sábado, agosto 27, 2005

Esperança...

Imagem daqui

Desenha em ti
cores vivas
de felicidade
mesmo que adiada
mesmo que não consentida
não deixes que o negro
tome conta de ti.

Exala o perfume
das flores
o aroma dos frutos
e pinta a Vida
de mil cores
mil pensamentos
felizes
audazes
coloridos.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Revolta!



"Vale a pena apreciar…"

A palavra foi dita numa excitação tal, que fiquei francamente revoltada e exclamei num grito:


- Não é possível que esta mulher saiba o que está a dizer!


Ficámos todos ali a olhar o cenário desolador enquanto, por coincidência ou não, a palavra foi sucessivamente cortada e a jornalista, não acabou de fazer as suas considerações.


Numa outra notícia, uma outra mulher dizia tranquilamente:


- "Estamos à espera que o fogo chegue à Nacional…"


…como se estivesse esperando uma coluna de ciclistas!


Não quero acreditar que esta seja a forma mais ética, mais convicta de fazer jornalismo.


Até que ponto vai o direito de informar sem especular, sem emitir opiniões de valor, ou comentários ridículos?


Sempre tive o máximo respeito pela isenção de um jornalismo sério, feito com a convicção de que trazer a verdade da notícia ao Mundo, sem especulações e acima de tudo, com profissionalismo, era a melhor forma de dar a notícia.


Porque o Jornalista, quanto a mim, está ali para informar, não para fazer juízos de valor e, muito menos,comentários jocosos, seja a que propósito for.


Este não é um Blog de opinião.


E, muito menos político. É um Blog de sentimentos.

E porque se trata de um sentimento,que já não consigo calar dentro de mim, resolvi deitá-lo para fora do meu peito.
Não me move qualquer outro tipo de interesse, a não ser fazer sentir a minha revolta de Mulher, Cidadã e Portuguesa, por tudo aquilo que está a acontecer neste momento, no meu País!


Não posso mais calar a revolta que sinto em mim, quando vejo o meu País a arder, como se de lixo se tratasse! Não posso calar mais a revolta, quando vejo a morte, a destruição ser tratada, como se de um grande espectáculo se tratasse!
Não posso mais calar a minha revolta, que aqueles que deveriam estar a guiar os destinos de País, o abandonem às mãos de interesses sujos, enquanto gozam as férias, num paraíso qualquer!


Basta! Não posso calar mais a angústia, de ouvir as sirenes, de ver a correria de homens exaustos, de populações desesperadas, de terra queimada, perante a inoperância de um Governo que está a banhos!


Não me move qualquer interesse político, de quem quer que esteja no Governo. Se este ou aquele partido.


Não me interessa se a culpa foi ou é, de uma política florestal errada.


Não me interessa que hajam pessoas ou entidades, que estejam a tirar dividendos de todo este horror, a começar pela própria Comunicação Social, aos mentores do fogo posto. Esse assunto, guardar-se-á para mais tarde.


Interessa-me acima de tudo, saber porque não se usam todos os meios disponíveis no País, porque não é chamado o Exército a ajudar as populações, com a sua maquinaria, os seus homens, dando descanso a quem anda exausto, a quem já quase não tem forças para lutar!


O que é preciso acontecer ainda mais, para que o Governo decrete Calamidade Pública e chame a si a coordenação de um trabalho, que a não ser feito o mais rapidamente possível, irá trazer consequências desastrosas para o Povo Português?
Quantas mais pessoas terão que morrer? Será que o fogo terá que dizimar uma cidade, para se tomarem providências?


Porque não se pede ajuda externa, se não temos capacidade, para combater esta calamidade?


Não posso calar por mais tempo a minha revolta, contra a inoperância, contra a "exploração noticiosa", de alguns abutres, que estão cada vez mais há espera das suas vítimas.


Basta!


Até que ponto vai o direito de explorar as notícias e o próprio Ser Humano?
Até que ponto o "espectáculo" deve continuar?


E, porque não sou daquelas pessoas que viram as costas às suas convicções, ao seu amor pela Terra que a viu nascer, ao Povo de que faz parte também, deixo aqui o meu grito de revolta e incompreensão.


