domingo, dezembro 30, 2007

2008 está próximo...

No dia 31 encerra-se uma passagem. Termina um ano e outro recomeça.
Já fizemos esta passagem, por diversas vezes, mas cada um de nós, recorda-a de maneira diferente.
Todos os anos os votos renovam-se e pedimos que o novo ano, traga dias melhores que o ano anterior.
Neste momento, ouço numa tv qualquer da casa, um cântico que me fez lembrar outros anos, outros locais, outras pessoas queridas, mas que já não se sentam comigo, na última ceia do ano.
Um novo ano começa… a diferença será a atitude que o ser humano tiver em relação ao seu semelhante...

Imagem de Isabel Filipe


Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só a metade
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado
O logro da aventura
És Homem, não te esqueças!
Só é a tua loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

(Poema de Miguel Torga in Diário XIII)

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Feliz Aniversário, Amita

"Cada pessoa que passa pela nossa vida passa sozinha, mas não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós."


As palavras de Charlie Chaplin que aqui transcrevo, são as que me ocorrem para definir uma Amizade, que transpondo o mundo virtual, se consolidou na vida real.
Falar da
Amita não é fácil. A sua sensibilidade e arguta forma de entender a vida, faz dela realmente uma pessoa especial. Ler a sua poesia é conhecê-la e entrar num mundo de palavras, onde a subtileza e afectividade imperam tal como se lê neste seu poema
Cristal

Sensibilidade é uma rosa de cristal
Pura, fina, transparente
Seu canto é a semente
Que espalha pelos prados
Amanheceres orvalhados
Conscientes isoladores do Mal

Flor de leves mantos vestida
Transparências da Vida
Ilusória, frágil, protecção
Sonoridade transportada na mão
Do Homem que se faz forte
Abandonado à sua sorte

À brisa, ao Sol, estremecendo
Iniciadas fissuras contendo
Em pétalas esmaecida
Luz que trazes a Vida
A Paz, a tranquilidade
Caminhos serenos, a Verdade

O sorriso vive em mim
Em mares azuis sem fim…
Neste teu dia em que festejas mais um aniversário e prestes a seres pela primeira vez Avó, quero muito simplesmente dar-te os…

terça-feira, dezembro 25, 2007

Dia de Natal

Imagem Google

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha em pijama.

Ah!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

(Poema de António Gedeão)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

domingo, dezembro 23, 2007

Aniversário, Amizade e… Natal.

Eu sou uma piegas. Muita gente me acusa disso e eu... assumo!Se ser piegas, é comover-me com uma dedicatória, com o aniversário de uma Amiga que está longe, com o Natal que eu gostaria que o fosse para todos e não é, então sou piegas…

Hoje tenho dois factos para partilhar que me enternecem e comovem… um deles é o aniversário da
Helena Domingues, uma Amiga que apesar de se encontrar longe, está dentro do meu coração. O outro, é o carinho que a Maria, a minha prezada e queridíssima ex-Sulista, me dedicou no seu novo blogue…
Espero que a Maria não se importe, que eu dedique estas flores à Helena Domingues
...e a todos, os presentes e ausentes, que me têm ajudado a manter a chama acesa, neste e noutros blogues, desejando a todos...

terça-feira, dezembro 18, 2007

Prendas no Sapatinho…

"Aníbal:

As aventuras maravilhosas da salta-pocinhas raposeta pintalegreta, senhora de muita treta – contei-tas eu, sentado tu nos meus joelhos. Contando-tas, veio-me ideia de as escrever. Além de inspirador, colaboraste com os teus silêncios, perguntas e interrupções na frágil meada. Que mais não fosse, só por este título o livrinho teria de levar o teu nome... "

E finaliza assim Aquilino Ribeiro, na introdução do seu livro "Romance da Raposa" …


"Aí fica, meu homem, no teu sapatinho de Natal esta pequena prenda. Aceita-a com os meus beijos de pai, que ao Menino Jesus vou pedir perdão do pecado, pois que a raposa é matreira, embusteira, ratoneira, e Ele apenas costumava brincar com pombas brancas e um branco e inocente cordeirinho.
Santo Amaro de Oeiras
Natal de 1924.

Capa do Audiobook - Romance da Raposa


Recordar o Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro, dedicado ao seu filho Aníbal, naquele Natal de 1924, é evocar Natais da minha vida e a leitura de uma das histórias, que mais ouvi ler na minha infância.

Por isso, foi com enorme satisfação que tive conhecimento que o Estúdio Raposa, tinha participado sem quaisquer fins lucrativos, num projecto a favor da
Fundação Gil, cedendo gratuitamente a gravação completa do Audiobook, O Romance da Raposa, cuja receita reverterá a favor de crianças carenciadas.

A
Fundação Gil, como todos sabem, tem como fim principal contribuir para o bem estar, a valorização pessoal e a plena integração social das crianças e dos jovens que, por razões de natureza diversa, se encontrem internados, por períodos prolongados, em unidades hospitalares, prisionais ou outras.
cd's do Audiobook - Romance da Raposa


Adquirir esta obra, oferecendo-a como uma valorização de cultura, é ainda uma forma de se solidarizar, com todos aqueles que se encontram empenhados num projecto credível e humano.



Presépio pessoal - Menina Marota





quinta-feira, dezembro 13, 2007

Sentimentos...

É na ausência, que mais sentimos a presença daqueles que gostam de nós e connosco compartilham sentimentos e emoções.
É na ausência, que melhor sentimos a afeição de todos aqueles que repartem connosco as suas palavras e esperam de nós, uma susceptibilidade idêntica de sensibilidade e porque não dizê-lo, de ternura.
É na ausência que, sentimos afinal, a saudade… nossa e dos outros.
Confesso, que foram estes os pensamentos que se apoderaram de mim, quando abri o correio electrónico ao qual não tenho conseguido aceder, por motivos pessoais e familiares mas, a que também não é alheio, o programa Vista do meu novo pc diário…
A propósito do post anterior, uma comentadora atenta (Ana Cunha), muito simpaticamente alertou-me, para a possibilidade de não me ter apercebido, de que o blogue

Memórias Vivas e Reais, me tinha atribuído o Anel da Amizade, já que não tinha ainda referido essa atribuição no Menina Marota.
Sensibilizada, agradeço à Ana Cunha a preocupação em me alertar para tal facto e ao Pena pela sua simpatia, ao referir este blogue.
E porque de Amizade se trata esta nomeação, seria impossível cumprir as normas da atribuição, pelo que dedico este Anel de Amizade a TODOS os que me têm acompanhado neste percurso blogosférico, com tanta dedicação e sensibilidade.



Anel da Amizade

E porque Natal é nascimento, quero aqui deixar um cumprimento muito especial a uma futura Avó de Gémeos, que se encontra tão enternecida com o facto, que praticamente deixou o mundo internáutico de que tanto gosta, para se dedicar quase exclusivamente, a fazer o enxoval (em duplicado) dos seus primeiros netos, a quem dedicou mesmo antes de nascerem, o poema que carinhosamente lhe “roubei”...

Imagem Menina Marota


Mãe
Escuta a brisa que meu ventre abre
Na terra dos sonhos o canto das pequeninas coisas
De braços estendidos o enlevo do sorriso que as afaga
Aquele murmurejar de água soletrando o rio
Plácido

Mãe
Sente os dois mundos que em mim trago
Saboreando o néctar das coisas invisíveis e cândidas
Entre a música e a leveza da dança
No balanço certo das outonais cores
Em folhas irisadas e suaves

Seis meses, mãe, são caminhados
Na voz das pequeninas coisas
Sob o azul da luz e o verde dos laços

Poema "As pequeninas coisas" da Amita


Ouvir o poema na voz de
Luís Gaspar
(desligar a música de fundo, p.f)

terça-feira, dezembro 04, 2007

Prémio

A minha admiração por Graça Pires é muito anterior à criação dos meus blogues. 
Descobri a sua poesia em 1991 quando, por altura do meu aniversário, me ofertaram um livro de poemas de sua autoria. 
A partir daí não perdi o seu percurso poético e quando casualmente encontrei o seu blogue, fiquei deveras satisfeita por isso, porque poderia "in loco", apreciar a sua obra.

Foi com um misto de ternura e satisfação que aceitei o prémio que ela teve a gentileza de me dedicar. Partilho-o segundo as normas do regulamento...


Regulamento:

Eis os parâmetros inerentes à condição:
1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que consideras serem bons, entende-se como bom os blogs que costumas visitar regularmente e onde deixas comentários.
2. Só e somente se recebeste o prémio “Diz que até não é um mau blog”,deves escrever um post:- Indicando a pessoa que te deu o prémio com um link para o respectivo blog;
- A tag do prémio;
- As regras;
- E a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio.
3. Deves exibir orgulhosamente a tag do prémio no teu blog, de preferência com um link para o post em que falas dele.

Indico os seguintes blogs:
Alba
Casario do Ginjal
Da Praia da Granja
Maria Clarinda
Odele Souza
Porosidade Etérea
Rosamármore


Imagem de Michael Norman


De Novembro



Vem de Novembro

esta seiva impetuosa,
onde as raízes da utopia
se perpetuam no sangue,
como um percurso alienado.

Um outono de sede
no interior descuidado das mimosas,
a semente e o parto
das amoras doces,
um carnaval cinzelado
no limite de um balão de vidro.

É noite de morrer
para adiar a vida,
noite polar
à medida da náusea
do que se aceita e recusa,
antinomia do vazio das mãos.

Vem de Novembro
a forma antecipada do prazer
e, por isso, todos os lugares são verdes.

De mãos erguidas
junto das nascentes,
convoco o inacessível
e construo os cenários
da infância que não tive.

Agora vou ser livre
de percorrer o vento
em linha recta,
de receber os afagos
às mãos cheias,
de pintar em todas as paredes
as bonecas de trapos que não fiz.

Agora posso marcar
um percurso feliz
no caminho que leva
à outra margem,
ou fabricar um enredo
onde a minha imagem,
petrificada e bela,
seja sempre o reflexo
do crepúsculo que se extingue.

depois, a vida há-de mover-se
como um vendaval inesperado,
mas nada toldará a limpidez
das lágrimas e da noite,
no ritual quotidiano de estar só.


Poema de Graça Pires 




O Palavras de Ouro 112 dedicado à poesia de Graça Pires, poderá ser ouvido aqui e ainda o poema deste texto, ambos na voz de Luís Gaspar - aqui 

(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)