quarta-feira, dezembro 31, 2008

É urgente...

Imagem Google




É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar a alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


“Urgentemente” , de Eugénio de Andrade

in,  Antologia Breve (1972), pág.32)




sexta-feira, dezembro 26, 2008

Momentos...

O sol tímido, teima em esconder-se, por detrás das árvores que avisto da janela aberta que inunda o aposento de uma claridade estranha, reflectindo em cada objecto uma luz difusa, que faz com que o meu olhar se demore, recordando a longa ou breve história, que cada um deles, me devolve em pensamento.

O som abafado de uma música chega-me através da porta entreaberta e, reconheço os acordes da guitarra de Carlos Paredes; sorrio porque sei ter sido uma prenda bem recebida e desejada.

O meu olhar espraia-se no horizonte. Gosto destas manhãs tranquilas onde revivo memórias que não desejo esquecer. Uma alegria quase infantil inunda-me ao recordar momentos que já são passado, mas estão tão presentes em mim, como se tivessem ocorrido ainda ontem…

O meu olhar detém-se na pilha de livros em cima da secretária e, instintivamente, abro ao acaso o primeiro em que peguei e as palavras de Linda Macfarlane saltam para fora da folha branca:

“O nosso amor não é um amor vulgar. Tem uma história com a dimensão de milhões de anos. Possui um futuro que não tem fim. Possui força e sabedoria. Apoio e compreensão. Cresce, aprendendo. O nosso amor não pertence ao tempo, ao espaço ou aos fracassos humanos.”


Esta é uma época de Amor. Todas podem ser de Amor… pertencentes à capacidade que cada um lhe queira dar. O Amor é eterno no coração de cada um de nós, seja qual for a forma de o repartirmos.

Lentamente fecho o pequeno livro e o seu título faz-me sorrir docemente…


Pintura de Susan Bourdet



Ao meio das folhas, no meio das vozes
que abrem e cantam a clareira, a corda
de algodão delgada e branca que atravessou
quatro orifícios, quatro furos petrolíferos,
dá o nó e o laço
que seguram as páginas de terra e
formam o caderno. Nas praias imóveis
nas suas ondas quietas, na rugosidade
branca das suas verdes folhas, podes
agora
escrever na leitura o livro
entre ti e mim tecido/entretecido
das sílabas vivas do surdo clamor
do mundo, do vivo enquanto
vivo.

Beija o anel do luar e
do sol: a música do mundo
presa na haste viva que o livro
hasteia branca e vermelha.

(Poema "A meio do Caderno" de Manuel Gusmão)

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Natal...


Desenho do Nick Mancini


"Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser

Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher"

(excerto do poema
"Quando um Homem Quiser" de Ary dos Santos)

sábado, dezembro 20, 2008

Porque não me apetece festejar o Natal...

Desligo a televisão com um movimento brusco enquanto o meu coração bate descompassadamente.

Olho o presépio e a árvore com as luzes ligadas e, instintivamente, desligo-as.

Uma onda de revolta e tristeza invade-me mas sinto-me impotente para lutar contra a duplicidade do Mundo.

Algures num documentário fala-se que num determinado país onde as vacinas deveriam ser oferecidas gratuitamente a todos os que dela precisam (e são milhares), são vendidas a preços exorbitantes, debaixo do olhar complacente das autoridade e, o povo, que delas necessita, passa fome para as comprar.

Noutro canal, fala-se da filha do presidente de um país, qual testa de ferro, a fazer aplicações financeiras de milhões, enquanto o povo morre de fome.

A nível mundial, centenas de famílias entram em ruptura financeira; entretanto, vão-se descobrindo as falcatruas que financeiramente se fizeram, onde cada um, recolhia os dividendos para proveito próprio.

Sinto-me cansada e febril. Em parte, devido ao meu estado de saúde, cuja gripe, que se agravou nestes dias, me tem incomodado. Por outro lado, uma tristeza enorme pela minha impotência, por não poder fazer mais do que sentir o meu coração solidário e revoltado, com tudo o que se passa.

Tive uma educação cristã; ensinaram-me que Jesus nasceu para salvar a Humanidade.

Olho o Menino deitado nas palhinhas e penso quantas vezes ele teria que voltar a nascer para o “mundo” ser salvo.

