segunda-feira, maio 15, 2006

Perda Geracional *

Se António Gedeão escrevesse hoje a Pedra Filosofal acredito que o faria tal como o fez Manuel do Montado, desta forma soberba…


Autor desconhecidos

Eles sabem que o sonho
é uma constante da vida
duma esperança perdida
de um Abril qualquer
como esta terra cinzenta
em imposto remanso
como este povo manso
vítima de perpétuos assaltos
desses dignitários altos
que em luxo e oiro habitam
e estas gentes que gritam
pl'o país de norte a sul

Eles sabem que o sonho
do povinho se esfuma no tempo
coitadinho, alarve e sebento
sujo, vulgar e sisudo
que fuça através de tudo para obter o sustento

Eles sabem que o sonho
é mazela, é dor, é de fel
base que sustenta o cartel
lobby conspirando no hall
Ganância neo-liberal
povo bronco, pedofilia
tragédia grega, democracia
que é retórica populista
governo do mundo arrogante
Papoilas, ecstasy, implante
caravana Europeísta
escrava da alta-finança

Euro, offshore, um festim
minarete, Osama Bin
mártir, virgem, matança
cocaína do Delfim
Corja manipuladora
raio que a parta, altiva
vampiros de capa festiva
do alto-crime, financiadora
míssil guiado, radar
super-armas, televisão
desembarque de supetão
na Babilónia milenar

Eles sabem e sonham
que o petróleo comanda a vida
e que sempre que o rico sonha
o mundo sofre e balança
como balsa perdida
no desastre da esperança

(* Adaptação aos tempos de “A Pedra Filosofal" de Manuel do Montado)

25 comentários:

Pamina disse...

Neste país, muitos sonhos não concretizados, muita injustiça social, mas também coisas boas, como a liberdade de expressão de pensamento que nos permite a todos escrever o que quisermos sem medos.
Bom início de semana. Um beijinho.

herético disse...

Gostei de ler esta nova versão da Pedra Filosofal...

paper life disse...

Não concordo muito, Menina Marota. Foi em tempos piores que ele escreveu a Pedra Filosofal

Desses tempos é que tem de renascer o sonho.

Embora entenda bem a mordacidade do Manel

Bjs

:)

CondeDálmada disse...

Sublime constatação da modernidade Europeísta.

Joe Nunes disse...

Apesar dos tempos difíceis em que AG escreveu este poema, as realidades são actualmente diferentes. Acredito como tu, MM que se ele pudesse reescrever este poema o faria como o Manel, ou de uma forma ainda mais contestatária. Um poema muito bem adaptado!!

Cumprimentos

:)

maresia_mar disse...

Olá kida,
que poema mais bem adaptado, gostei, a sério que gostei. Infelizmente este país não está como alguns e nós o sonhamos... Eu amo o meu país e fico triste por tudo o que está a acontecer. Boa semana e mt beijos

Joaquim Amândio Santos disse...

primeiramente, queria aqui depositar o meu profundo agradecimento pela sua presença na FNAC na apresentação do meu livro.
Bem haja!

Raramente aceito adaptações de poemas mas esta está ferida de uma actualidade atroz!

Elise disse...

uma adaptação interessante, que merece uma boa reflexão! que tipo de país estamos a construir para as próximas gerações?

ÍntimoSedutor disse...

Apenas uma palavra:
" O que será de nossa juventude, e dos filhos e filhas de nossa juventude "...
Beijos, gostei da adaptação...

manuel disse...

Isto está um pouco bota abaixo. Bem feito, mas derrotista quanto baste.
Não é bem por aí que eu vou.
See you.

wind disse...

Achei excelente! beijos

Ana Sobral disse...

Este poema descreve aquilo que muitos pensam e não dizem. Como diz ali o manuel está um pouco bota a baixo, mas é assim mesmo que muitos portugueses pensam e que temos todos s coragem de admitir. O 25 de Abril não se fez para só para dar a liberdade de expressão, nos temoas culturais ou temáticos. Temos que apontar e colocar o dedos ou os dedos nas feridas todas. Que haja liberdade para isso é realmente uma conquista, mas ao fim de trinta e tal anos, merecemos mais, do que desemprego e mais desemprego, subida de impostos, gasolina cara e por aí fora, enquanto algumas dúzias de favorecidos podem passar férias de sonho lá fora.
Que haja quem se assuma e consiga dizer tudo isto!! Os meus agradecimentos
Ana

Nuno Guronsan disse...

Muito oportuno e bastante certeiro, no que se refere aos tempos em que vivemos.

≈♥ Nadir ♥≈ disse...

Boa adaptação.
Beijos

Carlos Barros disse...

"como este opovo manso" não tenho duvidas ..

beijo
e mais uma vez um muito obrigado muito grande

Dra.Daniela Mann disse...

AH AH AH AH AH
Hilariante!
Obrigada pela visita e pelas palavras lindas!
Beijinhos da Dani

gato_escaldado disse...

um belo execício poético. beijos gostei de ler-(te)...

lique disse...

Na verdade, uma muito boa adaptação às circunstâncias actuais. Sobretudo ao desfazer desse sonho que deveria fazer o mundo "pular e avançar".
Beijinhos

Lumife disse...

Voltando à normalidade das visitas...
Já tinha lido o texto do Manel do Montado. Está soberbo e actualíssimo.
Espero a tua visita e um comentário a uns versos meus.
Bj.

Henrique Santos disse...

Olá,
Que belo poema do meu amigo Manel... Fizeste bem em reproduzi-lo, pois nunca é demais apreciar esta sensibilidade e esta afirmação de BEM p'rá VIDA de todos nós...
Obrigada e depois dum tempito inoperacional aqui estou p'ra voltar às lides...
Bjinhos RICKY

al cardoso disse...

Nao ha duvida nenhuma que nessa traducao, se encontra realmente retratada a nossa sociedade e, nosso pais.
Parabens ao tradutor e a menina pela divulgacao.

Um abraco beirao.

lena disse...

já o tinha lido, mas como sabe bem reler e voltar a reler,

acredito que o escrevia hoje assim

o Manuel fez uma excelente adaptação

obrigada a ti menina encantadora por o partilhares aqui e ao Manuel os meus parabéns por nos oferecer tão belo momento

beijinhos e um abraço ternurento

lena

lena disse...

já o tinha lido, mas como sabe bem reler e voltar a reler,

acredito que o escrevia hoje assim

o Manuel fez uma excelente adaptação

obrigada a ti menina encantadora por o partilhares aqui e ao Manuel os meus parabéns por nos oferecer tão belo momento

beijinhos e um abraço ternurento

lena

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