sexta-feira, agosto 29, 2008

Andar nas nuvens...

Um dia destes alguém me dizia que eu tinha ar de quem andava nas nuvens!


Sinceramente, já aludiram várias vezes a que eu tinha ar de… marota, boa rapariga, vaidosa (nem sou) de senhora do seu (meu) nariz e mais uns tantos adjectivos que agora não recordo, mas de andar nas nuvens, nunca ninguém o tinha referido, até hoje, claro…e até me atribuíram um prémio por isso!
Despertei a vossa curiosidade? Eu conto…
Passeava calmamente pelas alamedas da blogosfera quando, de repente, a minha atenção virou-se para as imagens que se seguem e respectivo texto.

Em síntese, refiro que pediam para identificar o local



Reminiscências florestais passadas, que fazem parte de memórias e locais felizes, entre família e amigos, fizeram com que atirasse para o “ar” o primeiro nome que me ocorreu…

Surpreendida, leio num comentário, no tema anterior, o seguinte: A Menina ganhou um prémio! ;) Queira por favor recebê-lo:”
Nem acabei de ler o resto… segui o caminho indicado e acabei por descobrir que me queriam mandar para
estas nuvens…




Que me dizem? Aceito o prémio? Valerá a pena o risco?

Ou será preferível continuar a ver as nuvens cá de baixo?
Fotografias daqui

domingo, agosto 24, 2008

Despertar...


Hoje acordei tarde. Não me lembro de, nos últimos tempos, isso ter acontecido. A Natureza, que sinto e avisto do terraço do meu quarto, não buliu só para que o meu sono não fosse interrompido.

O meu corpo desperta a cada madrugada que cicia ao meu ouvido sonhos esquecidos, ternuras abafadas, desejos incontidos…

E o Sol, que me despertou no calor dos seus raios, traz-me o recado que a lua deixou nos meus sonhos.
Pintura de Henri Matisse

Sinto teu corpo em mim
...e...assim...

alma sem fim
ardente
em tempo que persiste
rasgo de pele
veemente
em pensamento diluído
no tempo da promessa.

Tens na palavra
o encanto da brisa
na aragem lavrada.

Sinto a quietude do mar
melodia do solfejo
nas ondas que se espraiam
em areia e espuma
de mil cores

No vermelho pôr do sol
a lua entrega um beijo
e dança com a brisa
a canção dos seus amores

sexta-feira, agosto 22, 2008

Poesia... 2008

Oportunamente divulguei aqui o início do Concurso de Poesia 2008 levado a efeito pelo Ora, Vejamosdo Henrique de Sousa.

Um concurso muito concorrido, que teve como júri Heloísa B.P, Ana Rita Magalhães e Firmino Mendes, que atribuíram a seguinte classificação:


1.º Prémio (500 €) – Meia-noite na Alma
Alberto Pereira, Portugal

2.º Prémio (250 €) – A falta
Maria de Lourdes Barbosa Oliveira, Didi, Brasil


3.º Prémio (100€) – Minueto a uma Dama de Cravos
Paulo de Carvalho, Brasil

O almoço da distribuição dos prémios será no próximo dia 23 de Agosto (sábado) em Leiria no restaurante Grelha.
Capa do livro Poesia 2008



nesta guerra de mundos

nesta guerra de mundos
vazios
planto oceanos
nas curvas da estrada
e a chuva pára
nos teus olhos de areia
como no tempo
em que só te imaginava
vento murmúrio feitiço de águas
e os teus olhos eu esculpia
na areia macia molhada
que o mar me trazia
e enfeitava com conchas e carinhos
e luz de estrelas que ao céu roubava

(assim brincava eu aos deuses)

e tinha algas por cabelos
e laranjais pelo corpo
laranjas doces e perfumadas
que eu descascava e sorvia e voava
e tu estremecias
com a luz intensa dos teus olhos

e aos poucos adormecia abraçado
ao berço aconchegante dos teus braços

e em sonhos
de mansinho

sempre a ti regressava


Poema de Jorge Casimiro

 (Menção Honrosa) - pág.196

quarta-feira, agosto 20, 2008

Partilhando...

Para além do gosto pessoal em partilhar poesia e textos que vou encontrando pelos caminhos da blogosfera, no decorrer dos últimos meses assisti ao lançamento de algumas obras de poetas ligados a esses caminhos, nomeadamente


“O Ciclo Menstrual da Noite” da jovem Alice Macedo de Campos cujas imagens poderão visualizar no Portal do Mhário Lincoln do Brasil.


Zaida Paiva Nunes, carinhosamente conhecida por Avó Zaida apresentou dois livros, “Talvez” e “Suave Trilogia”, da Trilogia Poética que se iniciou com "Pedaços de Mim", cujo desenvolvimento do excelente convívio, poderão visionar neste local.


Teresa Gonçalves aqui referida e que assina o pseudónimo Ísis no "Singelo Canal", apesar de só recentemente ter aderido às lides bloguistas tem variadíssima obra publicada. 




Quero-te ouvir_meu Portugal
fala-me na tua língua
na língua de Camões
fala-me não do passado
fala-me do presente e do futuro
fala-me no que somos hoje e no que seremos amanhã
fala-me da alma do teu povo na paisagem de um
poema
fala-me sobre as imagens de sonho na intensidade de
um texto
Portugal_fala-me
fala-me sobre a boca verdejante mordendo a terra
convertida ao silêncio
fala-me dos beijos queimados à mãe Natureza
fala-me da solidão das águas poluídas dos rios numa
taça vazia
fala-me das convulsões frenéticas à revelia de falsas
promessa
Portugal_fala-me
Quero-te ouvir falar_meu país.