É verdade que o espírito natalício poderá estar em nós todo o ano. Reconheço que em mim talvez esteja, porque não preciso do Natal para ser solidária, para me interessar pelos outros, para ajudar, mesmo que não dêem conta que o esteja a fazer…

O Natal já não tem o impacto e o virtuosismo de outras alturas; não preciso desta época para me dedicar à família, aos amigos, a quem de mim possa precisar.

Natal é quando o Homem quiser”, diz no seu poema Ary dos Santos.

É verdade. E cada vez mais, isto é uma realidade.

Não me apetece ter luzes, não me apetece festejar; o Menino nasceu numas palhinhas, rodeado de amor dos seus Pais e cresceu feliz junto de sua Mãe. Quantas crianças por esse mundo fora têm este conforto?

O Mundo está em crise, sim. Mas não é só financeiramente. Está em crise de sentimentos, de igualdade entre os homens, da verdadeira fraternidade. O egoísmo, a arrogância, o desprezo pela verdadeira liberdade de cada um, é patente nas notícias diárias e mundiais. A falta de ética, de vergonha de atitudes, de quase comiseração por quem rouba descaradamente milhões para seu próprio proveito, deixando na miséria muito ser humano, prova que o “mundo” está podre e, sinceramente, não me apetece festejar o Natal com aquela alegria dos meus tempos de criança.

Este, para mim, já não é um dia mágico. É um dia que me lembra, ainda mais, as desigualdades existentes entre cada ser humano. 


Que neste dia possamos dar um pouco mais de nós àqueles que disso necessitem.



Imagem portuguesa de Jorge Escalço Valadas


FE L I Z N A T A L

domingo, dezembro 07, 2008

"Qualquer direcção que o vento sopre"...

...recorda-me o dia em que recebi o disco de uma pessoa de quem muito gostei e que simplesmente me disse… nunca esqueças de que "… eu sou apenas um pobre garoto e ninguém me ama".

Passaram-se muito anos… e eu recordo aquele “garoto” que, ainda hoje, está no meu coração.

Sê feliz, estejas como e onde estiveres


(desligar, por favor, a música de fundo do lado direito, para ouvir o vídeo)

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Divulgação...

"Uma Profecia que jaz no trilho da civilização, preparada há milénios por uma classe oculta de misteriosos e auto-proclamados "Deuses", é revelada a um Professor da Universidade de Halmos, após ingerir uma substância misteriosa, contida num frasco que herdou. A Profecia define os caminhos de um trio de homens escolhidos, de forma a fazê-los convergir no Monte Olympus, na Terra.

Nem tudo, no entanto, poderá correr como profetizado... especialmente quando outras forças desejam manipular a Profecia para canalizar o seu poder..."


Capa do livro


Rui Diniz proporciona-nos uma narrativa cujo movimento alterna frequentemente o ponto de vista e é continuamente acompanhado por uma peculiar análise psico-filosófica. O estilo estético – entre os toques poéticos, os momentos frenéticos de acção e a descrição narrativa – compõe-se de uma grande variedade de cores e texturas, enriquecido ainda por um ambiente empolgante, propício a reviravoltas, que flui para um final surpreendente e emocionante.

"Olympus: A Profecia do Grande Espírito" é o terço inicial de uma trilogia que promete conquistar um lugar muito próprio na estante do género.


"Lembra-se da última vez que um livro o fez pensar por si?"

É esta descoberta, através das palavras do autor, que lhe propomos no presente

C O N V I T E

"O autor, Rui Diniz, e a Papiro Editora têm o prazer de convidar V. Exa. a estar presente no lançamento promocional do livro "OLYMPUS: "Profecia do Grande Espírito", que terá lugar no dia 5 de Dezembro de 2008, pelas 21h30m na Fnac do Norteshopping, na Cidade do Porto."

sexta-feira, novembro 21, 2008

Divulgação...


C O N V I T E


Quem sabe, Amanhã será Primavera” é uma obra em co-autoria onde a poesia e a prosa poética se conjugam e terá o seu lançamento oficial HOJE dia 21 (sexta-feira) às 21,00h, cujo convite aqui vos deixo 


Maria Mamede e Albino Santos têm um vasto currículo demonstrado nas várias obras literárias publicadas e já foram por diversas vezes referidos neste espaço.






O sentimento falaz

é um gesto bailarino
um não galanteio de liberdade
é capitulação
e esforço
e não é luz nem harmonia
e da escuridão
não é sintonia.