Imagem daqui

domingo, agosto 14, 2005

Mitsou...

... em cada dia que passar, sente no teu coração a liberdade do pássaro e, a escolha que ele faz para viver em liberdade e amor…
...sê tu própria o pássaro…

...Sê Feliz...

Imagem autor desconhecido


Todas as pessoas são pássaros livres
o segredo é não se deixar prender
voar rasteiro por sobre as estrelas
é a melhor forma de se viver.

Cantar para aquele que quer ouvir
contar para aquele que quer saber
a sensação de estar liberto
a melhor forma de ter prazer.

E quando encontra a pessoa amada
não sabe o que há-de dizer
rir, chorar e descobrir a custo
a melhor forma de se querer.

E se a tristeza lhe bate á porta
muito há a fazer,
limpe as lágrimas, abra o seu coração
e deixe o amor vencer...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Olhares...

Imagem de autor desconhecido


Passar-me-ia despercebido, o olhar do cavalheiro na montra de roupa interior de senhoras, se não tivesse reconhecido o seu rosto.
O estabelecimento é pequeno, por isso, todos os olhares exteriores, são bem visíveis. Sorri interiormente, enquanto o olhar masculino percorria, uma a uma, cada peça que se encontrava na montra. Deteve-se no grande cartaz que promovia uma marca nova. De soslaio, notei-lhe um leve sorriso, enquanto permanecia de olhos posto no modelo.

Fiz as minhas escolhas, liquidei a conta e sorridente abandonei o estabelecimento.
Ao passar pelo cavalheiro, impulsivamente cumprimentei-o:


- Então Sr. Padre, por aqui? Também veio aos saldos?


Senti o leve rubor que se lhe colocou na face.
- Não vale a pena corar, Sr. Padre… as montras são para serem admiradas…

Feitas as perguntas da praxe e os cumprimentos à família, deixei o meu estimado amigo, padre numa diocese a que eu já pertenci, prosseguir o seu caminho… um pouco envergonhado (notei isso) por ter sido “apanhado” em flagrante…
De repente, ocorreu-me um poema de Nietzsche dedicado a Goethe.
Aqui vos deixo…

Enquanto o meu corpo for belo
É pecado ser piedosa,
É sabido que Deus gosta das mulheres,
E das bonitas sobretudo.
Ele perdoará, tenho a certeza,
Facilmente ao pobre fradezinho
Que tanto procura a minha companhia
Como muitos outros fradezinhos.
Não é um velhorro padre da Igreja
Não, é jovem, muitas vezes vermelho,
Muitas vezes, apesar da mais cinzenta tristeza,
Pleno de desejo e de ciúme.
Não gosto dos velhos,
Ele não gosta das velhas:
Que admiráveis e sábios
São os caminhos do Senhor!
A Igreja sabe viver,
Sonda os corações e os rostos,
Insiste em perdoar-me…
Quem não perdoará, então?
Três palavras na ponta da língua,
Uma reverência e ide embora:
O pecado deste minuto
Apagará o antigo.
Bendito seja Deus na Terra,
Gosta de raparigas bonitas
E perdoa de bom grado
Os tormentos do amor.
Enquanto o meu corpo for belo
É pena ser piedosa;
Case o diabo comigo
Quando eu já não tiver dentes.



( F. Nietzsche in "A piedosa Beppa")

sábado, agosto 06, 2005

Pelo olhar da Sulista...


A arte da Sulista


Em tempo de narcisos (que sabem
o sentido da vida é crescer)
esquecendo porquê, recorda como

Em tempo de lilases que proclama
o desígnio da vigília é sonhar,
recorda assim (esquecendo parece)

Em tempo de rosas (que assombram
o nosso agora e aqui com o paraíso)
esquecendo se, recorda sim

Em tempo de todas as doçuras para além
do que quer que a mente possa entender,
recorda busca (esquecendo acha)

E num mistério a haver
(quando o tempo do tempo nos livrar)
esquecendo-me, recorda-me

(Poema de E. E. Cummings)



Os desenhos apresentados, fazem parte de uma colecção da autoria da Sulista, que tão generosamente me ofereceu pelo meu aniversário e a quem deixo o meu sincero agradecimento com um abraço muito especial.