terça-feira, julho 29, 2008

Volúpia

 

Fecho os olhos e
ousadamente
os meus lábios
tecem o teu corpo
na volúpia da tua pele.
As minhas mãos percorrem
calmamente, sem pressa,
em carícias incontidas
em desejos refreados
de mulher-fêmea que
se solta nos teus braços.

Um instante abrasador
de loucura.
Nossas peles colam-se
suadas,
frementes
num amor arrebatado
que já não conseguimos conter.

Chuva fina de amor em exaustão –
limites para além da nossa paixão -
eu me dou no teu corpo vivido
bebes-me
sugas-me
a alma dentro do sentimento
em lençóis vermelhos para lá da imaginação.

Sem medos nem pudor
nossos corpos conhecem o caminho…

Imagem de PR Rajan

Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)


quinta-feira, julho 24, 2008

Amigos são como flores...





Amigos


Nas palavras, nos momentos de magia,
de loucura… onde o sentimento
não se afunda, onde o credo da palavra
Amizade, não é uma palavra vã,
é solidariedade transformada em lágrimas,
é sorrisos transformados em flor,
que se colhem na bruma do dia que está a nascer.

Avisto o mar e o meu pensamento
corre naquele mar azul, imaginando
presenças sentidas... nas palavras,
na vontade de vos dizer:

Mesmo no mundo virtual,
a palavra Amizade tem sentido
tem beleza, tem profundidade.



 in, Menina Marota Um Desnudar de Alma 
pág. 96 (Papiro Editora)

domingo, julho 20, 2008

Regresso...


Decorridos que são sensivelmente quatro meses desde que decidi ausentar-me dos meus espaços, muita coisa aconteceu no mundo e na minha própria vida.

Mas qual Fénix renascida das próprias cinzas e não falo das “Obras dos Melhores Engenhos Portuguezes”, esse memorial que é a compilação de alguns dos mais conhecidos poemas portugueses do barroco do editor Mathias Pereyra da Silva e que se encontra disponível digitalmente na internet, mas sim de um ciclo que me habituei a ter na minha vida e que é renascer das cinzas, que me queimaram um dia.

Este desejo de renascer para a blogosfera surgiu exactamente nos minutos que se seguiram num “encontro” de Amigos que, apesar do número diminuto de presenças físicas foi grande em calor humano e afectos, ocorreu na passada Sexta–Feira, em Lisboa.

“Para saltar é preciso dar um impulso para a frente, mas para o fazer é preciso tomar balanço, portanto, é preciso voltar para trás. Se não se volta para trás, não se vai para a frente.” Diz-nos Umberto Eco, escritor e filósofo italiano, na sua “A misteriosa chama da rainha Loana”

E foi isto exactamente o que aconteceu! Voltei atrás nos meus pensamentos, nas minhas recordações, nos belos momentos passados entre páginas da blogosfera, que me fez desejar dar o salto para a frente e prosseguir.

Tal como aconteceu no encontro de Vila Nova de Gaia, o de agora em Lisboa trouxe-me a vontade de voltar e permanecer… e, acabou por ser, para mim, uma reunião de Amigos alguns dos quais conhecia virtualmente há anos, sem ser da blogosfera, (de outras "batalhas" literárias) e que me causou uma profunda alegria encontrá-los ali!

Falar dos momentos que antecederam a decisão de colocar no papel a Menina Marota que vos acompanha há já alguns anos, seria falar de alguns momentos dolorosos que me levaram a afastar da blogosfera. Não quero falar de coisas tristes porque, tal como a Fénix da Mitologia, renasci das próprias cinzas que queimaram esses momentos.

Falar da beleza das pessoas que conheci, do encantamento que até agora sinto, pelos momentos inolvidáveis que desde o dia 15 de Junho me acompanham, é praticamente impossível, porque a comoção toma conta de mim; eu sou, (como o disse num desses momentos), uma construtora de afectos e não de palavras.

Mas permitam-me que fale, não esquecendo todos os outros que me acompanharam nestes momentos tão importantes da minha vida, de alguém que partilha de um modo diferente de mim mas com absoluta dedicação, o amor pela Poesia e que me deu a grande honra e satisfação de ser o anfitrião da minha Cidade Mãe, que é Lisboa.

Luís Gaspar, saiu da toca que habitualmente o recolhe e privilegiou-nos com a sua presença, apesar de ter preferido o anonimato da sua comparência perante o restante público; foi divulgada aos presentes a presença do Diseur pela Inês Ramos, uma sua fervorosa , para além de incansável colaboradora da Agenda Cultural e do Palavras d'Ouro, onde selecciona muitos dos autores lá postados.









Agradecimentos e legendagem das imagens:
Andreia Varela, coordenadora editorial da Papiro Editora, cuja simpatia, profissionalismo e disponibilidade muito contribuíram para que me atrevesse a uma coisa inimaginável… a publicação deste… “Desnudar de Alma”.

Carla Cristiana de Carvalho, a jovem arquitecta que fez todo o design que ilustrou a capa e o interior do "Menina Marota", tem um jeito muito especial para ilustrações infantis que farão as delícias dos jovens que irão ler os livros que, brevemente, serão publicados.
Dr. Fernando Peixoto, Mestre em História, dedica-se à História Contemporânea, ao Teatro e às Minorias Religiosas. Investigador da Fundação da Ciência e Tecnologia e do Gabinete de Estudos de História da Vitivinicultura Duriense (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), poeta de grande sensibilidade e a quem agradeço o prefácio e a apresentação calorosa do "Menina Marota – Um Desnudar de Alma", cuja interpretação da minha poesia cativou-me desde a primeira hora.
Fátima Fernandes (Amita), amiga pessoal e Madrinha deste evento que, desde a primeira hora, me incentivou e acarinhou a publicar, mas que também dinamizou e declamou com momentos que não mais esquecerei. Poetisa de extrema sensibilidade, é na sua poesia que focaliza a sua preocupação pelo que a rodeia.
Albino Santos, poeta de grande sensibilidade, com várias obras publicadas e que em parceria com a Fátima Fernandes (Amita) fizeram um dueto brilhante, tornando a poesia mais real.
Helena Domingues, minha amiga e grande apresentadora do “Menina Marota” em Lisboa, cujo amor à Poesia de António Ramos Rosa nos aproximou; a sua grande capacidade literária, que tenta esconder, faz do seu blogue pessoal um refúgio muito tímido da sua imensa veia poética.
Aos declamadores voluntários: Deana Barroqueiro, Inês Ramos, Jorge Castro(Orca), Jorge Manuel Colaço e Luís Pinto, o meu agradecimento pela interpretação da minha poesia e que muito animou o evento.
Um agradecimento muito especial a todos os que me deram o privilégio de estarem presentes, quer na Fnac de Vila Nova de Gaia, quer na Bertrand do Vasco da Gama, em Lisboa, pela forma carinhosa como me apoiaram.

E para finalizar deixo-vos com este som…

Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

O meu enorme OBRIGADA a TODOS por terem tornado possível que estes momentos existissem.Otília Martel