Poema de Paula Raposo


Este é um dos poema que consta do livro cujo convite de lançamento vos deixo.
A apresentação está a cargo de um nome bem conhecido da blogosfera
Jorge Castro autor do blogue Sete Mares

Contamos com a vossa presença.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Um encontro de Amigos...

Vão longe os tempos em que, menina e moça sonhadora, quando tinha o privilégio de assistir ao lançamento da publicação de algum escritor conhecido, ficava a imaginar o que sentiria o autor no momento em que apresentava ao “mundo” o nascimento de algo tão pessoal como é a escrita.

Não querendo falar de mim ou da minha escrita, deixo isso nas palavras da apresentadora Inês Ramos num manifesto que me encheu de ternura e que poderão ler aqui, porque é uma análise global do entendimentoda minha alma…

Antes falarei do convívio e alegria que marcaram a apresentação de "Um Desnudar de Alma" e as imagens que vos deixo são bem esclarecedoras desses momentos…


O meu agradecimento especial a:

Andreia Varela, coordenadora da Papiro Editora, pelo empenhamento, ao longo deste tempo, da divulgação do Menina Marota;

Inês Ramos, autora do blogue Porosidade Etérea, pelo desnudar da minha poesia.

Clarinda Galante, Luís Pinto e Jorge Castro e as mencionadas Inês Ramos e Andreia Varela, pela leitura de alguns dos meus poemas, tornando este momento muito especial.

Um agradecimento muito particular a quem me tem acompanhado nesta epopeia, o locutor Luís Gaspar que desta vez, foi obrigado a sair do anonimato perante a presença de autores que já leu, nomeadamente a Poetiza Graça Pires, Carlos Peres Feio, Rui Diniz, Jorge Vicente, de entre os que me recordo.

Não quero deixar de assinalar ainda a grata presença de Jorge Casimiro e esposa, António Moreira (Friedrich) e Margarida sua esposa, José António Martins Baptista, Manel do Montado, Rogério Freitas Sousa, de entre aqueles que consegui fixar.

Foi sem dúvida, um grande momento em que a poesia foi rainha…

Gostaria de assinalar uma apreciação muito especial do Jornalista e editor-chefe do Portal Mhário Lincoln do Brasil, que dois dias após a apresentação do Menina Marota "Um Desnudar de Alma" publicou 
este entendimento que fez da leitura do livro.

Obrigada a TODOS pela presença e carinho 


terça-feira, novembro 11, 2008

Divulgação



Tudo será.

A tua sede
sedosa pele,
a tua vertigem
gélido calor.
o teu anseio
negro desdém.

Tudo persiste ser.

O teu sentir,
perfume ausente,
o teu vislumbre
cega visão.

A ser, nada será.

Na penumbra
e no limbo,
vou acreditar,
Afinal.

(Poesia, fotografia e capa de
Rogério Freitas Sousa)



Convites
Menina Marota


Apresentação promocional em 13-11-2008, 18.30 horas, Fnac do Centro Comercial Allegro de Alfragide. Apresentação a cargo de Inês Ramos


Rogério Freitas Sousa 




Lançamento promocional em 13-11-2008, 21.30 horas, Fnac do Centro Comercial Allegro de Alfragide. Apresentação a cargo de Élvio Sousa e ainda a presença da modelo da capa e de algumas fotografias interiores, Marina Rodrigues, ex miss Portugal.

sábado, novembro 08, 2008

Partilhando...

"Só tão alto quanto o que alcanço posso crescer, só tão longe quanto exploro posso chegar, só na profundidade para que olho posso ver, só à medida que sonho posso ser." (Karen Ravn)


Aradhana, Avatar da MM no Second Life


Após largos dias de problemas informáticos, que me pareceram séculos, eis-me de novo aqui…

Recordo Marcel Proust quando nos diz: "A verdadeira viagem da descoberta consiste não em procurar novas paisagens, mas em vê-las com outros olhos."

O mundo cibernético é decididamente isso. Com um simples movimento de dedos, vagueamos por mundos muito diferentes, encontrando locais e tecnologias verdadeiramente espantosas, que nos permitem outra forma de ver esses “mundos”…

Reconheço que sou uma fã das modernas tecnologias e, apesar de nada perceber delas, aventuro-me e parto à descoberta dos novos mundos que me são apresentados…

Falarei deste assunto num outro dia porque, hoje, quero agradecer e partilhar a simpatia do
Eduardo Aleixo dedicando a este blogue o…



que dedico, muito carinhosamente, a todos os que por aqui passaram e vão passando, porque são, afinal, quem dão luz a este espaço.




Um abraço  

sexta-feira, outubro 24, 2008

Entre a lama e o amor

Pintura de Ana Muñoz


Despertei com vontade
de acordar o Sol
na penumbra do amanhecer.

Cansado da noite,
- a lua adormecera
no nevoeiro dos seus braços -
o sol descansou na berma
do alvorecer e na perpétua
ondulação do verde da aragem.

Através do sibilante som da folhagem
os pinheiros albergam os primeiros raios
tímidos de luz.

Velozes, partem silhuetas
por entre o verde ondulante da ramagem
onde os pássaros nos seus ninhos
já com penugem nas asas
encetam, temerosos, o caminho
que os levará, ousados, aos telhados das casas

Ao longe, um quase som de Jazz
que lembra Coltrane, por entre
ondas azuis de nuvens
ávidas de palavras púrpuras,
entre lábios de sabor a mel
desperta a cidade adormecida.

Neutro o coração que não geme
a dor do desconhecido, a comoção
do sentimento partilhado ao leme da Vida.
Resiste a cidade na estreiteza de conceitos
como definição da rima interior
- entre a lama e o amor -

Enquanto debaixo de chuva e sol
houver, feridos de silêncio, crianças chorando,
velhos dormindo no cimento ou mulheres
naufragadas na palma do sonho
do seu próprio abandono,
meu coração estará em pranto
e deste mundo desiludido.

terça-feira, outubro 21, 2008

Prémio Dardos

Recebi e aceitei muito carinhosamente da Mateso e da Ana  (Enconta do Mar) ficando com a ingrata tarefa de ter que escolher 15 (quinze) outros blogues, segundo as normas do...



Informações sobre o Prémio Dardos:

"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Quem recebe o "Prêmio Dardos" e o aceita deve seguir algumas regras:

1. - Exibir a distinta imagem;

2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos."

Seguindo as normas e não desvalorizando outros blogues que não poderei mencionar, repasso por ordem alfabética...

domingo, outubro 19, 2008

Recuso-me! Faço greve...

Imagem Net Card

Recuso-me!
É isso mesmo! A partir de hoje recuso-me a comentar blogues que tenham aquelas letrinhas pequeninas, que na maior parte estão tão incompreensíveis que, por causa disso, se perdem os textos dos comentários que escrevemos.


Para além desse inconveniente e do tempo que se demora a escrever as ditas letrinhas, estamos sujeitas ainda a… ora reparem no que fui guardando para delas fazer referência…
MijaXicaok - Tiazita34Umcus123Umbigopipilarilaokehe - fomeak78penismax31
(mas há mais, que a minha timidez natural obsta a que aqui apresente…)
Bem… estas até deixava passar, mas hoje transbordou a minha paciência ao deparar-me, para fazer um comentário, que não fiz, com estas letrinhas: Gordaa95.

Aqui, confesso, a minha tolerância terminou!

Eu sei!
Sei que, neste Verão, abusei dos gelados, de alguma comida, que bebi uma ou outra cerveja a acompanhar as apetitosas francesinhas que tanto gosto de comer, que até não fiz muito exercício físico porque passo o dia no gabinete da filhota, que deixei de ir à piscina, etc… etc…

Mas isso é pretexto para me chamarem com todas as letras… Gordaa95?

E ainda… o que significa o 95? Que eu peso 95 quilos? Grande mentira… acabei de me pesar e estou nos 51 kg! O que quer dizer que só engordei 1um quilo, desde a última vez que me pesei!

Por conseguinte meus Amigos, não tolero mais esta situação! Abaixo as letrinhas, os números e não sei que mais, que me impedem de comentar onde me apetece!

Faço greve!


Recuso-me! Não deixo que me façam perder a vontade de comentar (quem fica com imaginação depois disto tudo, para comentar o que quer que seja?) e muito menos que estejam a reparar nos meus quilitos a mais!

Quem está comigo?

 

sexta-feira, outubro 17, 2008

Pelos Trilhos do Betão

"Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa-de-forças! "
Lê-se na abertura do Eu sou louco, o blogue do António Dias Castilho.
E a irreverência deu frutos e assim nasceu o
Pelos Trilhos do Betão...

Capa do Livro

Que terá a sua apresentação oficial neste sábado, dia 18 de Outubro de 2008, pelas 21,30 horas no salão da Junta de Freguesia de Vermoim, Maia, para o qual estão todos convidados.


(clicar para ampliar a imagem)

quarta-feira, outubro 15, 2008

Despertar

A presente reposição serve para partilhar um maravilhoso presente que recebi hoje:a excelente interpretação da Zélia Santos  que me encantou pela delicadeza da sua interpretação.

Obrigada Zélia, por este momento!


Hoje acordei tarde. Não me lembro de, nos últimos tempos, isso ter acontecido. A Natureza, que sinto e avisto do terraço do meu quarto, não buliu só para que o meu sono não fosse interrompido.

O meu corpo desperta a cada madrugada que cicia ao meu ouvido sonhos esquecidos, ternuras abafadas, desejos incontidos…

E o Sol, que me despertou no calor dos seus raios, traz-me o recado que a lua deixou nos meus sonhos


Pintura de Henri Matisse


Sinto teu corpo em mim
...e...assim...

alma sem fim
ardente
em tempo que persiste
rasgo de pele
veemente
em pensamento diluído
no tempo da promessa.

Tens na palavra
o encanto da brisa
na aragem lavrada.

Sinto a quietude do mar

melodia do solfejo
nas ondas que se espraiam
em areia e espuma
de mil cores

no vermelho pôr do sol
a lua entrega um beijo
e dança com a brisa

a canção dos seus amores

segunda-feira, outubro 13, 2008

Convite

Deana Barroqueiro é autora de numerosos romances inspirados em conhecidos personagens da História.

Apresentação do livro nas palavras da autora







O Navegador da Passagem


no próximo dia 17 Outubro, pelas 19,30 no Padrão dos Descobrimentos.

"Não logrou abafar o grito que lhe subia à garganta e, ao mesmo tempo que ouvia o som rouco de angústia da sua alma, sentiu o corpo da mulher estremecer sob o seu e gemer, não de gozo, mas de dor e medo que se espelhavam nos seus olhos, agora abertos, a mirá-lo na fraca luz da candeia acesa.

Apercebeu-se de a ter magoado pela violência com que lhe tomara o corpo, na última noite, apalpando-lhe os seios e as nádegas, mordendo-lhe os mamilos e os lábios até ao sangue, para nele afogar as dolorosas recordações que não cessavam de o atormentar e retirou-se bruscamente de dentro dela, para lhe evitar o olhar. Estendeu-se de costas, a seu lado, deixando todavia a mão pousada no seu corpo que ela já não cobriu com o lençol, como fazia outrora nos primeiros tempos de casados, mesmo estando às escuras, por pejo e modéstia, virtudes que ele a pouco e pouco fora conquistando e derribando, até não haver mais barreiras para os seus olhos e as suas mãos, nem para os jogos de amor.

– Tratais-me como se fora vossa barregã e não vossa esposa... e eu já tive de mentir ao meu padre confessor! – barafustava com zanga na voz, mas que o riso desmentia, sempre que ele a abraçava em qualquer quarto sem gente, enfiando-lhe as mãos por baixo das saias e do corpinho, ou quando, de noite, lhe arrancava a camisa e se ajoelhava junto do leito, de candeia acesa na mão, a admirar-lhe o corpo de menina que mal acabara de se fazer mulher, mas cuja perfeição o enfeitiçava a ponto de lhe fazer esquecer os malogros da sua vida...."(excerto)


sexta-feira, outubro 10, 2008

"Escolhas" - Convite




Sei-me vagabundo
Poeta à solta
Esfarrapado
De olhar dentro dos outros.
Não sei ser de outra forma...
.
Sei-me perdido e só
Por entre todas as maravilhas da vida
Da que faço todos os dias
Das lágrimas que me escapam porque também sou rio

Das ondas que gritam o meu peito
Dos vendavais das feridas
Do
mel da ternura...
Da minha voz sai tudo o que sou.
.
Por isso não páro de cantar...

quinta-feira, outubro 09, 2008

Convite

Albino Santos dispensa apresentações.

Um poeta cuja sensibilidade nos transporta, através das palavras, ao sonho e imaginação.

No próximo dia 11 de Outubro, (sábado) pelas 17,15 horas, terá lugar a sessão de lançamento do livro "MADRUGADA SEM FRONTEIRAS", no Auditório da LIPOR, Baguim do Monte/Rio Tinto.

Para mais informações sobre o evento consultar a página do autor.



Capa do Livro



Sonho Azul

Viajo na liberdade do meu sonho,
sussurro quente do azul
onde me deito.

Polvos e medusas desnudam o meu sono,
levam-me submerso
através do azul liquefeito,
até ao virginal desabrochar das pérolas.

O sonho incendiado, floresce na bruma
abrindo caminho no azul que me transporta
ao teu ventre de abismo bordado de corais.

No aroma inebriante dos mares nocturnos,
a realidade sucumbe à fantasia.

Bebo a cor do mar,
adormeço na invisibilidade da vida,
e desperto no respirar de uma concha…



Poema de Albino Santos

sábado, outubro 04, 2008

Arca de Ternura

"Este blog obedece a um princípio básico: guardar, como numa arca, textos que de uma ou de outra forma veiculem o sentimento da ternura. Mas a ternura também implica verticalidade, nobreza de carácter e sobretudo seriedade. E a manutenção destes sentimentos obriga a que olhemos o mundo com olhos abertos para as realidades, mesmo as mais cruas. E a indiferença não cabe aqui."

Palavras daqui e demonstrativas da firmeza de carácter de alguém a quem não conseguíamos ficar indiferentes.

Muitos já falaram sobre
ele e as minhas palavras serão insignificantes para demonstrar a forte admiração que tenho pelo historiador, encenador, escritor, professor e poeta, que um dia, no longínquo ano de 2001, me autografou a sua obra Diogo Cassels "uma vida em duas margens".

Mas é a sensibilidade e generosidade do “puto da beira-rio”, que nunca deixou de ser, que mais me toca, porque na sua alma de menino-grande voava o sonho e a imaginação, onde a afectividade, pela vida e pelo mundo que o rodeava, sobressaíam em cada um dos seu escritos.

E foi esse sentimento, de grande generosidade, que partilhou ao escrever e apresentar, de uma forma quase poética, o prefácio do meu livro. E esses momentos ficarão, gravados para sempre, no meu coração. 


Grata por eles.
Imagem daqui



Aos putos da beira rio

O mundo tinha a nossa dimensão:
Reduzia-se às ruas conhecidas
E o próprio horizonte estava à mão
Das brincadeiras simples, divertidas.

Era o jogo do arco e do pião,
Era o brincar, também, às escondidas.
Em cada um havia um campeão
Esforçando-se, alegre, nas corridas.

No Douro, com toninhas descuidadas,
Éramos já pequenos navegantes
Embarcando no sonho dum vapor

Rumo a terras distantes, ignoradas,
Nadando nesse rio fascinante
Libertados da roupa e do pudor.

O Tempo, que não pára, foi marchando...
Os caminhos diversos que trilhámos
Lentamente nos foram afastando
Dos percursos que outrora partilhámos.

Envelhecendo, fomos caminhando
Nos projectos diversos que encetámos
E, só de longe a longe, recordando
O longínquo Passado que habitámos.

Nesse Livro da Vida que escrevemos
Não temos o direito de esquecermos
As páginas da nossa mocidade.

Porque é nelas que ainda hoje vemos
A forma solidária de vivermos
E que, afinal, nos traz tanta saudade!


Poema de
Fernando Peixoto


…porque "a indiferença não cabe aqui".

sexta-feira, outubro 03, 2008

Fernando Peixoto....



Tu não sabias...

Tu não sabias que eu sei quanto sabias
Tu exibias o que em ti desconhecias

Porém, tu vias, pressentias
na magia das horas mais amargas
o ponteiro dos segundos com que vias
rodarem no sentido das palavras...


E no silêncio das horas se estendia
um carinho sinuoso, entorpecente,
um meigo sorriso que escorria
num rio de ternura languescente.


Tu não sabias... nem eu... nenhum de nós
que a vida esconde os seus segredos
nos silêncios da nossa própria voz
e no código de amor dos nossos dedos.

Poema de Fernando Peixoto


Até Sempre, meu Querido Amigo



quinta-feira, outubro 02, 2008

O Poema que li para o meu Cão...

Sting ouvindo...


"Crepúsculo de Outono"

O crepúsculo cai, manso como uma benção.
Dir-se-á que o rio chora a prisão de seu leito...
As grandes mãos da sombra evangélicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.

O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.

Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura unânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.

Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale...o horizonte purpúreo...
Consoladora como um divino perdão.

O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.

A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.

Manuel Bandeira


Breve explicação: alguém, muito simpaticamente, perguntava-me via email, “o porquê deste poema ter sido lido ao Sting o meu cão”.
Tão simples como isto:
Gosto de ler poesia em voz alta e ele, muitas vezes, fica concentrado a escutar-me.
A imagem que partilho foi tirada, numa das suas janelas preferidas, quando de orelha arrebitada escuta o que vou dizendo mas, ao mesmo tempo, olha o exterior da casa, atento…

domingo, setembro 28, 2008

Elegia

Fotografia de Fefa  Koroleva


Nem os
dias longos me separam da tua imagem.
Abro-a no espelho de um céu monótono, ou
deixo que a tarde a prolongue no tédio dos
horizontes. O perfil cinzento da montanha,
para norte, e a linha azul do mar, a sul,
dão-lhe a moldura cujo centro se esvazia
quando, ao dizer o teu nome, a realidade do
som apaga a ilusão de um rosto. Então, desejo
o silêncio para que dele possas renascer,
sombra, e dessa presença possa abstrair a
tua memória.



Nuno Júdice

quinta-feira, setembro 25, 2008

Convite



Tenho o prazer de comunicar que amanhã 26 de Setembro, pelas 19.00 hrs na FNAC do Chiado, a Papiro Editora vai proceder ao lançamento do livro 'Apoplexia da Ideia', cujos autores são Maria Quintans (Bandida) e João Concha (Intruso).

Poema
amputada. de palavra disfarçada. amputada. cinzelada não se sabe onde. plissada. esfarrapada. especada. ensimesmada.

am puta da. hã??

ai, que puta de dor.
dador de sangue. da dor. am puta dor.
não se sabe porquê.
ninguém vê a paragem do autocarro, ali ao pé do marquês, onde havia uma
palavra recortada. amputada.

já te vi dentro de mim.
esquadrinhada. enregelada. fada.

isto é um manifesto tresloucado. despenteado. amputado.

que puta de dor.

atada.


(Bandida)

domingo, setembro 21, 2008

Mimos e prendas...


Este foi o miminho que, com toda a sua simpatia, a Vivianne do Friends Forever resolveu atribuir a este blogue.

Confesso que me é sempre difícil a tarefa de escolher, de entre tantos blogues com quem partilho afectos, o número que neste caso será de quatro, para partilhar o miminho que me foi oferecido.

Mas as regras do jogo, que aceitei, são assim mesmo e por isso, aleatoriamente, passo o testemunho a:

Simultaneamente quero partilhar o presente que dois grandes Amigos tiveram a gentileza de preparar e que través da Blogspot não me foi possível postar neste blogue, pelo que decidi colocá-lo
aqui e deste modo para além de o partilhar com todos vós, agradecer o carinho que me fizeram.



terça-feira, setembro 16, 2008

Mais um Verão a findar...

Um dos ensinamentos que recebi em criança dos meus Pais que, igualmente, o tinham recebido dos seus, e que eu própria passei aos meus filhos, foi: “ diz-me como tratas os animais dir-te-ei como és e os sentimentos que possuis.”

Confesso que, muitas vezes, me sinto a detestar o Verão e o consequente período de férias, porquanto nesta época, o número de animais que são abandonados, é cada vez maior.




Este é o Kiko… e, quando tomei conhecimento da sua história, uma revolta imensa tomou conta de mim.



Alguém, sabe-se lá por que demoníaco motivo, resolveu metê-lo num saco de plástico fechado e atirá-lo para dentro de um contentor do lixo, situado ao fundo da rua onde resido em Arcozelo.

Imagine-se o espanto de um dos moradores ao constatar, no momento em que para lá deitava o seu lixo doméstico, que algo se movia dentro do contentor!

Inicialmente, assustado, até pensou tratar-se de uma criança e pediu ajuda a quem passava, para retirar imediatamente de lá o ser que se mexia dentro do saco fechado; quando finalmente o abriram, uns olhos esbugalhados de espanto e de medo, fitou-os, mal acreditando, talvez, que alguém o pudesse ter salvo.

Junto do casal Carolina e Luís, das suas jovens filhas, Catarina de 15 anos e Mariana de 7, moradores na mesma rua, o Kiko (nome com que o baptizaram) encontrou uma família que o adoptou mal souberam da traumática situação por que ele tinha passado. Numa forma de demonstração, que a solidariedade e amizade começa a ser definida muito cedo, dando exemplos de responsabilidade, civismo e ternura, por aqueles que afinal, podem ser os nossos mais fiéis amigos, tomaram conta do pequeno Kiko.

É triste verificar que no início do Verão, muitos animais são abandonados ao seu destino, quantas vezes para que os seus donos possam ir de férias ou então porque o animal cresceu mais do que devia!

Como é possível, essas pessoas passarem as férias alegre e despreocupadamente sabendo, que os animais que eles até então protegiam, se encontram abandonados, muitas das vezes feridos e esfomeados?

Mais um Verão está a finalizar; enquanto uns regressam a casa, vazia da alegria dos latidos dos nossos amigos, outros preocuparam-se em recolhê-los e abraçar projectos de protecção a esses mesmos animais que um dia deixaram de ser queridos na casa de "alguém"…


Deixo-vos aqui e aqui exemplos, do que a solidariedade e a afectividade podem fazer, mas também In Memoriam daqueles que não sobreviveram ao egoísmo e crueldade de muita gente.


Por favor, proteja os seus animais... não os abandone.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Solidariedade... Blogagem Colectiva.

A maioria de vós conhece a história da Flávia a menina que se encontra desde 06 de Janeiro de 1998 em coma vigil e a luta constante de Odele Souza, sua Mãe.

Hoje, haverá uma blogagem colectiva internacional, para apoio a Flávia e Odele, e cuja tema será JUSTIÇA para FLÁVIA. Para conhecerem os pormenores desta Blogagem, e se eventualmente não conhecerem ainda Flávia, agradeço-vos que visitem o Blog Flávia Vivendo Em Coma.



Imagem de Isabel Filipe

Une a tua mão às nossas participando deste momento de solidariedade.
Informa, por favor, no
Blog da Flávia, em comentário, da tua participação.

Selo do Blogue ADesenhar


Dez anos de idade
Sonhos de infância em apogeu
Criança linda de verdade
Que a mão do Homem adormeceu.

Vinte anos agora tem,
Seu olhar impávido e sereno
Dá força a sua Mãe
Que a cuida com tanto zelo.

Um verdadeiro bebé grande
É esta menina imaculada,
Por isso há muito quem reclame
Pela justiça atrasada.

O ralo dessa piscina
Não sugou só seus cabelos,
Sugou-lhe também da vida
Tudo o que há de mais belo.

Uma vergonha verdadeira,
É de bradar aos céus tanta lentidão
Porque na justiça brasileira
Dorme a voz da razão.

(Poema de Ana Martins partilhado igulmente pela
Isabel Filipe)

*... hoje o meu blogue está em coma virtual, solidário com Flávia...*

sexta-feira, setembro 12, 2008

Quem sabe, Amanhã será Primavera

“É num tom de melodia que escorrem os poemas que compõem esta obra, personificando a pele de duas personagens que, estando longe, estão afinal bem perto, porque não há distâncias quando se partilha idêntica capacidade de sonhar.

Estes dois poetas, que premiaram já a Poesia com vasta obra de grande beleza estética e lírica, reuniram-se agora para uma viagem ao País do Faz-de-Conta, o tal que parece estar longe do real, mas que está sempre tão próximo da realidade. Ora, esse País, não é mais do que o território da memória onde se constrói a realidade com as marcas da existência.

Mas, se neste livro as páginas esvoaçam pela brisa do passado, é o presente que lhes confere a necessária consistência. “ (excerto da Sinopse)

Maria Mamede e Albino Santos têm um vasto currículo demonstrado nas várias obras literárias já publicadas.

Quem sabe, Amanhã será Primavera” é uma obra em co-autoria onde a poesia e a prosa poética se conjugam e
terá o seu lançamento no próximo dia 15 (segunda-feira) às 21,30h, na Feira do Livro de Gondomar, ao Largo do Souto.

Eu vou lá estar.

Capa do Livro


Março findava
e chegaste com as andorinhas…
Os primeiros chilreios geraram o encantamento.
E o amor, subindo em espiral,
aninhou-se no peito, nos olhos
e nidificou na boca
e nas mãos…
Não notamos sequer que o verão passou
e que os últimos raios de sol, partiram já,
incandescentes,
no bico das andorinhas
levando com eles a promessa…
prenúncios de frio chegavam do oriente.
E tu, chegado com as andorinhas,
partias com elas!...



(in "Quem sabe, Amanhã será Primavera")