Poema de Ísis in "Singelo Canal", pág.81

sábado, agosto 16, 2008

aberta a porta do mar imenso

O Menina Marota irá continuar a viagem interrompida, de divulgação de poemas e autores conhecidos, famosos e desconhecidos, que mais se identificam com a sua sensibilidade pessoal.

Paralelamente, semanalmente, serão divulgados no item “Blogues em Destaque” (à direita da página), aqueles que pelo seu conteúdo ou carisma, chamaram a atenção da autora desta página.



Grata a todos pela vossa presença.




óleo de Joop Frohwein


a minha mão repousa sobre o teu corpo,
e sei que sou mortal.

nada te dou que seja só meu.

ofereço-te sombras sulcando a beleza das coisas
pedras preciosas de barcos e viagens ao sol
reflectidas na prata do tempo.

flutuam nelas a água da minha solidão
e o imponderável infinito
que nos separa.

terás sido outrora uma chama
que se desfez no meu peito em perfume
de rosas


(Poema de Mariah)

domingo, agosto 10, 2008

A casa...


Imagem de Alexey Andreev collection


A casa apareceu na subida da rua. Por momentos parei olhando em redor, serenamente. Há muito deixei de ser a rapariga azougada que subia de rompão e irrompia na casa gritando alegremente: Avô… Avô…

E recordei as suas histórias contadas à lareira, enquanto no lume, uma panela preta de três pés cozia castanhas com erva-doce de que ainda guardo o cheiro e o paladar. Talvez inventadas, eram histórias de mouras encantadas que choravam o amor perdido do senhor do castelo.

Num impulso, galguei os seis degraus que me separavam da velha porta e, quando o ruído ensurdecedor de anos de aferrolho se fez ouvir, fechei os olhos.

Às apalpadelas, dirigi-me para as janelas e abri as portadas com dificuldade.

Através dos olhos semicerrados senti a luz que entrava a jorros.

Lentamente, virei-me para o interior olhando todo o aposento e pensei o quão feliz tinha sido naquela casa durante a minha infância; como num sonho, todos os sons e figuras de outros tempos povoaram a minha mente. Reagi e, numa corrida rápida, percorri aposento por aposento, abrindo de par em par, as restantes janelas.

Tinha decidido retomar a Vida nas minhas mãos. Que melhor local para me encontrar, se não este?

Quando finalmente o meu corpo despido entra na banheira cheia de água tépida, cansado da azáfama de tornar a casa acolhedora, sorrio maliciosamente…


Sinto teu corpo em mim
...e...assim...

O pensamento corre veloz como o vento no alto do Castelo. O desejo que há muito reprimia no meu corpo irrompe como a água que corre na mina que fornece a casa…


As tuas mãos,
que não tocaram meu corpo nestes dias sem tempo,
viajam no sonho e nas palavras,
florescendo no corpo húmido que se agita no desejo.


Ó estranha sinfonia, que toca, poro a poro, todo o corpo, na mais doce das melodias.

Através da limpidez da água olho o meu corpo e um mundo de sentimentos aflora em mim. Deixo-me resvalar e mergulho completamente dentro dela.

Um ruído abafado fez-se ouvir com insistência fazendo com que saísse da letargia onde me encontrava mergulhada, ao perceber que alguém tocava teimosamente à campainha da porta.

Descalça, com a água do banho escorrendo ainda, percorro o comprido corredor e, perto da porta, percebo que o meu corpo está desnudo; olhando em volta, socorro-me da larga cortina branca que esvoaça perto, enquanto a campaínha continua a tocar…


Sabes à seiva da terra
e trazes no corpo
doces carícias
que aquecem
meu sangue
transportando-o
para lá do sonho e
da imaginação.


Os seus lábios ávidos envolvem-me, as suas mãos percorrem o meu corpo húmido, enquanto ao longe um som se aproximava cada vez mais… a campainha continuava a tocar obstinadamente.

Abro os olhos. O sol, rompendo através da clarabóia, desperta-me do sonho. Num gesto rápido desligo o despertador e começo mais um dia.


Na dança da vida
a música toca a melodia
que sentimos na alma.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Ro-do-pio ver-ti-gi-no-so!

Não sei há quanto tempo me enleiam as suas palavras e a forma tão pueril de estar na blogosfera.

Uma forte empatia aproximou-me e quantas vezes me revejo… como neste texto que decidi trazer sem pedir licença. Penso que a
Madalena não se importará…


Ro-do-pio

ver-ti-gi-no-so!

cega a tudo que não fosse aquele rolar. esfacelante. encosta abaixo




Assunta



ao deixar de pensar reergui a cabeça. mais à tona de água

não há descidas infinitas. não há inferno sem paz. por fim.

a planície acolheu-me e os braços dos amigos____ ramadas estendidas

nunca

tinham deixado de estar lá.

sei agora o sítio exacto aonde estão e quantos são.

árvores benditas

a impedir que voltem a fazer-me____transbordar

quarta-feira, agosto 06, 2008

DIA DE ANOS


Se os pássaros sobrevoam as palavras
para saudar o dia, é porque há festa
nos olhos de quem nasce quantas vezes é preciso.
Quase se adivinha um tempo de lembranças
como um pretexto, uma fuga, um alibi
para escapar à fadiga dos sonhos minguados.
É então que os amigos trazem afectos
que o tempo não corrompe
e o vento se torna solidário das manhã
por onde se regressa à infância.


(*Poema de Graça Pires)

* Que dedico ao meu querido Amigo MO desejando-lhe um