

Estes dois poetas, que premiaram já a Poesia com vasta obra de grande beleza estética e lírica, reuniram-se agora para uma viagem ao País do Faz-de-Conta, o tal que parece estar longe do real, mas que está sempre tão próximo da realidade. Ora, esse País, não é mais do que o território da memória onde se constrói a realidade com as marcas da existência.

Mas, se neste livro as páginas esvoaçam pela brisa do passado, é o presente que lhes confere a necessária consistência. “ (excerto da Sinopse)

Maria Mamede e Albino Santos têm um vasto currículo demonstrado nas várias obras literárias já publicadas.

Quem sabe, Amanhã será Primavera” é uma obra em co-autoria onde a poesia e a prosa poética se conjugam e
terá o seu lançamento no próximo dia 15 (segunda-feira) às 21,30h, na Feira do Livro de Gondomar, ao Largo do Souto.

Eu vou lá estar.

Capa do Livro


Março findava
e chegaste com as andorinhas…
Os primeiros chilreios geraram o encantamento.
E o amor, subindo em espiral,
aninhou-se no peito, nos olhos
e nidificou na boca
e nas mãos…
Não notamos sequer que o verão passou
e que os últimos raios de sol, partiram já,
incandescentes,
no bico das andorinhas
levando com eles a promessa…
prenúncios de frio chegavam do oriente.
E tu, chegado com as andorinhas,
partias com elas!...



(in "Quem sabe, Amanhã será Primavera")

domingo, setembro 07, 2008

A Uma Bicicleta Desenhada na Cela


Pintura de Joseph Teixeira de Mattos


Nesta parede que me veste
da cabeça aos pés, inteira,
bem hajas, companheira,
as viagens que me deste.

Aqui,
onde o dia é mal nascido,
jamais me cansou
o rumo que deixou
o lápis proibido...

Bem haja a mão que te criou!

Olhos montados no teu selim
pedalei, atravessei
e viajei
para além de mim.

(Poema de Luís Veiga Leitão in Noite de Pedra, Líricas Portuguesas,pág. 222/223)

sexta-feira, setembro 05, 2008

Quadras Populares...

O desafio que aqui foi lançado pela Inês Ramos mereceu da parte dos poetas da blogosfera e, de fora dela, uma adesão estrondosa à iniciativa; partilho as quadras vendedoras e os nomes dos seus autores.

Parabéns a todos.



Imagem de autor desconhecido

Categoria: Amor

o adeus do teu sorriso
é a luz a que me aqueço:
no teu corpo me eternizo
quando do meu me despeço.


Fernando Pinto Ribeiro

Categoria: Desamor

O mal de amores não tem cura,
nem a tua ingratidão
Eu dou-te a minha ternura,
tu partes-me o coração


Myriam Jubilot de Carvalho

Categoria: Escárnio e Maldizer

De branquinhos a vermelhões,
fruto de grandes escaldões.
Em vez de levarem os cremes,
apostaram nos garrafões.
E um copinho... Bebes?


Sérgio Figueiredo


Categoria: Crítica social

Onde tudo gira a esmo,
Com injustiças aos picos,
Os pobres, são pobres mesmo
Enchendo a pança dos ricos!...


Fernando Santos

Vai-se da escola à política
E do direito a juiz;
Há quem nasça a fazer crítica
Sem perceber o que diz.


Julião Bernardes

Está na moda ser ladrão.
O que é muito natural…
Se o curso da formação
é bem pago em Portugal…


Teresa Gonçalves


A besta reaccionária
Está à Esquerda, e à Direita:
É, na essência, ordinária
Sob aparência escorreita


Myriam Jubilot de Carvalho

Categoria: Lisboa

Esta Lisboa sem fundo
ouve agora línguas outras
é cidade com mais Mundo
é moça com muitas roupas


Eusébio Tomé


Categoria: Humor


Esse teu olhar furtivo
- bandoleiro atocaiado -
fez de mim um morto-vivo:
inda em pé, mas fulminado.

Adauto Suannes

O sol queima,
o amor é louco.

Braz & Braz
Paga-Pouco

Myriam Jubilot de Carvalho

Para vencer na vida,

hermão,
perde-se a Vida
e o coração


Myriam Jubilot de Carvalho

Categoria: Saudade


Vejo a lua, face bela,
Que te espelha, meu amor.
Tu, lá longe, tão distante…
Olha a lua, por favor!


A esperança é do tamanho
De uma caixa de correio
– Nasce todas as manhãs
Com a carta que não veio



Categoria: Sabedoria popular


Cada um sabe de si
Mais que outro de si sabe
Não invente ou adivinhe
Um saber que não lhe cabe


Helena Domingues


Dou-vos de mim quanto posso
Mas de mim tudo não dou
Pois se eu todo for só vosso
Não serei mais quem eu sou


Jorge Castro



(Quadras completas no blogue Porosidade Etérea)


Ouvir as quadras na voz de Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir)