segunda-feira, janeiro 07, 2008

Nós por cá...


daqui


Não tinha o propósito de actualizar hoje esta página.
Actualizava, contudo, a leitura de vários blogues, que considero de leitura obrigatória, independentemente de às vezes nem os comentar, dada a minha actual desmotivação para comentar actualidades políticas, especialmente as portuguesas…
Mas ao passar por
aqui após a leitura de textos de múltiplos interesses, uma frase chamou-me a atenção:

“…O ambiente em Portugal torna-se irrespirável para quem quer Verdade e Justiça, Trabalho e Dignidade:…”

De repente, como num flash, muitos dos acontecimentos que marcaram os últimos tempos, passaram por mim.

E recordei, alguns dos nomes, do nosso passado recente, que acreditavam ser possível um Portugal democrático, justo e íntegro, onde os Direitos de cada cidadão não fossem deturpados e esquecidos.

Um destes dias precisei de me deslocar à CGD e, enquanto esperava pela minha vez de ser atendida, chamou-me a atenção a conversa de um grupo, onde se encontrava uma anciã para, como ela própria dizia, "levantar a sua magra reforma".

A conversa gerava em torno do caso Zara/ Millenium BCP, mas depressa passou ao aumento de preços dos bens essenciais, que se iriam fazer sentir e, numa voz triste, a anciã diz, em como esses aumentos, eram muito superiores ao aumento que iria receber na sua reforma e de repente, numa voz firme diz: "Portugal está a saque. Isto está bom é para quem tem grandes tachos!"

Na fila que, entretanto, se tinha formado, falava-se como sussurrando, nas nomeações para o Millenium BCP… e, alguém muito a medo, dizia:
"Se eu lá tivesse dinheiro, tirava-o todo! Preferia tê-lo debaixo do colchão a andar a ser vigarizada desta maneira, já viram como eles vão à nossa conta e retiram de lá dinheiro, sem nossa ordem?"

Sorri. Acho que eu fazia o mesmo, se lá tivesse conta! Há muito que fechei as contas naquela instituição, por isso, nada lhes devo, nem eles a mim, mas recordei com uma certa nostalgia os tempos em que uma instituição bancária era, sem sombra de dúvida, um local prestigiado e de reputação credível.

Recordar a reportagem passada no
"Nós por cá" que a Sic transmitiu recentemente, aliada a todos os episódios do "folhetim" CGD/ Millenium BCP, é colocar em dúvida todo um caminho percorrido de credibilidade e probidade de instituições que, afinal, gerem também, o dinheiro do Povo…

O Homem, produto de si próprio: Cidadania e democracia directa (clicar)

Ou... a forma mais directa de, vozes anónimas, se fazerem ouvir…

8 comentários:

Isabel Magalhães disse...

Sem dúvida os cartões facilitam-nos a vida mas é preciso estar atento e verificar tudo muito bem.

Já adquiri o hábito de verificar a conta do supermercado, 'parcela a parcela', antes de abandonar o estabelecimento, leve o tempo que levar, por causa de enganos detectados mais tarde.

Abraço

I.

Clarinda Galante disse...

Pois... e como são verdadeiras as tuas palavras, as conversas ouvidas!....Sim eu faria como tu támbém...
Jinhos mil

Todos os poetas são solitários... disse...

"Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades para os outros
carregar pedras desperdiçar
muita força para pouco dinheiro
vi-te a trabalhar o dia inteiro
muita força por pouco dinheiro

Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
que força essa amigo
que força essa amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
que força essa amigo
que força essa amigo

Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
uma raiva a crescer-te nos dentes
não me digas que não me compreendes

[Sérgio Godinho in Os Sobreviventes]




[[A minha homenagem a TODOS OS PORTUGUESES que neste momento, têm o seu posto de trabalho em perigo, os que não têm poder de compra, os que morrem nos corredores dos hospitais, sem assistência, a todas as mães que para darem à luz seus filhos, os colocam em risco, pelas deslocações que têm que fazer. A todos aqueles que entregam as suas casas aos bancos, por não as poderem pagar, às viúvas doa assassinados, por não terem sido protegidos a tempo. A todos aqueles que a palavra LIBERDADE e DEMOCRACIA é uma forma de usurpação de poderes.
A TODOS NÓS MEUS AMIGOS, MEUS IRMÃOS!]]

Barão da Tróia II disse...

Excelente a tua reflexão, como já disse muitas vezes e repito, vivemos numa mentira num faz de conta, mas como andamos tão enredados com a nossa sobrevivência nem prestamos atenção aos glutões que engordam às nossas custas, boa semana

as-nunes disse...

Essa é que é a grande verdade. Os bancos funcionam e engrossam as contas dos seus accionistas (melhor dos seus administradores/accionistas)à conta dos patacos que o Zé pagode lá vai colocando, porque julga que está a aforrar para mais tarde, ou até na mira de tirar algum rendimento do seu pecúlio que vai acumulando muito a custo.
E afinal sucedem-se casos escabrosos como os que ultimamente têm girado à volta da CGD (público, logo de todos nós) e do BCP/Milhões!
De facto este país está a passar uma imagem muito negativa das instituições nas quais nós sempre aprendemos a acreditar! Estão-nos a roubar as utopias em que temos vivido. Que nos resta?
Voltamos aos tempos do colchão, e dos potes e baús enterrados?
Quem nos vale? Em quem confiar? A quem recorrer para nos defendermos da força dos poderosos?
Só me resta subscrever as palavras finais, em forma de proclamação de "todos os poetas são solidários..."
Beijinhos e abraços, velemos pelo 2008, que bem precisa!
António

herético disse...

excelente. gostei muito de ler-(te)

beijos

Charlie disse...

Quantas vezes apetece esquecer o sorriso amargo do poeta e escorraçar todos esses vendilhões do Templo, mesmo que isso custasse depois o corpo a escorrer sangue na cruz...

aaron@iol.pt disse...

oh minha querida Menina assino por debaixo deste texto e agradeço-te a coragem e frontalidade a que já nos habituaste de nos dizeres o que pensas.Bem hajas!!
Um beijão do aaron