quinta-feira, novembro 09, 2006

Ausência...


Imagem de Olga Sinclair




Quero dizer-te uma coisa simples:
a tua ausência dói-me.
Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma;
mas que não deixa, por isso,
de deixar alguns sinais -
um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos.
Como se as tuas mãos lhes tivessem roubado o tacto.
São estas as formas do amor,
podia dizer-te; e acrescentar que as coisas simples
também podem ser complicadas,
quando nos damos conta da diferença entre
o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória;
e a realidade aproxima-me de ti,
agora que os dias correm mais depressa,
e as palavras ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de mim -
e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.

(Poema de Nuno Júdice)

27 comentários:

Licínia Quitério disse...

Muito obrigada pelas palavras que deixaste no meu Sítio. O prazer é meu. Pela partilha da Poesia nos vamos encontrando. Quanto à tua publicação de hoje é ficar a olhar, a ler... atentamente, saborosamente.
Beijinho.

Luís disse...

Bem, o poema é lindissimo, o quadro também. E a música, bem a musica do melhor.

Anónimo disse...

Será que este espaço vai voltar aquele brilho que o caracterizava????onde estão as tuas memórias nina???onde está aquela forma apaixonada de escreveres??? tenho saudades das loucuras que aqui encontrava e me faziam correr pela manhazinha para aqui!!!
como diz ali alguém esta musica é do melhor!!!!
abraçosss e beijosssss
Antonio

maresia_mar disse...

Olá amiga,
os poemas e as imagens que aqui publicas são do melhor e são uma demonstração do bom gosto que possuis.. Deixo um beijo com sabor a maresia e cheiro a S. Martinho

Isabel-F. disse...

Belissimo poema. e Belissima a imagem que escolheste para o ilustrar.

Beijos

Era uma vez um Girassol disse...

Tudo lindo, imagem e poema.
O único medo que tenho na vida, a ausência...
Beijinhos

Teresa David disse...

Gostei da imagem e senti no poema a dor da ausência que apenas o tempo e por vezes MUITO, apaga do sentir mas não da memória.
Bjs
TD

legivel disse...

... as palavras e a música de braço dado! Belo!

Abraço.

agua_quente disse...

Um poema muito belo. Gosto de encontrar quem fale sobre ausência desta forma tão simples e verdadeira. Música linda.
Beijos

Capitão-Mor disse...

Muito bonito! O pior é que muitas vezes também existe a dor da ausência de lugares que nos são familiares e de que sentimos falta.

{{coral}} disse...

Uma bela escolha.
Nuno Júdice é um dos poetas mais dados aos poemas do amor simples, de ausência, e dor.
A imagem bem enquadrada, assim como a música. No fundo um belissimo conjunto com muita qualidade.
Um beijo

{{coral}}

Unicus disse...

A ausência mais do que dói: mata.
Não gosto particularmente do Júdice, mas admito que este pode ser um dos melhores poemas dele.
Regressei..
Beijos

vida de vidro disse...

Particularmente feliz este poema de Júdice. Pela forma "limpa" como fala de ausência. Gostei de (re)ler. **

António Silva disse...

A ausência é sempre sentida
perda, amor ou dor
coração, pena ou temor
acompanha a nossa vida querida.

Inexlicavelmente algo desaparece
nosso espírito e íntimo entristece
voz, atitude, pensamento empobrece
porque um amigo jamais cresce.

Tudo está harmoniosamente conjugado, a suavidade, a sonoridade, a riqueza e a intensidade da beleza do Poema, acompanhado por uma ilustração perfeita.

Um abraço com carinho e amizade.
Continua o teu bom desempenho.

Anónimo disse...

Parabens pela trilogia das artes: Escrita, Pintura e Musica.
Parabens, parabens e parabens.

JB

peciscas disse...

Assino o que já foi dito:boa ligação entre os elementos que dão corpo a este post.

Paula Raposo disse...

A ausência dói mesmo demais!!! Beijos para ti e bom fim de semana.

Anónimo disse...

Belo poema, a doer ... muito bonito.
Um beijo*

APC disse...

Especial, esse poema de Nuno Júdice, que me acompanha sempre no bolso da memória e cujo início tem a força de mil homens sentindo-o... Porque "é isso mesmo", tão simplemente o mais complicado de de se sentir... Essa dor!
O quadro, esse é um deleite para os olhos, com a força e a fragilidade que acompanham todas as relações (e as ausências também).
Respiro quando aqui venho, sabes?
E deixo-te um grande abraço! :-)

Cristina disse...

Bom dia de S. Martinho
kisses
:)

Passeando no Parque disse...

Uma postagem cheia de envolvimentos.
Passei pra desejar bom fim de semana.
Abração em vc menina :-))

impressaodigital disse...

bonito, sem dúvida

AS disse...

(...)
Mas se a tristeza vem de tu não estares,
como ta direi?
Como poderás saber o que me está doendo?
Como?
Se na tua ausência impregnada de silêncio
paira um espirito de música estiolado?
Como poderás saber que a tua imagem
arde mansamente sob os meus olhos palpitantes?
(...)


Querida MM, deixo-te um excerto de um poema do meu livro "Diálogo de Sombras"

Um abraço e obrigado pela tua simpatia e gentileza!

Peter disse...

Nuno Júdice é um poeta que leio sempre com agrado. Gosto da música.
Como vai o blog recem-nascido? Inclui-o nos links do Peter's.

Bom Domingo

marciaratti@yahoo.com.br disse...

Fiquei encantada com teu blog.

adorei este texto poderiasd mandar-me uma cópia?

Thunder disse...

Adorei este poema e fiquei curiosa de conhecer mais poemas deste poeta. Bjs

Dulcineia disse...

Minha doce amiga.Amei este poema do Júdice.Tomo a liberdade de lhe pedir k me o faça chegar....Posso esperar?Aceite a minha cumplicidade.